23 de Novembro de 2005. Publicado por Família Muller Aventura
Convidados pela Canoar para uma decida de duck pelo rio Macaé, fomos o Ronny, meu filho Matheus de 9 anos e eu conhecer o “SANA”, que é o local indicado pela agência para servir de “base”.
Sendo um lugar completamente desconhecido por nós, antes de partir para viagem fomos pesquisar em guias e na Internet onde era, e quais as possibilidades de ecoturismo que oferecia.
Descobrimos que o Sana não é uma cidade como pensávamos e sim um “arraial”, palavra até então inédita para nós como definição de um local.
O Sana está localizado entre os municípios de Trajano de Morais, Macaé, Casimiro de Abreu e Nova Friburgo, atualmente foi transformado numa APA (Àrea de Proteção Ambiental) e é cercado por morros cobertos pela Mata Atlântica.
Logo na entrada do Arraial, avistamos dois destes morros que foram chamados de “Pirâmides do Sana”, revelando o apelo místico do lugar.
Entusiasmados com o resultado da pesquisa, escolhemos um feriado para a visita ...
Como em todas as nossas viagens, pegamos o mapa, traçamos o roteiro e seguimos em busca de nosso destino. Sempre optamos por viajar de manhã, pois estando com crianças, tudo fica mais fácil a luz do dia. Almoçamos no Rio, afinal é sempre bom dar uma parada na “cidade maravilhosa”, pegamos a Ponte Rio Niterói e seguimos pela BR 101, sentido Vitória.
A estrada é de mão dupla e tem muitos caminhões o que torna a viagem mais longa e cansativa. Para passar o tempo e deixar a viagem agradável, é importante incluir a criança na conversa, comentando sobre o visual, ouvindo música e falando sobre as expectativas do que vamos fazer entre outras coisas, pois como não existe criança que fuja daquela famosa frase: “Ta chegando?”, o Matheus também não é uma exceção.
Em Casimiro de Abreu pare e pergunte, é indispensável para não errar o caminho. Não existe nenhuma indicação de como se chega ao Sana. O acesso se dá pela Estrada Serra-Mar (RJ – 142) de mais ou menos 26 km, 10 asfaltados, e o restante de terra em estado razoável.
Escolhemos a Pousada Cristal do Sana, para ficar mais perto da base da Canoar. Ela está a 6 km do Arraial, perto do Portal e à beira do rio Sana. Um rio tranqüilo de águas claras e transparentes. Ele nasce na Cabeceira do Sana e atravessa todo o distrito, desaguando no Rio Macaé.
Chegamos a noitinha e fomos até o Arraial para jantar. Com indicação da Cris, dona da pousada, fomos experimentar o crepe do Telektonon [Foto 4 – Telektonon]. O Madeira, proprietário e “faz tudo” da creperia, é um dos moradores mais antigos do local, enquanto preparava os crepes, com a “assessoria curiosa” do Matheus, contava-nos as “histórias do Sana”.
De como pessoas ávidas por desfrutar um pouco de paz envolvem-se com a natureza local e como isto contribui para “sanar” a mente e a alma, deixando a energia fluir livremente, tirando proveito de tudo que o Sana tem para oferecer.
Mal percebemos o quanto já estava tarde, e como iríamos descer o rio na manhã seguinte, fomos descansar para curtir o duck...
Chegamos logo cedo à base da Canoar, já estava tudo preparado para iniciarmos a descida. O duck era uma novidade para nós, até porque sempre achamos que “aquela canoa inflável” era frágil demais, podendo virar com facilidade, uma experiência que não gostaríamos de ter com nosso filho.
Antes de partimos para o rio, “milhões de questões” para o Breno (instrutor responsável pela base da Canoar): -“Quais os riscos de virar?”, - “Como está o nível do rio?” – “Nós iremos sozinhos no duck?”, - E se virar, o que fazer?”.
O Breno percebendo nossa preocupação, explicou-nos que cada um de nós iría com um instrutor, também que o ideal com crianças era fazer o rafting, mas como o nível do rio estava muito baixo, não havia outra alternativa a não ser o duck garantindo-nos que era uma opção segura.
Passadas as instruções de segurança, vestimos os coletes, as sapatilhas (que podem ser tênis velhos), os capacetes, cada um de nós pegou um remo e descemos com quatro ducks para o rio (além de cada um de nós seguir com um instrutor, ainda teria o duck da segurança).
