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Rumo ao San Valentin, a maior montanha da Patagônia.

21º. Dia da Expedição a Patagônia Chilena. Tempestade no San Lorenzo. Mundo Andino Estimados Amigos! Mundo Andino Estamos novamente de passagem por Cochrane, após nossa primeira experiência nas montanhas em nosso Projeto Mundo Andino.

27 de Janeiro de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem  

21º. Dia da Expedição a Patagônia Chilena.
Tempestade no San Lorenzo.

Mundo Andino

Mundo Andino

Estimados Amigos!

Mundo Andino

Mundo Andino

Estamos novamente de passagem por Cochrane, após nossa primeira experiência nas montanhas em nosso Projeto Mundo Andino.

Mundo Andino

Mundo Andino

Infelizmente não conseguimos escalar os 3.706m do San Lorenzo, fomos apenas até os 2.260m, um lugar chamado de Brecha, um colo que divide todo o maciço do San Lorenzo de um outro chamado de Cochrane. Foi logo antes da Brecha, a 2.200m, que montamos nosso acampamento 1 e suportamos duas noites terríveis, sob forte tempestade, quando nevou mais de 40cm.

Mundo Andino

Mundo Andino

Nos aproximamos do San Lorenzo com a ajuda de cavalos, que levaram nossa carga, e após 4 horas de caminhada chegamos ao mítico “Acampamento De Agostini”, situado a 1.000m, onde encontramos os restos da velha cabana construída pelo conquistador desta grande montanha na década de 1940.

O tempo estava bom, foi possível contemplar toda a imponência da montanha, o que nos animou muito. Sabíamos que aquele céu azul era algo raro por aqui e no outro dia já iniciamos a nossa escalada, com a esperança de fazer parte do pequeno grupo de alpinistas que até hoje lograram chegar no cume do San Lorenzo (pouco mais que 30!!!).

Tão logo saímos do bosque que nos protegia, começamos a enfrentar um vento frio que vinha do oeste. As nuvens escuras já nos envolviam por todos os lados, mas o sol do dia anterior nos fazia crer que todo aquele cenário poderia mudar.

A chuva não demorou muito a chegar, mesmo assim continuamos, já tocando as primeiras manchas de neve, no meio de uma encosta acentuada de pedras soltas. Passando a barreira dos 1.800m topamos com um glaciar, ficamos meio protegidos do vento, as nuvens pesadas e escuras nos assustavam, pensamos em ali fazer um depósito, mas resolvemos ir até o “Passo do Comedor”, a 1.960m, para ter uma visão melhor do terreno que teríamos pela frente.

Passamos pelo Passo do Comedor sem problemas, vislumbrando ao longe a Brecha, já decididos a montar o Acampamento 1, e ali esperar uma definição do tempo, o que não demorou muito para acontecer. O vento foi ficando cada vez mais forte, começou a chover sobre a neve, e logo a nevar forte. A noite caiu rápido, nevou e ventou forte sem parar, e pela manhã era quase impossível sair das barracas. Estávamos relativamente protegidos, logo abaixo da crista da Brecha, onde percebíamos o vento rodopiar com violência, arrancando pedaços de gelo do glaciar.

A segunda noite demorou a chegar, e o barômetro despencou 12 milibares em 10 horas, algo quase absurdo (no acampamento base, despencou 20 milibares). Toda queda brusca da pressão atmosférica significa mau tempo.

No dia seguinte nossa situação não era nada boa, as barracas estavam enterradas na neve por quase meio metro, e a tempestade continuava nos castigando. O Irivan, procurando ainda um pouco mais de emoção, saiu no meio daquele turbilhão e subiu até o alto da Brecha. Voltou dizendo que o outro lado, por onde teríamos que seguir, estava era ainda mais açoitado pelo vento. Bem, já não nos restava nada a fazer do que descer, aquele mau tempo continuaria, com certeza.

A descida me fez lembrar as piores tempestades que enfrentei no K2. Com a neve profunda era grande o risco de avalanches e quem nos garantiu retornar pelo mesmo caminho foi o Renato com o seu GPS, pois na subida gravamos todos os pontos do nosso percurso. Chegamos ensopados na cabana De Agostini, o vento parecia um furacão.

Enfim, tínhamos tido a primeira experiência na Patagônia, estávamos um tanto frustrados pela falta de chegar ao cume, mas satisfeitos em conhecer de perto a hostilidade destas montanhas onde estaremos ainda um mês.

Não ficamos mais tempo no San Lorenzo, porque nosso grande objetivo desta primeira expedição é o San Valentin, uma montanha ainda maior e ainda mais difícil de ser escalada.

O San Valentin é a montanha mais alta da Patagônia, com 4.058m de altitude. Alguns alpinistas o definem como uma montanha de proporções himalaianas e sua escalada tão difícil como a de uma montanha com mais de 8 mil metros. Exageros a parte, é uma montanha realmente complexa, de difícil acesso, com um dos piores climas que se pode imaginar, situada no extremo nordeste do Gelo Patagônico Norte. Este campo de gelo possui aproximadamente 100Km de comprimento e uma largura de 40 a 50Km.

O caminhão Andino vai nos deixar perto do Lago Leones, onde chegaremos com a ajuda de cavalos, vamos atravessar este lago de 10Km com um bote de borracha a motor para chegar até o nosso acampamento base. Depois teremos dois mil metros de escalada vertical para chegar no Gelo Patagônico Norte, usaremos então esquis, arrastando nossa carga em trenós por cerca de 25Km, para chegar até a base da pirâmide do San Valentin. Estamos dedicando 25 dias para enfrentar esta grande montanha.

Nossa maior preocupação será com a orientação, sabemos que o risco de nos perdermos no meio das freqüentes tempestades é grande, como aconteceu exatamente há um ano atrás com um grupo de alpinistas chilenos, sete deles acabaram perdendo a vida.

Fiquem tranqüilos, ficaremos de olho o tempo todo no GPS e, assim que as montanhas nos permitirem uma visada com os satélites do nosso equipamento de comunicação, enviaremos as novidades.

Nas fotos de hoje, o belo cume do San Lorenzo, a equipe em frente a cabana De Agostini, o Acampamento 1 e a retirada no meio da tempestade.

Um abraço já cheio de saudades de toda a Equipe Mundo Andino,

Waldemar Niclevicz

 

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