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28 de Março de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem
5º. Dia da Expedição Sul Peru

Mundo Andino
Estimados Amigos!
Nestes primeiros dias da viagem estamos apenas nos deslocando para o sul do Peru, a região onde se desenvolverá a próxima expedição, assim estamos na estrada o dia todo, sem a preocupação de detalhar por onde estamos passando, e também sem muito tempo para isso.
Agora, 22:35hs, acabamos de estacionar o Andino num lugar tranqüilo a 20Km de Arica, depois de ficar na estrada desde as 9 horas e rodar 621Km. Partimos hoje de manhã de uma praia chamada Hornitos (perto de Antofagasta), subimos beirando o Oceano Pacífico até Iquique e depois a Pampa de Tamarugal até aqui.
Desde que deixamos Copiapó (antes de ontem) nos surpreendemos cada vez mais com a aridez da paisagem, formada pelo Deserto de Atacama, o deserto mais seco do mundo. De fato é um ambiente impressionante, formado por pedras e areia, onde por várias centenas de quilômetros não vimos sequer nem um pequeno arbusto.
O Chile é um país com 4.329Km de comprimento e uma média de 177Km de largura, possui uma terra linda e cheia de contrastes, e não é tão difícil imaginar estas grandes diferenças. Em janeiro e fevereiro eu estava na Patagônia Chilena, região úmida, repleta de bosques e glaciares e agora estou num ambiente desolador, seco, onde dunas e campos repleto de rochas se perdem num horizonte cortado por montanhas desnudas.
No passado (de 1810 até 1914) toda essa região que envolve os arredores e o próprio Deserto de Atacama teve uma grande importância com a exploração de salitre (usado então para a fabricação de pólvora e de fertilizantes). Hoje passamos por várias instalações das antigas “salitreras”, bem como por dezenas e dezenas de quilômetros onde antigamente se explorava o salitre. São como cidades fantasmas, casas velhas e abandonadas, e um campo esburacado pela ponta da picareta onde milhares de pessoas ficavam no meio de um deserto em busca do salitre.
Esta região também foi, e ainda é, berço de uma intensa atividade mineira, com a exploração de cobre, ouro, prata e ferro, minas se espalham por todos os lados. Também é grande a exploração de sal, aqui está o Salar Grande, com 280 quilômetros quadrados, de onde se extraem cerca de 590 mil toneladas de sal puro por ano.
Do outro lado de tanta aridez e pedras está o Oceano Pacífico, com um outro tipo de riqueza. Somente através do porto de Iquique chegam cerca de 580 mil toneladas de peixe por ano, que acabam virando enlatados, óleo, congelados e farinha (Iquique é o maior porto do mundo exportador de farinha de peixe).
E, antes que fique tarde demais, deixe eu apresentar para vocês o meu amigo Iguaçu Paraná de Souza, meu companheiro nesta viagem. Somente nós dois estamos aqui na boléia do Andino, quando chegarmos em Arequipa um colega peruano também vai se juntar a nós.
Iguaçu é um grande amigo, que conheço desde.... faz tempo (uns 15 anos... pra mais)! Ele é famoso por organizar viagens de aventura (overland) e por ser um perito em off road ou 4x4, sua agência se chama Yguaçu Paraná Expedições (E-mail: yguacuparana@onda.com.br). Nem precisa dizer que estou muito bem acompanhado.
As fotos de hoje dão um idéia da região que acabamos de percorrer, em destaque o Iguaçu ao lado do Andino, depois o Andino com o Oceano Pacífico e um detalhe da Rodovia Panamericana.
Bem, tentei o tempo todo enxergar as montanhas nevadas da Cordilheira do Andes atrás do Deserto de Atacama, não consegui ver nenhuma delas, por isso não vejo a hora de cruzar a fronteira com o Peru amanhã e chegar em Arequipa. Até lá!
Forte abraço,
Waldemar Niclevicz
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