O sol estava a pino e entrar na água clara e límpida do rio foi um alívio para todos nós. O Matheus estava super feliz, pois finalmente iria remar de verdade (pois nas descidas de rafting, normalmente ele não pode).
O duck nos permite uma sensação diferente do rafting, como o bote é muito menor, ficamos mais “a mercê” do rio com isto, mais adrenalina!
Na hora do surf, onde remamos contra a correnteza e deixamos com que o bote “surfe” na espuma, é muito mais gostoso, pois a água que invade o bote vem toda em cima de nós. Já no rafting, ela pega mais quem está na frente do bote. A sensação de que vamos virar, também é maior.
Num dos remansos, demos uma parada para curtir o banho e observar o rio Macaé, que é realmente lindo, com grandes rochas pelo meio e uma mata ciliar bem verde, que no contraste com o céu azul, ainda fica mais bonita.
Depois de duas horas de descida (que mal sentimos passar), chegamos ao nosso destino. Um ônibus da Canoar já esperava por nós, levando-nos de volta à base.
Mais uma vez, agradecemos o Breno e partimos então para Casimiro de Abreu, onde iríamos almoçar...
Paramos para almoçar na beira da estrada, num restaurante por quilo, indicado pelo pessoal da Canoar. No restaurante, soubemos que ali pertinho ficava a Associação Mico-Leão-Dourado, criada para recuperar, proteger e conservar estes animais em seu ambiente natural.
A associação Mico-Leão-Dourado é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que tem a missão de conservar a biodiversidade da Mata Atlântica com ênfase na proteção do Mico-Leão-Dourado. Para isto, a Associação está trabalhando juntamente com outras instituições na conservação, manejo e uso sustentável da Mata Atlântica.
Fomos conhecer o Centro Educativo, que tem muita informação sobre a Mata Atlântica da região, os animais que a habitam e claro, sobre o Mico-Leão-Dourado. Dali também parte a trilha Interpretativa Boi Branco, na qual seguimos com a esperança de avistarmos um Mico-Leão-Dourado. A trilha é bem fechada, rica em Mata Atlântica e infestada de pernilongos que “nos devoraram” em boa parte do caminho, mesmo com repelente foi difícil mantê-los à distância. Com isto, não conseguimos completar a trilha toda, que apesar de pequena (1 km), pareceu-nos interminável devido aos mosquitos.
Por isto, para quem pretende visitar o centro Educativo e seguir a trilha, o melhor é ir lá pelas 10 da manhã e com um bom repelente.
O Centro Educativo Professor Adelmar F. Coimbra Filho, fica junto à Reserva Biológica de Poço das Antas / IBAMA, na Rodovia BR 101, Km 214 – Silva Jardim – RJ.. Para saber mais, é só entrar no site www.micoleao.org.br.
Depois do dia “cheio”, voltamos ao Sana para jantar ...
No dia seguinte, a conselho do Raimundo, guia local que conhecemos na noite anterior, fomos conhecer as principais cachoeiras do Sana.O Sana é rico em recursos hídricos e com seu visual selvagem e clima quente atrai locais e turistas para suas cachoeiras nos feriados, finais de semana e férias.
Na tentativa de conter a degradação ambiental devido ao turismo desorganizado, a ONG Pequena Semente monitora as principais atrações naturais do Sana e tem como principal objetivo o desenvolvimento da consciência ecológica na região.
Cada visitante é cadastrado na “portaria” da trilha que leva às cachoeiras do Circuito das Águas. É proibido o acesso de animais domésticos, aparelhos de som e apetrechos para churrasco ou qualquer outro tipo de comida, prevenindo bastante a degradação do meio ambiente.
Por uma trilha limpa e sinalizada, por cerca de 20 minutos, guiados pelo Raimundo, chegamos à Cachoeira do Escorrega. Para crianças que gostam de divertir-se escorregando num “toboágua” natural esta é a melhor cachoeira, pois possui piscinas com pouca correnteza, tornando a brincadeira segura para qualquer idade.
Caminhando à frente, passamos pelo “Recanto das Borboletas” [Foto 25 – Recanto das Borboletas] e seguimos para Cachoeira-Mãe. A cachoeira leva este nome em razão do perfil de uma mulher, marcado na rocha, semelhante à imagem de Nossa Senhora.
