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PN Serra da Mocidade - RR

A criação do parque ocorreu no ano de 1998, numa área com 350.960 hectares, ocupando uma zona de transição entre dois biomas distintos.

28 de Outubro de 2004. Publicado por Eduardo Issa  

Após passar pelos parques do Amazonas, onde quase todos os acessos dependem de barcos e até aviões, chegar ao Estado de Roraima é uma tarefa um pouco mais simples, mas cheia de surpresas. Logo na entrada do estado uma placa já avisa, Reserva Indígena Waymiri-Atroari, não pare, não desça do carro. A viagem gera um pouco de tensão, tem-se a sensação de que estamos sendo vigiados e a qualquer momento seremos abordados por índios. Na verdade, às vezes, alguns índios circulam por estas bandas, a procura de caça, mas é muito raro observá-los. A estrada tem pouco movimento e não conta com nenhum serviço de abastecimento. Vale uma parada na loja de artesanato indígena, onde estão à venda artigos de cestaria, fibras, todos muito bem trabalhados.

Mirante das Formigas, cuidado com elas

Mirante das Formigas, cuidado com elas
Foto: Eduardo Issa

Depois de algumas horas na estrada, chegamos ao município de Caracaraí, um dos pontos de partida para uma investida na área do parque. A unidade foi constituída após uma doação do Ministério do Exército, de uma região que se caracteriza por uma grande diversidade biológica da Amazônia. A criação do parque ocorreu no ano de 1998, numa área com 350.960 hectares, ocupando uma zona de transição entre dois biomas distintos. Uma boa notícia é que 100 % de sua área estão regularizados, fato que não acontece em muitas outras unidades do país. As grandes florestas encontradas em outras regiões da Amazônia, aqui foram substituídas por áreas alagáveis da bacia do Rio Branco e também com trechos de terra firme sobre rochas Pré-Cambrianas. As grandes serras que formam um cenário único nessa região, são as responsáveis pela origem do nome.

Insetos estranhos comprovam a grande biodiversidade

Insetos estranhos comprovam a grande biodiversidade
Foto: Eduardo Issa

Segundo um antigo morador, seu pai andou por estas terras junto com exploradores, antes mesmo da criação do parque e estes determinados aventureiros diziam que para transpor estas grandes serras só mesmo com muita juventude e mocidade, ficando assim o local conhecido como Serra da Mocidade. Estas enormes formações rochosas, ainda estão longe de serem conquistadas. O acesso é complicado e só é possível contemplá-las de helicóptero, um cenário majestoso.

Geometria da mata

Geometria da mata
Foto: Eduardo Issa

Voltando para terra firme, Caracaraí é a outra forma de se chegar à área do parque, utilizando os acessos fluviais da unidade. Seguindo pela margem direita do rio Branco, são cinco horas navegando até o encontro com o rio Água Boa do Univini. A partir daí, você já está numas das áreas onde poucas pessoas já visitaram e também lar de muitas espécies da fauna e flora do parque. Com barcos maiores, a viagem é bem mais longa, mas em contra-partida você viaja tranqüilo, com uma boa estrutura para alimentação e pouso, protegido das intempéries e ainda pode curtir as belas cores do entardecer e amanhecer. Navegando em silêncio, em barcos pequenos por entre os igarapés, e com o motor desligado, os sons da floresta vêm à tona e aguça os sentidos. Com um pouco de sorte é possível avistar grupos de ariranhas cruzando o rio, observar o vôo harmonioso de aves como a cigana e as peripécias do Martim-pescador, que voa vigilante de um lado para o outro, acompanhando o barco. Raras orquídeas também se hospedam em árvores nas margens do rio e são vistas com freqüência. Navegando pelo Água Boa, também se chega aos pés de uma pequena montanha, onde uma trilha de 1:30 H nos leva ao Mirante das Formigas, e ali se tem uma pequena noção da imensidão desta área. (cuidado o as formigas!) Dois outros rios, o Capivara e o Bacaba serpenteiam os limites do parque e também proporcionam belas imagens. No primeiro, o encontro das águas, é um espetáculo imperdível. No segundo, navegar em pequenos barcos, por entre árvores e plantas aquáticas, te leva a uma viagem única em contato com locais que estão totalmente alheios a presença humana.

Mutum

Mutum
Foto: Eduardo Issa

O parque ainda não tem sede e nem qualquer infra-estrutura para receber visitantes. Todo contato é feito através do escritório central do Ibama, que fica em Boa Vista. Segundo Inara Santos, chefe da unidade, as incursões na área do parque exigem uma grande logística e são de alto custo, mesmo assim elas estão sendo intensificadas pelos novos e antigos funcionários, para que em breve se tenha muitas outras informações sobre este tesouro, que se caracteriza por ser um dos ambientes mais ricos em biodiversidade da região Norte.

O cenário majestoso da Serra da Mocidade

O cenário majestoso da Serra da Mocidade
Foto: Eduardo Issa

Seguindo para o PN do Monte Roraima

 

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