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PN Serra do Divisor - AC

O único parque do Acre está localizado no extremo oeste do Estado e também se configura como o ponto mais ocidental do território brasileiro.

14 de Junho de 2004. Publicado por Eduardo Issa  

Conhecer os parques nacionais da região norte do Brasil ainda não é uma tarefa muito fácil. O único parque do Acre está localizado no extremo oeste do Estado e também se configura como o ponto mais ocidental do território brasileiro.

Preguiça

Preguiça
Foto: Eduardo Issa

A unidade que ocupa uma área 843.012 ha em cinco municípios, algumas regiões estão à alguns quilômetros do Peru e no seu plano de uso público, considerado um dos mais bem elaborados de todas as unidades, está previsto a abertura de uma estrada que dará acesso à cidade peruana de Pucalpa.

Rio Môa

Rio Môa
Foto: Eduardo Issa

Em Cruzeiro do Sul está a sede provisória do parque e onde são planejadas todas as ações ligadas à unidade. A extração da borracha feita até o início do século XX foi a principal atividade econômica do município. Atualmente, a farinha se tornou o principal produto da economia de Cruzeiro do Sul, sendo considerada uma das melhores da região.

Pescador no Môa

Pescador no Môa
Foto: Eduardo Issa

Para se chegar ao coração do parque, na área norte e onde estão os principais atrativos da região, é necessário uma boa logística e um bom planejamento, pois o acesso só é feito por via fluvial. A opção mais viável é feita a partir do município de Mâncio Lima, distante 45 quilômetros de Cruzeiro do Sul.

Buraco da Central

Buraco da Central
Foto: Eduardo Issa

De Mâncio Lima, dependendo da embarcação e do nível das águas, você chega à base em São Salvador em 4 horas em barco pequeno ou voadeira, ou um dia e algumas horas viajando de baleeira ou batelão, barcos maiores, onde você dorme em redes, curtindo melhor a paisagem.

Cachoeira Formosa

Cachoeira Formosa
Foto: Eduardo Issa

A viagem nos barcos pequenos (canoas) apesar de serem mais rápidas, são mais cansativas e você permanece horas numa mesma posição, sem falar na chuva que pode cair a qualquer momento.

A variação do nível das águas é muito grande, pode chegar a 6 metros a menos no período de seca (junho a setembro) impossibilitando que os barcos grandes naveguem pelo rio. São Salvador é a porta de entrada do parque e faz o controle das embarcações que navegam pelo rio Môa.

Voltando a Mâncio Lima, o primeiro trecho da viagem é feito no rio Japin, um tributário do rio Môa, que desemboca no grande Juruá, o rio mais meândrico do planeta. No rio Juruá, para cada quilômetro percorrido em linha reta, o barco percorre 2,8 quilômetros, é curva que não acaba mais.

Para conhecer a região sul do parque, que ocupa áreas dos municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, há vôos em pequenos aviões que partem do aeroporto de Cruzeiro do Sul de acordo com a demanda de passageiros. O rio Juruá é o outro acesso para a parte sul.

Na verdade, os maiores atrativos da região sul são os municípios, que não tem carros na rua, uma realidade pouco vista nos dias de hoje. A visita à aldeia dos índios Achaninkas, que faz divisa com o parque e é considerada uma das mais organizadas aldeias da Amazônia, é muito interessante, mais deve ser agendada e autorizada com antecedência.

Na região norte do parque, a rústica canoa utilizada pelos moradores é a única opção de se locomover nas águas rasas do rio Môa, chegar às belas cachoeiras e outros pontos turísticos.

O Buraco da Central é obrigatório, trata-se de um buraco aberto pela Petrobrás, que com equipamentos sofisticados constatou uma passagem de líquido no subsolo, mas após a sua perfuração descobrira que o ouro negro era apenas uma fonte de água sulfurosa.

Sorte dos visitantes, que podem tomar um banho nesta água, que está numa temperatura super agradável. Triste é ver os restos dos equipamentos, uma caldeira e um registro, que foram abandonados pela empresa.

A Cachoeira do Pedernal, que está mais para uma corredeira no rio, vale mais pelo caminho, você navega por um cânion com pedras grandes que se desprenderam das encostas formando um cenário de filme. Com 15 minutos de caminhada, cruzando igarapés e passando por cima de troncos caídos se chega à cachoeira do Ar condicionado, uma queda de 8 metros com uma ducha natural, tudo isto bem no meio da mata.

Para conhecer a Formosa, a mais bela cachoeira do parque, é necessário caminhar por cerca de 4 horas num percurso pesado, com subidas, descidas e trechos alagados bem no coração da selva. Os minutos finais são feitos dentro do rio. O ideal é reservar dois dias para a Formosa, só assim você aproveita bem a cachoeira e o caminho.

Pela trilha é possível, com um pouco e sorte, observar diferentes espécies de macaco como o barrigudo e o cara-preta. Antas, veados e uma grande variedade de aves circulam por entre samaumas, castanheiras e palmeiras.

A paisagem que envolve o rio Môa é mutante, dependendo da quantidade de água, praias afloram nas margens abrigando garças, maçaricos e outras aves. Uma caminhada de 20 minutos morro acima leva ao mirante do pé da serra, onde é possível observar as curvas do Môa e também a serra peruana.

De cima você vai perceber que a serra é um “divisor” de águas, que deu origem ao nome do parque. Vale dizer que o parque não está preparado para receber visitantes e qualquer investida é cercada de improviso. Caso você não esteja num barco grande, a hospedagem só poderá ser feita na casa de algum morador solidário, e só assim você vai poder ver e sentir a realidade das pessoas que vivem nos arredores do parque. Leve sua alimentação e um purificador de água (hidroesteril).

Agradecimento especial a RICO linhas Aéreas
Seguindo para o PN da Serra da Cutia

 

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