Chegando à base da queda [Foto 27 – Chegando na base da Cachoeira-Mãe] já ouvíamos os gritos dos turistas e locais que jogavam-se num escorrega no volume d´água arremessando-se numa piscina logo abaixo, num salto em torno de 12 metros de altura a 90 graus de inclinação. Sentamos por ali e ficamos fotografando, filmando e curtindo as peripécias dos “loucos” que surfavam, saltavam e escorregavam dali. O Matheus a toda hora soltava um “NOOOSSAAA!”, encantado com a “loucura” dos jóvens.
Em certo momento, encheu-se de coragem e queria de qualquer jeito “brincar” naquele escorrega. Explicamos para ele os vários motivos pelo qual não permitiríamos tal façanha (segurança, o tamanho dele, enfim tudo o que podíamos), mesmo assim insistiu, pois: - “não somos a Família Muller Aventura”? Com paciência, voltamos a explicar que aventura tem limite e que aquele era o nosso, neste caso, a aventura seria observar os “aventureiros”. Meio insatisfeito, ficou por ali com aquela carinha de “eu queria ir...” Até que o guia nos chamou a continuar a trilha até a Sete Quedas, onde poderíamos entrar na água.
Antes, passamos pela Cachoeira do Pai avistando-a de cima pois para chegar à queda apresenta um grande grau de dificuldade, todos os caminhos que levam até ela são complicados. Ali de cima, mais jovens aventuram-se saltando de uma altura de mais ou menos 16 metros.
O Raimundo mostrou-nos também um pedaço da Cachoeira do Filho, que fica entre a do Pai e da Mãe, mas só tem acesso para quem faz o chamado `circuito das águas` e vier pela queda da Cachoeira-Pai. Ela tem outro tobogã que leva direto para o poço da Cachoeira-Mãe. Sua descida é muito emocionante e rápida mas, radical a ponto de provocar escoriações nas costas, indicada apenas para quem está instruído e acompanhado por alguém que conhece.
Ao fim da trilha, chegamos à Cachoeira das Sete Quedas que tem este nome por apresentar em seu curso uma queda d`água representada em uma escadaria natural. Com a orientação do Raimundo, entramos embaixo das quedas d`água e sentimo-nos como se estivéssemos atravessando um tubo. A experiência foi muito gostosa.
Antes de voltarmos, ficamos curtindo um “cantinho” especial da cachoeira, onde numa tremenda paz, ouvindo o barulhinho d´água, ficamos os três ali aproveitando a hidromassagem e olhando o céu.
Conhecemos assim todo o Circuito das Águas, formado pela Sete Quedas, Cachoeira-Mãe, Cachoeira-Pai e Cachoeira-Filho, que junto a com a do Escorrega formam as Cachoeiras do Rio Peito de Pombo.
O nome do rio foi dado devido a mais uma das maravilhas do Sana, a formação rochosa conhecida por `Peito do Pombo` que, vista de determinados ângulos, assemelha-se à figura de um pombo pousado sobre uma pedra a 1.120m de altitude. Para chegar lá é preciso reservar um dia inteiro, o acesso só é permitido com o acompanhamento de guias (contatar junto ao Grupo de Defesa Ecológica Pequena Semente) sendo 15 pessoas o número máximo por grupo .
Em média, são três horas para subir e duas para descer, disseram-nos que vale a pena a subida pelo visual, onde do cume avista-se o litoral de Macaé,Cabo Frio, Búzios, Rio das Ostras e Barra de São João.
Ficamos tentados a subir, mas por orientação do Raimundo e do pessoal da Pequena Semente, desistimos, pois acharam que seria muito puxado para o Matheus. Encaramos como um incentivo para um dia voltarmos ao Sana.
No final da tarde, fomos passear no Arraial...
O isolamento preservou o Arraial que nos faz lembrar a Visconde de Mauá de 20 anos atrás. Não há quase nenhuma estrutura turística, a praça tem uma pequena igreja e é circundada por bares com mesas nas calçadas e algumas lojinhas de artesanato.
Passear por ali e observar o ritmo do local é muito interessante, pois ninguém tem pressa pra nada, as pessoas, que geralmente estão andando nas ruas ou sentadas nas calçadas, estão sempre rindo amigavelmente, e até falam em “câmara lenta”. Aos poucos vamos nos acostumando ao ritmo natural do Sana e para quem mora em São Paulo como nós, esta calmaria é ótima!!!
