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PN Sete Cidades - PI

O parque nacional foi criado em junho de 1961, protegendo uma área de 6.221 ha, com dois ecossistemas distintos, a caatinga e o cerrado.

15 de Setembro de 2005. Publicado por Eduardo Issa  

Um príncipe que vivia numa das cidades do reino se apaixonou por uma plebéia que habitava a cidade vizinha, não satisfeito com o romance, o rei lançou sobre os apaixonados um feitiço que transformaria os dois em lagartos. A rainha que concordava com aquele grande amor, furiosa, lançou um feitiço ainda maior, transformou todo aquele conjunto de cidades em rochas. É claro que esta é apenas uma das lendas que cercam este grande aglomerado de rochas que parecem cidades petrificadas.

Rochedos verticais lembram edifícos em grandes cidades

Rochedos verticais lembram edifícos em grandes cidades
Foto: Eduardo Issa

Tentar desvendar os mistérios que envolvem estas enigmáticas rochas no norte do Piauí é preciso voltar cerca de 400 milhões de anos. Neste período os rochedos sofreram a ação intensa de ventos e de calor, elementos que foram esculpindo verdadeiros monumentos ao ar livre, de formas e tamanhos diferentes, com figuras que parecem esculturas trabalhadas. Os primeiros registros do lugar datam de 1886, quando o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro solicitou a então província do Piauí, informações concretas sobre as `Cidades Petrificadas`.

Iguanas circulam livremente na aridez da vegetação e por entre as rochas

Iguanas circulam livremente na aridez da vegetação e por entre as rochas
Foto: Eduardo Issa

Já o parque nacional foi criado em junho de 1961, protegendo uma área de 6.221 ha, com dois ecossistemas distintos, a caatinga e o cerrado. Esta região do Piauí tem dois climas bem definidos, o período chuvoso e o seco. São eles que definem as cores, os tons das paisagens que envolvem o lugar. Na época das chuvas, cachoeiras como a do Riachão, formam um grande espetáculo de vida e verde, com quedas e poços para refrescar o corpo e a mente. Já no período seco, no lugar das quedas, um grande paredão seco lembra aos visitantes toda aridez da caatinga.

Um orifício aberto pela ação do clima, deixa a luz passar durante o solstício

Um orifício aberto pela ação do clima, deixa a luz passar durante o solstício
Foto: Eduardo Issa

A região, apesar de ainda sofrer com a ação de caçadores, com a criação da unidade, muitas espécies consideradas quase extintas voltaram a freqüentar as árvores do cerrado. Pelas manhãs inúmeras aves como canários, bem-te-vis, gralhas, fazem uma sinfonia matinal,
mostrando que agora estão seguros por ali. A fauna avistável pelos arredores do parque se resume a mocós, cutias, iguanas e muitas aves, com um pouco mais de sorte caititus, raposas e tatus também podem ser vistos.

Área intangível, poderia ser considerada a oitava cidade

Área intangível, poderia ser considerada a oitava cidade
Foto: Eduardo Issa

Nas pinturas rupestres encontradas nas rochas de Sete Cidades, as formas geométricas são marcantes, símbolos repetidos levam a crer que estes moradores tinham uma espécie de calendário e controlavam o tempo de permanência no lugar. Linhas retas, curvas, corpos estelares, sóis radiados, comprovam a influência do sol no cotidiano destes povos primitivos. As pinturas que são de coloração vermelha (óxido de ferro) e amarela (óleo
vegetal) não têm datas comprovadas, estima-se que os vestígios destes povos que passaram pelo norte do Piauí estão entre 5 e 10 mil anos. Há também registros que depois da passagem destes povos, tribos indígenas das etnias Carijó e Tabajara também viveram na região.

As pinturas apresentam formas geométricas e indicadores de calendários

As pinturas apresentam formas geométricas e indicadores de calendários
Foto: Eduardo Issa

Há várias formas de conhecer o parque, a melhor delas é caminhando com um guia local, só assim você vai se interar sobre a história, saber das lendas e causos da região e poder sentir de perto a força da natureza. A bike também é uma boa opção, a infra-estrutura do parque é muito boa, você vai encontrar bikes para alugar com guias e nos atrativos há sempre estacionamentos para as magrelas. Não se esqueça que o sol do Piauí é caldante, portanto leve sempre protetor solar, chapéu e muita água. Os mais acomodados podem ir de carro e levar um guia para ajudar na visita. Depois de algumas cidades, vale muito tomar um banho no Olho d`água dos milagres, um poço de água perene que vai refrescar até a alma.

Vale dizer que o parque está entre os poucos do Brasil que conta com uma boa estrutura para receber visitantes brasileiros e estrangeiros. Hotéis para pernoite, trilhas muito bem sinalizadas, restaurante e guias experientes.
As placas que estão deterioradas serão refeitas com recursos de uma compensação ambiental que estará disponível já no próximo ano. As rochas que lembram ruínas de cidades estão divididas em diferentes localidades e cada agrupamento ficou conhecido como uma cidade, totalizando assim sete. As formações mais interessantes estão na terceira e quarta cidades, mas cada uma tem seu atrativo.

Na área intangível do parque, não aberta à visitação, novos agrupamentos poderiam seguir a numeração, mas
ficaram de fora desta contagem. Entre as rochas é possível identificar com um pouco de criatividade objetos e figuras interessantes como a cabeça de D. Pedro I, a pedra da tartaruga, os três reis magos e muitos outros. Algumas rochas são realmente parecidas com o nome de batismo, outras são mais complexas de serem observadas.

Não importa se você vai perceber e concordar com todas as figuras formadas pelas rochas, algumas são mesmo difíceis de enxergar, o que vale mesmo é poder contemplar a grandiosidade desta região e todo seu valor histórico. Caminhar, pedalar, circular dentre as rochas ou mesmo observar o parque de dentro do carro, faça a sua escolha, de qualquer forma o bom mesmo é ter a
certeza que tudo está protegido e as imagens já vão estar definitivamente esculpidas na sua mente.

Seguindo para o PN de Ubajara

Piripiri

 

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