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Chapada dos Veadeiros - Jalapão

Imagine o que é chegar numa cidade e ter, como principal atração, saltar da ponte que passa por cima do rio Ponte Alta (que dá nome à cidade, na divisa entre os Estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia). Agora, imagine que este salto é de quase 13m e

4 de Janeiro de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Imagine o que é chegar numa cidade e ter, como principal atração, saltar da ponte que passa por cima do rio Ponte Alta (que dá nome à cidade, na divisa entre os Estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia). Agora, imagine que este salto é de quase 13m e que o prefeito da cidade mandou construir um trampolim para facilitar os saltos. Imaginou? Pois você acaba de Chegar ao Jalapão.

Aqui, tudo vale a pena e, para não dizer que tudo vale muito a pena, as atrações turísticas podem distar até 100km umas das outras. Isso tudo em veículo 4X4 corresponde a algumas horas dentro do carro.

Mas eu disse incômodo e já me corrijo. A paisagem que você vê passar pela janela é deslumbrante. A vegetação, que ainda traz muito do cerrado que encontramos na Chapada dos Veadeiros e por todo Goiás, é salpicada por chapadas, serras e, acreditem, dunas que quebram o horizonte sem fim. E, na maioria do trajeto, você não vai encontrar uma viva alma – salvo, se der sorte, animais da fauna local, como veados catingueiros, cachorros do mato e etc.

Entrando por Ponte Alta, seguimos rumo a Mateiros e acabamos por não conhecer a Gruta Suçuapara e a Pedra Furada. Seguimos por aproximadamente 60km e, ao invés de seguirmos para Mateiros, pegamos o rumo da Pousada do Jalapão para visitarmos a cachoeira da Velha – uma bela cachoeira que se parece com uma mini Foz do Iguaçu, batizada pelo grupo de Iguaçuzinha. Esta cachoeira é de propriedade da pousada e como estava escurecendo, pensamos em pousar lá mesmo.

Só pensamos. O estabelecimento oferece toda a infraestrutura para os turistas que fazem muita questão do conforto – e deve ser mesmo uma beleza ficar ali. Digo “deve ser” porque a diária da Pousada do Jalapão é de salgadíssimos R$110,00 por cabeça. Dá pra encarar? Pra nós não. Seguimos adiante e pode apostar, foi a melhor escolha.

A uns 60km da Pousada do Jalapão, próxima ao Rio Novo, vive Dona Maria, seus filhos e suas galinhas(e quantas!!!). Ela vive do artesanato de Capim Dourado e faz, entre tantos produtos, bolsas e chapéus lindíssimos. Além do artesanato, Dona Maria não faz cerimônia em deixar viajantes acampar em frente a sua casa e ao colégio. É um excelente terreno para armar o barraco, só não se distraia e monte sua barraca em cima do cemitério que fica bem ao lado da casa.

Acordamos cedo, tomamos um belo banho no Rio Novo e seguimos viagem. Havíamos lido em revistas renomadas e depoimentos de outros expedicionários, que Mateiros era a cidade com a maior infraestrutura do Jalapão. Doce, quente, esburacado e escuro engano. Mateiros é uma cidade menor que Ponte Alta e não tem nada. Tudo aqui é difícil, mas ainda assim, dá pra se virar numa boa.

Há duas pousadas só para pouso na cidade com preços de R$13,00 – com choro, fica R$10,00. Nenhuma pousada serve rango, mas a comida fica por conta da Dona Rosa, que vive na cidade há muitos anos. Caseira e deliciosa, o prato é feito no fogão à lenha (o gás aqui, como tudo em Mateiros, é caro e os moradores usam lenha para cozinhar economizando) e, enquanto tiver gente chegando com fome, D. Rosa não perde o sorriso e faz o que for possível para os visitantes.

23 km para frente de Mateiros encontramos duas atrações de cinema. Uma delas é o Fervedouro. Trata-se de um lago, com muita areia, onde a água brota da terra. E é impossível afundar nele, pois a água constantemente empurra quem estiver ali para cima. Pode pular, afundar, mergulhar, o que for. O Fervedouro é, como disse um dos Mamelucos, “à prova de caldo”.

Ao lado do Fervedouro fica o outro espetáculo do lugar: a Cachoeira da Formiga. É indescritível sua beleza. A água é cristalina e você pode ver as pedras no fundo. O mergulho é obrigatório e o lugar se parece com a Lagoa Azul, aquela mesma do filme paradisíaco. É um passeio imperdível!

Agora, são quase 10 da noite em Mateiros. O clima é quente e daqui da pousada da Dona Cristina dá pra ouvir o forrozinho rolando no clube aqui ao lado. É pra lá que vamos, nos preparando para amanhã nos aproximarmos da Serra das Confusões no Piauí. Até lá.

Dicas Jalaponas: acampar no Jalapão é uma grande viagem. Há campings selvagens e outros nem tanto – como os da Cachoeira da Formiga e da Cachoeira do Vicente. As pousadas são poucas e em todos os passeios, salvo as Dunas, são cobradas taxas que vão até R$3,00. É indispensável trazer roupa de banho e protetor solar. Para quem se irrita com insetos, é bom ter sempre um repelente a tira colo. O artesanato local, baseado em produtos de Capim Dourado, está presente em todas as casas e os preços variam de R$4,00 (porta copo) a R$ 60,00 (bolsa). Mas é claro que os preços caem com a pechincha. E, para finalizar, quando passar por Mateiros, não deixe de provar a comida da D. Rosa. É só perguntar para qualquer pessoa da cidade onde ela mora. Aqui em Mateiros, todo mundo se conhece.

Alto Paraíso de Goiás São Jorge Ponte Alta do Tocantins

 

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