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PN Cabo Orange - AP

A criação do parque ocorreu em 1980 e ocupa uma área de 619.000 hectares, com uma extensa faixa litorânea que chega a 200 km e ainda ocupa mais 10 km mar adentro.

15 de Fevereiro de 2005. Publicado por Eduardo Issa  

Um extenso braço de terra vindo do interior da floresta amazônica se debruça no mar do extremo norte do Brasil. Este cabo, situado num ponto estratégico da América do Sul, já foi muito disputado e já passou pelas mãos de espanhóis, ingleses, franceses, portugueses e holandeses e só no século XIX, numa corte internacional na Suíça, ficou estabelecido como fronteira do Brasil. O Cabo já teve outros nomes como São Vicente, Cecil, La Corda e por fim Orange, o nome que perdura até os dias de hoje.

Dança das Marés nas margens do Rio Cassiporé

Dança das Marés nas margens do Rio Cassiporé
Foto: Eduardo Issa

Estamos falando do Cabo Orange, que pertence e dá nome a um dos parques nacionais do Estado do Amapá. O nome ficou estabelecido em 1625, sendo uma homenagem a Casa Real Holandesa. A cor orange (laranja), com o passar dos anos se converteu em símbolo da Holanda. Atualmente os holandeses estão distantes dali, o Rio Oiapoque que deságua no mar naquele ponto, é a fronteira entre Brasil e a Guiana Francesa, um pedaço da França na América do Sul.

Muita lama em busca das melhores fotos

Muita lama em busca das melhores fotos
Foto: Eduardo Issa

A criação do parque ocorreu em 1980 e ocupa uma área de 619.000 hectares, com uma extensa faixa litorânea que chega a 200 km e ainda ocupa mais 10 km mar adentro. Com estas dimensões, não é difícil perceber a importância desta região, pois a grande faixa de litoral é coberta por manguezais, que servem como berçário para uma quantidade enorme de peixes e aves que vivem nesta região.

O Cabo Orange dá nome ao Parque e atrai garças, colhereiros e muitas outras aves

O Cabo Orange dá nome ao Parque e atrai garças, colhereiros e muitas outras aves
Foto: Eduardo Issa

No Cabo Orange, um farol que deveria estar orientando os navegadores está abandonado e se deteriorando, merecia uma boa reforma devido à importância do lugar. Segundo alguns pescadores, o farol ajuda bastante quando se navega por aquelas bandas durante a noite. Com o ciclo das marés e o sobe e desce das águas, milhares de aves circulam pelas margens do cabo em busca de alimento. No céu, o balé de garças, colhereiros, guarás e maçaricos fazem um grande espetáculo de cores voando de um lado para o outro em busca do melhor banquete. A harmonia é total, um verdadeiro santuário para inúmeras espécies que encontram ali um abrigo seguro e farto para se alimentarem. Partindo da margem, em direção ao interior da floresta, a temida onça pintada já foi vista por muitos moradores, junto com ela queixadas, pacas, cutias e toda fauna típica da Amazônia.

Os guarás colorem o céu da unidade

Os guarás colorem o céu da unidade
Foto: Eduardo Issa

A região entre o rio Oiapoque e o rio Cassiporé, ainda é muito pouco explorada e segundo os responsáveis pelo parque, é possível que pela grande diversidade destas florestas, algumas espécies ainda sejam desconhecidas e não tenham registros científicos. O rio Cassiporé além de dividir o parque em duas partes abriga em suas margens as comunidades de Vila Velha e Taperebá. Estas comunidades não podem utilizar água do rio pela alta concentração de lama, uma espécie de “café com leite”, e toda água utilizada pelos moradores é proveniente da chuva.

Uma grande extensão de mangue está protegido com a criação do parque

Uma grande extensão de mangue está protegido com a criação do parque
Foto: Eduardo Issa

Atualmente há uma grande preocupação para que estas comunidades possam desenvolver projetos sustentáveis em parceria com o Ibama e apoiado por algumas ongs, para que o parque seja preservado e não sofra com a ação destes moradores. Em algumas áreas dezenas de búfalos são facilmente avistadas pastando em pleno parque. Pequenas roças que só tendem a crescer também contribuem para esta degradação.

Segundo Marcos Cunha, chefe do parque, reuniões com os moradores destas comunidades ajudam na conscientização e deixam clara a posição do Ibama no sentido de esclarecer o verdadeiro papel de um parque nacional. Nos lugares por onde passei posso dizer que o parque tem uma grande vantagem, seus acessos são complicados, normalmente por via fluvial, isto facilita a fiscalização, que é feita com freqüência nos arredores da unidade.

A Vila de Taperebá, onde está a casa de apoio do parque, serve também como base para pescadores e suas embarcações que vêm em grande parte do norte do Pará e também do próprio Amapá e passam a noite nas casas da vila. Esta é outra ameaça ao parque, pois alguns pescadores não respeitam os limites da unidade e pescam em áreas proibidas, são multados e acabam tendo toda sua pesca apreendida. Apesar destes problemas, o Parque Nacional do Cabo Orange ainda permanece quase que intacto, pois tanto no interior das grandes florestas como nas faixas de litoral, observado de cima através de um sobrevôo quase nada foi mexido.

A variedade de ecossistemas dentro da unidade impressiona, são manguezais, restingas, estuarinos, campos inundáveis, florestas e até pequenas porções de cerrado, cada um exercendo seu papel nesta intrigante engrenagem da vida. Dentre estes ecossistemas, os manguezais são os de maior importância, pois servem de refúgio e alimentam aves, répteis, mamíferos, crustáceos e muitos outros.

Muitas espécies circulam livremente e estarão salvas da ação humana por muito tempo, fazendo com que o parque continue um verdadeiro santuário no extremo norte do Brasil, preservando onde a Amazônia encontra o mar.

Seguindo para o PN do Tumucumaque

 

Comentários

 
 

maria eduarda

 postado: 21/8/2008 16:58:59

Parabéns por deixar essas fotos aí, deu para estudar bastante pois sou biologa e cientista.

Adorei os trabalho, muito parabéns, mais tente pegar melhor imagens


 
 
 

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