15 de Dezembro de 2003. Publicado por Família Goldschmidt
Saímos de Santa Tereza no final da tarde e por pouco não ficamos isolados.

Há pouco quilômetros da fazenda encontramos uma ponte destruída e um caminhão capotado.

Tudo indica que ele tentou atravessar a frágil ponte de madeira com excesso de peso e a viga não suportou seu peso. O desvio lateral estava cheio de água e lama.

Se não fosse a atração, teríamos que voltar e passar a noite em Santa Teresa.

Obstáculo vencido, começamos a voltar pela Transpantaneira em direção ao seu início, onde fica o Hotel-Fazenda Piuval.

Havíamos sido convidado pelo Junior, o proprietário, para assistir a uma apresentação de dança típica do Pantanal, a dança dos Mascarados.
Nesta dança, trazida séculos atrás pelos portugueses e adaptada pelo índios e pelos pantaneiros, não participam mulheres.
O casal é sempre formado por homens que se vestem, alguns como cavalheiros e outros como damas.
Os rostos são cobertos por uma mascara de tela. A música tocada pela banda de metais é cadência, e neste ritmo eles executam dezenas de danças, cada uma com um passo diferente.
A que eu mais gostei foi a do “Ponte de fitas”, onde em marcha, eles trançam longas fitas coloridas em torno de um mastro.
Durante e após a apresentação, ninguém remove a máscara ou revela seu rosto. Faz parte da tradição manter o segredo.
Descobri também que existe muitas outras tradições européias encravadas na cultura pantaneira, muitas delas de origem medieval.
O Junior me contou que em Junho acontece um festival de Cavalhada, onde o ponto alto da festa é uma luta entre Mouros e Cristãos.
Entre as lutas, são realizadas provas no estilo dos cavaleiros medievais, com lanças, espadas e cavalos.
Espero voltar um dia para assistir a este festival.
Passamos a noite na Pousada Piuval e de manhã fomos conhecer a fazenda.
Tanto esta como a fazenda Santa Teresa, são fazendas tradicionais de criação de gado e pertencem a mesma família há séculos.
Tanto o Marcos (da Santa Teresa), como o Junior (da Piuval) são verdadeiros pantaneiros, homens acostumados à lida no campo e que descobriram no turismo uma maneira de mostrar tudo o que aprenderam com o passar dos anos.
Hoje, além da natureza, eles mostram ao visitante o dia-a-dia de uma fazenda e seus atrativos.
Com o Junior, fomos visitar os pastos e os ninhais de Maguaris. No entanto, o ponto alto da visita foi mais uma vez uma lagoa cheia de Jacarés.
A Sandra foi bem ousada e caminhou no meio deles tentando conseguir uma boa foto.
Com medo de perder a esposa, resolvi seguí-la e protegê-la. Muito heróico de minha parte. (hahahahahaha)
Para falar a verdade, os jacarés estavam bem tranqüilos. Eles estavam com mais medo de nós do que nós deles.
Quem estava feroz e impertinente eram os mosquitos que nos atacavam todo o tempo. Contra eles nem repelente resolvia.
Depois de algumas horas na fazenda Piuval, arrumamos nossas coisas e seguimos para Cuiabá, para encontrar nosso saudoso Pégaso e o Kangoo, que a esta altura já deveria estar pronto.
Foi nesta hora que descobri uma das mais belas facetas do Pantanal Norte.
Eu estava no meio da natureza selvagem, cercado por pássaros e jacarés e dali a duas horas poderia estar no centro de uma capital de estado (Cuiabá), com todas as suas vantagens e facilidades.
Espero que esta proximidade seja sempre uma vantagem para o Pantaneiro e não a causa da destruição de um ecossistema tão rico e impressionante!
Cuidado pessoal!
Fones: (65) 345-1338 / 9983-7425 ou (66) 624-5397
E-mail: pousadapiuval@zaz.com.br
Anaconda Turismo
Fone: (65) 624-4142
Website: www.anacondapantanal.com.br
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