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PN Serra da Cutia - RO

Criado em agosto de 2001, o parque conta com uma área de 283.611 ha e está localizado no município de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia.

1 de Julho de 2004. Publicado por Eduardo Issa  

Escolha o caminho: terra, água ou mesmo ar, qualquer que seja a sua escolha, chegar nos limites do Parque Nacional Serra da Cutia vai ser uma tarefa cara e complicada. Os acessos à unidade ainda estão selvagens e algumas regiões nem foram percorridas pelos funcionários.

Pôr do sol no rio Mamoré

Pôr do sol no rio Mamoré
Foto: Eduardo Issa

Criado em agosto de 2001, o parque conta com uma área de 283.611 ha e está localizado no município de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia. Os melhores acessos são sempre por via fluvial e podem partir da cidade de Costa Marques ou de Guajará-Mirim, onde está a sede provisória do parque.

Bichos estranhos

Bichos estranhos
Foto: Eduardo Issa

Há perspectiva de que uma sede seja construída em Surpresa, um pequeno distrito de Guajará, nas margens do rio Mamoré.

Macaco Preto

Macaco Preto
Foto: Eduardo Issa

O parque, juntamente com as Reservas Extrativistas Federais Barreiro das Antas e Rio Cautário, ambas criadas recentemente, tem como característica principal compor o mosaico de unidades de conservação do Corredor Ecológico Binacional Guaporé/Itenez-Mamoré, fechando uma lacuna com cerca de 466.873 ha, que anteriormente eram terras do exército.

Dificuldades no Rio Sotério

Dificuldades no Rio Sotério
Foto: Eduardo Issa

A pequena Serra que dá nome ao parque, tem seu ponto mais elevado com apenas 525 metros e faz parte do domínio dos Planaltos Residuais do Guaporé (arenitos), sendo uma das últimas partes elevadas da Serra dos Uopianes, tornando-se um importante elemento paisagístico na região amazônica, onde predominam os terrenos com menos de 100m de altitude.

Suíte da Selva

Suíte da Selva
Foto: Eduardo Issa

A nossa investida foi feita através de Guajará e durante o percurso de 4 horas de voadeira, (termo usado para um barco de alumínio com motor rápido) até Surpresa, foi possível observar belíssimas cenas de aves como o cabeça seca, maçaricos, biguás e muitos outros se saciando com a grande quantidade de peixes na boca do rio Sotério.

Nas margens bandos de macacos saltitam curiosos em cima de nossas cabeças. Falando em macacos, posso afirmar que este foi o parque onde pude observar a maior quantidade e raças diferentes no mesmo local.

Macaco de Cheiro, Guariba, Macaco-preto e o sapeco prego freqüentam as árvores do parque movendo-se velozmente atrás de alimentos. Alguns parques você precisa de um pouco de sorte para vê-los, mas aqui é possível ver sem muito esforço.

Já em Surpresa, a vida caminha em outro ritmo, e andando pelas ruelas deste pequeno distrito, encontramos gente simples e que não troca este lugar por nada. Aqui os únicos veículos são dois tratores que funcionam como coringas, ou seja, fazem a carga e descarga de tudo que vem pelo rio, mantimentos, móveis, transportam o óleo diesel para o gerador, e até levam doentes até o barco.

O parque abriga nascentes importantes do estado de Rondônia como as dos rios Cautário e Sotério, que se caracterizam por serem de águas rasas e livres de fontes poluidoras. O rio Sotério é conhecido como rio Negro pelos moradores dos arredores devido a sua tonalidade escura.

Utilizamos o rio como via de acesso ao parque e percorremos grandes trechos por horas, entramos em igarapés sempre em busca de um barreiro, local procurado por antas, pacas, cutias e outros bichos que se alimentam com um tipo de lama rica em sais e ouros nutrientes.

Por ser um local ainda virgem, é necessário estar preparado com moto-serra e facão para desobstruir o caminho, troncos enormes caem pelo leito sem aviso prévio, bloqueando totalmente a passagem.

Quando paramos para desobstruir o caminho, com um pouco de atenção, você observa estranhos insetos, microorganismos que vivem em folhas, troncos, flores e que só são descobertos com o olhar atento.

As aranhas estão em todos os lugares, quando o barco atravessa folhagens uma enorme variedade delas cai no interior do barco, todas assustadas, inofensivas, e sem saber como foram parar naquele novo ambiente.

Um piloteiro experiente e que entenda também de motor é outro item obrigatório. Em caso de quebra do motor, não se preocupe, o socorro mais próximo não vai chegar nunca, é tentar consertar o motor ou remar e remar mesmo.

Mesmo com todas as dificuldades, é extremamente valioso percorrer e conhecer lugares como este, onde a natureza se mostra nua e crua, regiões de difícil acesso, que só assim irão garantir a sobrevivência de inúmeras espécies da Amazônia.

Uma boa notícia é que a unidade foi criada dentro do contexto do Projeto ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia, e conta com recursos que ajudaram a concluir o Plano de Manejo que está em fase final, só assim o parque poderá ser devidamente explorado por pesquisadores, que poderão contar num futuro próximo com alojamentos e laboratórios para desenvolvimento de pesquisas.

O potencial científico da unidade é enorme, mas é claro que os visitantes aventureiros também poderão desvendar os mistérios desta região ainda selvagem no norte do Brasil, sempre com um item imprescindível na bagagem, o espírito de aventura.

Seguindo para o PN Pico da Neblina.

 

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