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PN do Pico da Neblina - AM

O Pico da Neblina é o ponto culminante do nosso país e também está inserido num dos maiores parques do Brasil, com cerca de 2.200.000 ha de área.

20 de Julho de 2004. Publicado por Eduardo Issa  

O Pico da Neblina é o ponto culminante do nosso país e também está inserido num dos maiores parques do Brasil, com cerca de 2.200.000 ha de área.

Linha do Equador

Linha do Equador

Estes títulos ainda são poucos para descrever tanta magnitude. Quem visita os parques da região Norte, vai notar rápido que o PN do Pico da Neblina, criado em 1979, também é complexo se chegar, porém é um dos mais emocionantes.

Habitante da Trilha

Habitante da Trilha
Foto: Eduardo Issa

As emoções já começam a caminho de São Gabriel da Cachoeira, uma pequena cidade às margens do Rio Negro. Se o visitante utiliza o transporte aéreo vai ter a chance de sobrevoar Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do planeta.

Luzes difusas do amanhecer

Luzes difusas do amanhecer
Foto: Eduardo Issa

Caso ele siga por via fluvial, levará mais tempo mais pode contemplar Anavilhanas navegando no majestoso Rio Negro, que corta e recebe afluentes de todos os cantos. A cidade de São Gabriel está a 900 km da capital Manaus e por ter acesso complicado torna o custo de vida elevado.

Acima das nuvens

Acima das nuvens
Foto: Eduardo Issa

A maioria da população é formada por militares que fazem a vigilância e protegem as fronteiras brasileiras com a Colômbia e a Venezuela e também por povos indígenas que vivem nos arredores do município. Um dado impressionante desta área é a quantidade de etnias indígenas numa só região, são 22 segundo a FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro - o maior índice do Estado do Amazonas.

Entardecer no Pico da Neblina

Entardecer no Pico da Neblina
Foto: Eduardo Issa

Falando em povos indígenas, este assunto tem prejudicado os interessados em atingir o topo do Brasil. Atualmente uma medida jurídica proibiu temporariamente a entrada de visitantes na região do parque, que tem sua área sobreposta à terra dos índios Yanomamis.

Esperamos que as autoridades cheguem a um consenso em relação ao parque para que a sua visitação seja normalizada e os turistas possam desfrutar destas paisagens únicas do teto do Brasil. Por estar realizando este trabalho, conseguimos autorização para a subida e foi possível registrar imagens fascinantes.

Nossa expedição tem início numa estrada de terra de 80 quilômetros, com trechos de lama que são necessários o uso de veículos tracionados(4x4). No meio do percurso, uma parada obrigatória, a estrada é cortada por uma pequena faixa de concreto que indica que estamos cruzando a linha do Equador.

Na seqüência, deixamos o carro e seguimos de voadeira pelos rios Iamirim e Cauaburis, respectivamente, até atingirmos o Igarapé Tucano. A partir daí é mochila nas costas e pé na estrada. São 36 quilômetros de caminhada divididos em 3 etapas, com cerca de 12 km cada uma.

É subida que não acaba mais, saímos praticamente de 100 metros de altitude, para atingirmos os 3.014 metros do Neblina. Pessoas que não estão acostumadas a caminhar normalmente desistem no segundo dia.

Branco, o mais experiente guia local, já subiu o Pico 33 vezes e relata que vários turistas estrangeiros já desistiram no início. Por este motivo atualmente ele só leva as pessoas se estiver acompanhado de um outro guia. Branco diz que assim, estando com um grupo, se alguns desistem, um guia fica e o outro continua a expedição, deixar o turista sozinho é muito perigoso.

Nosso grupo era composto de 7 pessoas, sendo 2 analistas ambientais do parque. O grupo foi bem homogêneo e todos andaram praticamente no mesmo ritmo, facilitando o trabalho de todos. Um dos guias vai sempre um pouco adiante para ir preparando o acampamento.

As caminhadas são em ambientes diversos, como as florestas tropicais densas e com grande umidade da parte baixa, um jardim de bromélias já nos trechos acima de 1.500 metros e o lamaçal negro quase no acampamento base, que em alguns momentos chegam até o joelho. O som sutil da mata de repente é interrompido por um casal de araras em busca de alimento, rara beleza nestas alturas.

A seqüência de paradas é a seguinte: Igarapé Tucano, Cachoeira do Tucano, Bebedouro Velho, Bebedouro Novo, Acampamento Base e Cume. Normalmente o percurso total é feito em 8 dias, 4 dias de subida, 1 dia no cume e 3 dias de retorno.

O último dia é o mais complicado, subidas íngremes e paredões rochosos precisam ser vencidos com ajuda de cordas e muito fôlego. Algum descuido pode resultar em acidente e sair daqui machucado não é uma tarefa simples.

Tenho certeza que este foi o maior esforço físico que já fiz desde que iniciei este projeto, e talvez em toda minha vida de aventureiro, ainda mais que subi o pico levando todo o meu equipamento de foto e vídeo, inclusive o tripé, e não utilizei carregadores locais.

Estou certo de que todo o meu esforço foi compensado com as imagens registradas no caminho e a 3.014 metros de altitude. O frio foi intenso e a sensação térmica pior ainda, mas as luzes do entardecer e do amanhecer, naquele que é um os lugares mais inóspitos do Brasil, jamais irão sair da minha mente. Se você está pensando em chegar ao Pico da Neblina, ligue para a unidade antes de programar a sua visita, mas jamais desista deste sonho que vai marcar sua vida.

Seguindo para o PN do Jaú

 

Comentários

 
 

renata

 postado: 8/9/2008 11:10:51

Quantos parques nacionais existem em nosso pais.


 
 

marie

 postado: 4/9/2008 16:49:37

Oi

Queria montar uma expedicao para o pico da Neblina.
Conheceria alguem quem organiza ?
Qula seria o preco ?


 
 
 

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PN do Jaú - AMPN Serra da Cutia - RO

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