30 de Outubro de 2003. Publicado por Família Goldschmidt
Curiosos, né? Acho que vocês acordaram bem cedo e foram direto ao site para saber o que aconteceu ontem a noite. Bem, vou contar.
Descobri que aqui em Porto Velho estão vivendo dois primos meus, o Milton e o Rui.
Conseguimos o telefone deles e nos reencontramos depois de 3 anos.
Foi muito legal. Fomos juntos para uma lanchonete e botamos toda a conversa em dia.
Depois de 6 dias comendo a comida do navio (ou quase isto), me deliciei com um hambúrguer rodeado por batatas fritas e uma pizza brotinho.
Hummmmmmm! Foi um banquete para mente (a conversa) e para o estômago.
Também não contei sobre a estrada de Ferro Madeira- Mámore que fomos visitar ontem. Vou resumir.
No começo do século passado, o Brasil comprou o Acre da Bolívia e se comprometeu a construir um estrada de ferro que escoasse a produção agrícola daquele país, principalmente a borracha.
Foi então planejada uma estrada de 337 quilômetros que transporiam o trecho mais acidentado do rio Mámore e Madeira e que traria os produtos para serem embarcados em Porto Velho.
Depois de muitas tentativas, milhões de dólares gastos e mais de 6 mil trabalhadores mortos, a estrada de Ferro Madeira- Mámore ficou pronta em 1914.
Devido ao alto custo em vidas humanas, foi logo apelidada de Ferrovia da Morte.
Com a queda no preço da borracha, a ferrovia entrou em concordada 4 anos após a sua inauguração e em pouco tempo depois foi abandonada.
Hoje, quase 90 anos depois, a floresta já tomou de volta boa parte do que lhe foi tomado.
Trilhos, máquinas e caixas d’água servem hoje como morada de macacos e tocas de onça.
Uma gigantesca estação e uma enorme oficina estão completamente abandonadas no centro de Porto Velho.
Locomotivas centenárias, tornos e até um guindaste inglês estão ali apodrecendo.
Uma parte da nossa história e de nossa dívida externa entregues ao abandono. Uma vergonha!
As crianças aproveitaram o parque de diversão gigante e brincaram pra valer.
O Erick se encantou com um girador de locomotiva, uma peça engenhosa.
Equilibrando a locomotiva numa espécie de gangorra com trilhos apoiada em um minúsculo ponto central, é preciso somente um homem para mover uma estrutura de dezenas de toneladas e mudar a direção das locomotivas e vagões.
Há também um museu no local, mas infelizmente estava fechado.
Outro ponto interessante de Porto Velho e que mostra toda a opulência do ciclo da borracha são as três caixas d’água de ferro, importadas em kits dos EUA.
Na época, elas custaram uma fortuna e hoje só servem como monumento.
Melhor seria se todo este acervo fosse recuperado e apresentasse ao público de forma organizada o que foi o ciclo da borracha e o desbravamento do estado de Rondônia. E tenho dito!
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