Restaurante grande por ali, só existe um, o Alquimia, onde fomos jantar e experimentar o nhoque de aipim, servido com um bem feito molho de tomate, uma delícia!..
O Sana transmite uma sensação de paz e tranqüilidade que raramente encontramos em outros lugares, deixe o stress de lado e aproveite tudo o que ele tem a oferecer: sua natureza que esconde belezas exuberantes como as cachoeiras de águas cristalinas que serpenteiam pelo vale, os morros verdinhos “enfeitados” pela Mata Atlântica, o pequeno Arraial e o lado místico que envolve a região e seus habitantes. É um local que vale a pena ser conhecido e contemplado por aqueles que como nós adoram este contato com a natureza.
- Abasteça o carro antes de pegar a estrada Serra – Mar para Sana, piois os postos de gasolina mais próximos ficam distantes. (Lumiar ou Casimiro de Abreu)
- Não deixe de contratar um guia local, principalmente se estiver com crianças mesmo que as pessoas digam que não precisa, nós vivenciamos a experiência e vimos que os turistas sem orientação, além de pegarem trilhas erradas, arriscavam-se em locais perigosos por não saber o caminho; Nossa indicação é o Raimundo, que nos acompanhou durante nossa visita. Seu telefone é: 0 XX 22 2793 2501.
- O Sana é bom de se visitar todo o ano. Porém, de setembro a março as cachoeiras e os riachos estão mais exuberantes por causa das chuvas que caem, geralmente, na parte da tarde. (nós fomos em outubro);
- O Sana tem muitas outras cachoeiras como a Rocadeira, a Fervedeira, a das Andorinhas entre outras, não visitamos por difícil acesso e por falta de tempo, maiores informações poderão ser conseguidas através do www.portaldosana.com.br ou o www.sana.tur.br/ecoturismo.asp .
- Existe outra opção de aventura, que é conhecer parte do Sana à cavalo, o aluguel de montarias pode ser feito na Fazenda 3 Marias;
- Se estiver chovendo muito, não vá às cachoeiras e não fique na beira do rio. Já houveram várias mortes por causa de Cabeças D`água no local.
Pousada Cristal do Sana
Estrada Serra-Mar, 6 km
www.pousadacristaldosana.com
0 XX 22 2793 2531 / 9945 1418
Canoar Rafting e Expedições
Estrada Serra-Mar km 7,5
www.canoar.com.br
0 XX 22 2778 1072 / 9825 6391
riomacae@canoar.com.br
Creperia Telektonon
Rua José de Jesus Júnior, 75 Arraial – Sana
Restaurante Alquimia
Rua Principal, esquina com Rua da Glória
0 XX 22 2793 2411
Guia Local Raimundo Motta
0 XX 22 2793 2501
Comentários |
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tamires machado santospostado: 28/11/2008 21:07:50ola, muito bom.também já foi 4 vezes em sana e agora irei voltar de novo.posso dizer que lá é um paraíso. |
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Olá Tamires, Concordamos com você em gênero, número e grau: O Sana è um paraíso mesmo! Visite nosso site e conheça outros destinos de ecoturismo e aventura: Grande abraço, Família Muller |
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laurapostado: 26/11/2008 10:56:10ola vcs tem toda razao e o lugar mais lindo que eu conhecovou a festa de la todo ano amo aquele lugar vamos preservalo para todo o sempre bjs |
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Olá Laura, Obrigado por seu comentário! Visite nosso site e conheça também outras opções de ecoturismo e aventura: www.familiamulleraventura.com.br Grande abraço, Família Muller |
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felianapostado: 19/11/2008 10:49:19adorei ver como é o sana. pena que esqueseram do são bento será que não fas parte?? |
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Olá Feliana, Realmente o Sana tem uma beleza natural incrivel! Não tivemos a oportunidade de conhecer São Bento, vamos nos informar para saber se é lá por perto. Para conhecer outros destinos de ecoturismo e aventura, visite nosso site: www.familiamulleraventura.com.br Um abraço, Família Muller |
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fernanda thomaz gonçalves[maria mendonça]postado: 4/11/2008 10:21:57fui uma x aí e daí me apaixonei pelo lugar...parabéns pelo lugar lindo e preservado... |
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Tem toda razão Fernanda, Sana é um paraíso natural. Obrigado pelo comentário. |
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