25 de Outubro de 2003. Publicado por Família Goldschmidt
O mais terrível nesta viagem é o calor. Ontem o dia estava encoberto e com algum vento.

Hoje, o sol apareceu forte no céu, sem nuvens e o vento está soprando levemente de popa.

Isto é terrível porque anula o vento de proa causado pelo movimento da balsa. Dentro do Pégaso a temperatura chegou a 40 graus.

Um forno! Se não estamos debaixo de uma carreta aproveitando a sombra, estamos debaixo do PowerClima, colhendo um pouco de vento “menos quente”.

O que passamos de frio na primeira expedição está sendo descontado em calor agora nesta segunda fase.

Já avistamos nas margens muitos jacarés e pássaros. Nas partes mais profundas do rio aparecem botos Tucuxi (cinza) e o famoso boto cor-de-rosa.
Este último é um pouco maior e não tem a barbatana dorsal muito pronunciada.
Parece um animal pré-histórico. Apesar de várias tentativas, não consegui fotografar e nem filmar nenhum. Vou ficar devendo esta.
Outro animal que tem nos visitado, principalmente à noite são os carapanãs, ou melhor, os mosquitos.
Basta o sol se esconder e eles surgem aos milhares. Se não fossem os repelentes já estaríamos reduzidos a ossos secos.
Mesmo protegidos, eles atacam por cima da roupa. A regra é: depois das 6:00h da tarde, nada de ficar fora.
Até a Pepita já aprendeu e fica recolhida e bem quietinha no seu canto. Durante o dia cruzamos com várias outras balsas, muitas delas graneleiras.
Como o rio Madeira é raso e sinuoso, toda a produção agrícola de Rondônia tem que descer pelo rio de balsa até Itacoatiara ou Santarém (PA), para depois embarcar em grandes navios que descem o Amazonas.
O tráfego é bem grande e causa um certo receio ver aqueles enormes comboios de até 6 balsas descendo o rio a poucas dezenas de metros de nós.
Com o tempo, o medo vai sendo substituído pela admiração por estes homens simples e habilidosos que conhecem o rio como a palma das mãos.
Para você ter uma idéia, a nossa balsa (como a maioria delas) não tem qualquer instrumento de navegação a não ser o rádio e obviamente o timão.
Nem radar, nem bússola, nada. Durante a noite, a única ajuda vem de um potente farolete preso acima da cabine.
Com ele, o capitão ilumina as margens e acerta o rumo.
É só isto, um farolete no meio da escuridão da selva. Acho que os marinheiros, junto com as crianças e bêbados, devem ter dois anjos da guarda cada um.
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