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Jalapão – Parque Nacional da Serra das Confusões

Saímos de Mateiros com destino a Cristino Castro, no Piauí, a cidade que tem o segundo maior lençol freático do mundo. As condições das estradas nos impediram de chegar ao nosso destino e acabamos pousando em Redenção da Gurguéia, no hotel Redenção da D.

6 de Janeiro de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Saímos de Mateiros com destino a Cristino Castro, no Piauí, a cidade que tem o segundo maior lençol freático do mundo. As condições das estradas nos impediram de chegar ao nosso destino e acabamos pousando em Redenção da Gurguéia, no hotel Redenção da D. Maria do Carmo – simples, mas muito acolhedor e com uma comida deliciosa.

De Mateiros para a Transpiauí, tivemos que desviar da Serra do Uruçuí. Segundo informações locais a estrada estava intransponível. Esta época do ano é considerada de inverno por aqui devido às chuvas fortes e constantes. Então demos a volta pelos projetos agrícolas regionais (plantações sem fim de soja e milho) e saímos na estrada que liga Coaceral, já no noroeste da Bahia, à Transpiauí.

Passando pelos projetos agrícolas, antes de chegar ao asfalto, pegamos uns 40km de alagamento. A Toyota mostrou-se valente e, a cada saída d´água, agradecíamos ao nosso mecânico Fábio Fukuda, da Fukuda Motorcenter pelos ajustes e revisão na caranga. Mas o pior estava por vir.

Quando chegamos à Transpiauí, pegamos mais ou menos 30km de estrada boa e depois 90 km de quebradeira, da pior estrada que já vimos. Com asfalto esburacado, a estrada torna-se muito, mas muito pior que qualquer estrada de terra ou areia que já havíamos pego nesta expedição. Ficamos praticamente o dia todo para vencer quase 200km.

A Transpiauí também é chamada de “Rodovia da Miséria”, pela pobreza da população que a margeia. As crianças ficam na beira da rodovia, jogando terra nos buracos e esperando esmolas dos viajantes. Um espetáculo curioso e lamentável.

A Serras das Confusões
Quando se está na Serra, tem-se a sensação de estar num ambiente pré-histórico, jurássico, devido à formação das pedras que compõem a Serra das Confusões e a sua caatinga sem fim (e verde).

A estrada que a atravessa é aberta na rocha e traz subidas bastante íngremes e trechos detonados pela erosão. Porém, todo o esforço que se faz para chegar às Confusões é válido. A sensação de estar ali é revigorante e o visual vale qualquer esforço.

No alto da serra tivemos o prazer de conhecer o famoso Salão, onde duas enormes pedras se sobrepuseram formando um verdadeiro salão coberto por pedras. Curiosamente, o calor das confusões foi amenizado pelo ar condicionado natural do Salão.

Leve protetor solar, tênis para subir as pedras (chinelo pode atrapalhar sua movimentação), paciência para conviver com as mutucas vorazes e muitos filmes na máquina.

O Parque Nacional
Criado há poucos anos, a Serra das Confusões é um dos Parques Nacionais mais novos do país. Ele não possui infraestrutura alguma, vigilância ou guias especializados. Na Serra, não é difícil achar inscrições de turistas cretinos que não têm a menor noção de onde estiveram. A entrada do Parque é por Caracol, uma simpática cidadezinha de uns seis mil habitantes. O diretor do parque é um engenheiro agrônomo morador de Caracol.

O Caminho
Como viemos por Cristino Castro, acabamos entrando pela saída do Parque. Por ali, até se chegar à Serra, passamos por vilarejos de uma miséria alarmante. Guaribas, um vilarejo cuja pobreza arde os olhos, tem visita prometida pelo nosso novo presidente. Que venha mesmo e traga sua equipe e ministros para ver que o Brasil é bem diferente das salas ar-condicionadas do Planalto Central!

Depois de passarmos por Brasília dois dias antes da posse e ver o carro que Lula iria desfilar no primeiro dia do ano, dá uma sensação estranha encontrar vilarejos como Capim, Cuçai e Guaribas pelo nosso caminho.

Onde ficar
Em Caracol, fique no Hotel São Bento, na praça central da acolhedora cidadezinha. A diária vale R$ 7,00 e o Prato Feito (honestíssimo, por sinal) vale modestos R$ 3,50. Aqui, você também vai curtir tomar banho de caneca. Em Caracol, poucas são as habitações que têm água encanada. Tome também uma cachacinha com seu Iron, o dono do hotelzinho.

Agora, estamos a caminho da Serra da Capivara e depois, finalmente, praia. Vamos curtir o reggae de S. Luís do Maranhão, 700km à frente.

Até mais.

São Raimundo Nonato

 

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