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Florianópolis a Porto Alegre, o final da primeira etapa!

Escrevo este boletim do hotel de Porto Alegre aonde chegamos há poucas horas.Foi muito emocionante para mim chegar no Gasômetro, área do porto que foi transformada em lugar de lazer. Em fevereiro, voltando do Aconcagua vim a Porto Alegre para obter inform

24 de Setembro de 2002. Publicado por Manoel Morgado  

Escrevo este boletim do hotel de Porto Alegre aonde chegamos há poucas horas.Foi muito emocionante para mim chegar no Gasômetro, área do porto que foi transformada em lugar de lazer. Em fevereiro, voltando do Aconcagua vim a Porto Alegre para obter informações sobre a Lagoa dos Patos e perguntando para os amigos aqui me disseram que o Gasômetro seria o local ideal para a chegada em Porto Alegre e também a saída para a parte de caiaque.

Divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul, depois do sufoco uma foto na primeira parada!

Divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul, depois do sufoco uma foto na primeira parada!
Foto: Dedé Ramos

Hoje, muitos meses depois, muitos treinos, muito trabalho de organização, muitas alegrias, estou novamente aqui depois de ter cumprido a primeira etapa da travessia, de São Paulo a Porto Alegre de bicicleta, exatos 1256 km de muita diversão, mas também de muito esforço, muita dor e muito vento contra.

Saídada cidade de Cidreira, muito frio logo cedo...

Saídada cidade de Cidreira, muito frio logo cedo...
Foto: Dedé Ramos

Então, vou contar um pouco como foram esses últimos 4 dias de Florianópolis até aqui...

Manoel e Kubi, se despedem do Atlântico e agora seguem rumo ao Pacífico

Manoel e Kubi, se despedem do Atlântico e agora seguem rumo ao Pacífico
Foto: Desé Ramos

Saímos de Florianópolis com chuva e frio depois de uma noite gelada.A previsão dizia que iria chegar a 3 graus a noite e a impressão que deu é que realmente fez isso mesmo.A estrada piorou muito e entrou um vento sul que iria nos acompanhar até Porto Alegre.Neste dia ele estava particularmente forte, nós que vínhamos fazendo uma média de 29 km/hora sem muito esforço, lutávamos para manter 23.
As descidas eram como retas, as retas como subidas e as subidas eram como um suplício.A estrada virou pista única e o acostamento era extremamente irregular, deixando a pedalada ainda mais pesada.

Paisagens arenosas de praia vão dando lugar a muito verde pelo caminho...

Paisagens arenosas de praia vão dando lugar a muito verde pelo caminho...
Foto: Dedé Ramos

Pela primeira vez senti realmente que precisava de toda minha disposição e garra para continuar pedalando e não querer parar e esperar até que as condições melhorassem.Aí estava a diferença entre uma viagem de bicicleta e um desafio.
Tínhamos um cronograma a seguir, uma data para chegar em Porto Alegre e uma meta de 150 km/dia.Não queríamos quebrar isso na primeira dificuldade, mas a tentação foi muito forte.E,Resistimos!
Após o almoço foi ainda mais difícil sair do restaurante debaixo de um super toró e seguir pedalando.Desde de que começamos o dia, sabíamos que não conseguiríamos cumprir os 150 km e que teríamos de compensar nos dias seguintes, mas fizemos o máximo que conseguimos.
Devido ao frio que congelava as mãos e prejudicava nossa concentração eu acabei batendo na roda traseira da bici do Assis e cai levando comigo o Kubi que estava logo atrás. Por sorte não vinha nenhum caminhão ou carro atrás de mim! Ralei-me um pouco e o Kubi também, mas nada sério, apenas um aviso de que a situação estava realmente crítica.
As 16:30, encharcados, exaustos e gelados resolvemos parar.Tínhamos feito apenas 83 km..
No dia seguinte o tempo estava lindo, um céu azul sem uma nuvem, um típico dia de inverno, mas o vento continuava o mesmo, forte e contra.Seguimos pedalando o dia todo sempre com um grande esforço, mas sem a chuva e sem o frio conseguimos fazer 130 km. Psicologicamente estávamos testando toda a nossa determinação.

Surpresa...um infindável e lindo tunel de pinheiros acompanham os atletas no caminho à Porto Alegre!

Surpresa...um infindável e lindo tunel de pinheiros acompanham os atletas no caminho à Porto Alegre!
Foto: Dedé Ramos

A próxima etapa foi muito mais fácil, pois a estrada melhorou muito. Atravessamos a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul e saímos da BR 101 e pegamos a Estrada Inter Praias que liga Torres a Cidreira. Bom acostamento, sem caminhões e creio que também já estávamos mais acostumados com o vento e com a média horária baixa. Também a paisagem melhorou bastante e com isso o dia passou muito mais tranqüilo.
Eu também tinha uma grande motivação extra, a Celina estava em Tramandai me esperando para passar 3 dias comigo.Fizemos 178 quilômetros e a moral subiu consideravelmente. Com exceção de 2 pneus furados na bici do Kubi nada de mal aconteceu.

Dormimos em Cidreira, uma gostosa cidadezinha de praia e hoje tivemos um dia curto, de apenas 119 quilômetros e estávamos na frente do Rio Guaíba prontos para começar a próxima etapa. Ou quase prontos, pois ao checar o caiaque descobrimos duas rachaduras no casco devido ao transporte no carro. Essa era uma preocupação que tínhamos desde o começo, pois o caiaque tem um pouco mais de 6 metros de comprimento e o apoio no carro é razoavelmente pequeno.Ficamos um pouco chateados, mas acho que esse tipo de coisa é quase esperado em um projeto desta envergadura.

Vamos levar agora o caíque para consertar e esperamos poder estar na água dentro de dois dias. Vamos aproveitar este tempo para organizar os mantimentos e fazer uma pequena viagem de reconhecimento até Mostardas, uma pequena cidade às margens da Lagoa dos Patos que usaremos como apoio na viagem de caiaque.
Então teremos 3 noites na mesma cama o que é uma coisa rara nessa travessia. Uma parada até que bem vinda...

Porto Alegre marca então o fim da primeira etapa e o começo da parte mais desconhecida para nós. Nem eu nem o Kubi temos grande experiência em caiaque oceânico e isso torna a próxima parte da travessia uma aventura ainda mais saborosa. Mal posso esperar para começar!

 

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