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Centro de Mamíferos Aquáticos - Projeto Peixe-boi / IBAMA

Orgulho, satisfação e esperança, este são os sentimentos que temos quando visitamos o Centro de Mamíferos Aquáticos, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco.

20 de Dezembro de 2005. Publicado por Eduardo Issa  

Orgulho, satisfação e esperança, este são os sentimentos que temos quando visitamos o Centro de Mamíferos Aquáticos, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco.

Orgulho de ver uma instituição séria e que é genuinamente brasileira. Satisfação, de ver que há pessoas desenvolvendo trabalhos sérios em nosso país e finalmente esperança, de que espécies ameaçadas de sumir do planeta voltem a viver em paz onde sempre viveram antes da interferência humana.

Logo na entrada já é possível constatar a boa estrutura, muito bem montada e que já coloca os visitantes a par do histórico de luta dos primeiros biólogos, pesquisadores e voluntários realizando trabalhos voltados à preservação de espécies seriamente ameaçadas de extinção como as tartarugas marinhas, as baleias e os peixes-boi, o mais ameaçado deles. Falando nestes dóceis animais, o peixe-boi-marinho conta atualmente com uma população estimada em apenas 500 indivíduos, concentrados no litoral nordeste, entre as regiões do Cabo Orange, no Amapá e as águas claras de Alagoas. Esta população ainda sofre com a ocupação desordenada da costa que promove a falta de habitat adequado para a sua sobrevivência, refletindo no alto índice de encalhes de filhotes registrados anualmente. A situação se agrava ainda mais em função do lento ciclo reprodutivo e da distribuição irregular da espécie em nosso litoral.

Na verdade pouca gente sabe, mas há 4 espécies de peixes-boi no planeta, no Brasil são encontradas apenas duas destas espécies, o peixe-boi-da-amazônia e o peixe-boi-marinho. As diferenças entre eles são sutis, o marinho apresenta unhas nas nadadeiras lembrando uma pata de elefante, seu tamanho pode chegar a 4 metros e seu peso pode atingir 500 quilos. A textura do seu corpo é áspera e um tipo de lodo protege sua pele de queimaduras solares. Estes animais circulam por águas costeiras, rios e estuários e possuem pêlos no corpo que auxiliam no controle da direção das marés. Já o outro parente, o peixe-boi-da-amazônia, pode medir até 2,8 metros, suas nadadeiras são alongadas e seu corpo é liso e cinzento, apresentando uma mancha esbranquiçada no peito. São encontrados nos estuários e rios da Amazônia. Tive a oportunidade de mergulhar e registrar imagens das duas espécies e confesso que o amazônico é mais calmo e mais dócil que o marinho.

No projeto Peixe-boi os visitantes podem observar de perto estes simpáticos indivíduos, os únicos mamíferos aquáticos exclusivamente herbívoros e que desempenham um importante papel na cadeia alimentar marinha. O trabalho dos funcionários do centro é exemplar, o cuidado com indivíduos jovens é intenso, alguns recebem 4 mamadeiras diárias, que vão sendo retiradas gradativamente à medida que eles crescem. As mamadeiras são confeccionadas com leite a base de soja, que não contém lactose, substância nociva a estes mamíferos. Com dois anos de vida, um peixe-boi é considerado jovem e toma quase um litro de leite em cada mamada, 4 vezes ao dia. O cuidado com os filhotes e adultos demanda muita atenção, troca de água, limpeza de tanques, colocação de tendas de proteção contra o sol, são inúmeras tarefas para que toda engrenagem funcione.

A competência da Doutora Jociery, veterinária responsável, e de outros funcionários dedicados, contribui para que os animais que chegam ao centro debilitados, ou mesmo os filhotes encontrados abandonados ou separados das mães, tenham uma ótima reabilitação e possam ser reintroduzidos ao habitat natural ao longo do litoral do nordeste. Vale ressaltar também o valioso trabalho dos profissionais membros do REMANE, (Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Nordeste) que produziu o primeiro Protocolo de Conduta para Encalhes de Mamíferos Aquáticos, um produto técnico que irá auxiliar professores, estudantes e os interessados no assunto.

A Ilha de Itamaracá, local onde está situado o projeto, apresenta belas paisagens, praias paradisíacas e alguns ícones da cultura brasileira como o Forte Orange e também umas das igrejas mais antigas do Brasil, locais que valem a visita. Na maré baixa, um mergulho na bancada de corais é imperdível.

De qualquer forma, se você estiver passando pelo litoral de Pernambuco, não deixe de conhecer o Projeto Peixe-boi do Ibama, pois afastar estes animais da extinção é um trabalho longo e difícil, portanto, quanto mais pessoas e instituições envolvidas, maiores são as chances de sucesso. Vamos fazer a nossa parte avisando o Ibama de encalhes e de animais abandonados, e também visitando os centros de pesquisas, sempre apoiando e prestigiando as instituições ligadas à preservação.

Seguindo para o PN do Catimbau - PE

 

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