22 de Abril de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem

Quati
Foto: Chico Balboni
A Reserva Ecológica Particular Parque do Zizo está encravada na Serra de Paranapiacaba. São 257 hectares, localizados a 32 quilômetros de São Miguel Arcanjo, sul do Estado de São Paulo, no entorno do Parque Estadual Carlos Botelho, o que soma 37.644 hectares de Mata Atlântica preservada, o maior remanescente contínuo desta Floresta no Brasil.
Um lugar de fazer cair o queixo de biólogos, ambientalistas, ecoturistas ou qualquer pessoa que ouça um pouco da sua história, contada pelos principais idealizadores do parque, os irmãos de Zizo.

Amanhecer no Parque
Foto: Chico Balboni
A idéia da criação do parque surgiu de uma família que desejou preservar a vida, fazendo perpetuar em memória Luiz Fogaça Balboni, o Zizo, estudante da escola Politécnica da USP, morto aos 24 anos em luta contra o Estado, em setembro de 1969.
A partir dos recursos da indenização do governo às famílias de vítimas do regime militar na época da Ditadura, os Fogaça Balboni decidiram investir na ajuda à preservação de um importante corredor ecológico.

Cogumelo amarelo
Foto: Camila Pianca
Hoje a Reserva está em uma luta burocrática para tornar a área uma RPPN, já estruturada para receber ecoturistas e interessados em pesquisa científica. `Há dois anos, só o que podíamos avistar em meio à Floresta Primária existente aqui eram palmiteiros; hoje, graças à nossa presença, as jaguatiricas, bugios, mono-carvoeiros, macacos prego, antas, quatis, entre outros, vivem dando as caras!` - diz Chico Balboni, responsável pelo planejamento e manutenção das trilhas e do parque no geral.
Após 30 anos sem saber o que havia acontecido ao certo com Zizo, a família estava atrás de alguma explicação. O dinheiro da indenização surgiu e acabaram encontrando uma forma de homenagear Zizo, garantindo a existência de muitas e muitas vidas. A Natureza agradece!

Chegando no Parque
Foto: Marcelo Maestrelli
Chegamos na cidade de São Miguel Arcanjo, a 76 km de Sorocaba, que possui apenas 30.000 habitantes, dentre os quais aproximadamente 18.000 vivendo na cidade. São Miguel não está no caminho de lugar algum, desta forma, a cidade conservou-se pequena, não possuindo qualquer infra-estrutura para o turismo.

Vista
Foto: Chico Balboni
Encontramos parte da família Fogaça Balboni e, muito bem recebidos, fomos conduzidos ao carro apropriado para seguir viagem até o Parque. Foram 24 km até a Fazenda OK (Fazenda de Pinus), até onde os carros de passeio conseguem chegar; a partir daí, foram 8 km de Off-road até a entrada do parque, onde a estrada acaba. Depois da porteira, só mata; não há energia elétrica e o celular não pega. O paraíso para nós, paulistanos `zuretados`!
No caminho, fomos conversando com Chico Balboni, que nos contou a envolvente história da criação do Parque e a dedicação de todos os envolvidos no projeto.- `No início, tivemos muitos problemas com a invasão de palmiteiros. Hoje eles nos respeitam mais; a intenção,o no futuro, é proporcionar emprego para que substituam a caça e a extração de palmito, aproveitando o conhecimento que eles possuem do mato` - diz Chico que, em sua adolescência, costumava caçar. Atualmente, usa o bom olho e percepção no mato para mostrar a fauna em extinção para os turistas. `Hoje minha arma é a máquina fotográfica`.
Depois de conhecer a sede, os quartos, o bom gosto da área de convivência e tomar um cafezinho, começamos nosso passeio por uma trilha até o mirante, distante 2600 km da sede. De lá seguimos para a Lagoa da Loira, um excelente ponto para tomar banho e receber uma massagem nas costas com a pressão da água gelada.Em seguida, fomos para a Cachoeira Fita Branca, que em algumas quedas soma 200 metros de água corrente, forte e belíssima. Lá, ficamos sentados em uma enorme pedra, ideal para assistir ao show das águas, tomar um lanche e passar um bom tempo agradecendo aos céus por estar ali, muito astral!

Cachoeira Fita Branca
Foto: Claudia Silveira
Na volta, a subida é bem puxada, fomos a partir do famoso princípio: Devagar e Sempre!
O passeio levou o dia todo, fomos aproveitando, fotografando e nos deslumbrando com o aspecto da Floresta Primária:,desde as árvores absurdamente altas aos detalhes milimétricos dos fungos coloridos e pequenos animais.

Fungos na Mata
Foto: Claudia Silveira
À noite, com a fogueira acesa, as tochas iluminando apenas o essencial, os sons da natureza acompanhados pelo violão de uns hóspedes, deliciamo-nos com a comida caseira de Jorge, o cozinheiro oficial do parque, e muita conversa e histórias que a família Balboni tem de sobra para contar.

Pau oco
Foto: Marcelo Maestrelli
Acordamos com o despertador local: passarinhos avisando que vinha a chuva, e então a própria. Na Floresta Atlântica, é muito comum chover, por isso a mata fica tão exuberante, com brilho, e até facilita para avistar animais.

Trilha quebra cabeça
Foto: Marcelo Maestrelli
Desta forma, nem pensamos em desmarcar nossos passeios e, logo após o café, fizemos a Trilha do Pau Oco, com um total de 2300 metros de ida e volta. Saímos da sede em direção a um grande Jatobá, e de lá ao chamado Pau Oco, que é, na verdade, uma antiga Figueira gigantesca, que hoje está oca por dentro, mas ainda firme e forte, hospedando diversas formas de vida como bromélias, e acredita-se que é também utilizada como toca. Estas trilhas já eram bem diferentes das que fizemos no dia anterior, devido ao grande número de Taquaras e matéria orgânica no solo.

Poço dos monos
Foto: Claudia Silveira
A volta deste passeio foi por dentro do Rio Quebra Cabeça e do Córrego Comprido. Ficamos impressionados com o chão de areia dourada e Jorge, o guia, nos contou que já encontrou vestígios de garimpeiros nas margens do rio. Com os pés na água, voltamos até a trilha da ida.
Após o almoço, fizemos a Trilha da Barra de 1500 metros, que é o caminho para chegar ao encontro do Rio Tapera com o Rio Ouro Fino, formando um só rio: o Pedro Vaz.

Banho na Lagoa da Loura
Foto: Claudia Silveira
No caminho, encontramos uma perereca e um camaleão. Subimos então por dentro do Rio Tapera por 200 metros até o chamado Poço dos Monos, que recebe esse nome por recentemente ter sido avistada nele uma família de 9 macacos.

Cachoeira do Ouro Fino
Foto: Camila Pianca
Desistimos do banho, já que estava um pouco frio e, sentados para observar a cachoeira, notamos dois novos amigos na perna do Marcelo: carrapatos! Após a operação caça-carrapato, voltamos até a Barra, mudando o trajeto da volta para o Rio Ouro Fino, onde pudemos visitar a Cachoeira de mesmo nome - haja água nesta terra!
Íamos subindo pela trilha de 1200 metros para retornar ao início, sempre paralelos às demais quedas da cachoeira. Estava muito lindo, e bem puxado também, cada subidinha!

Off Road
Foto: Marcelo Maestrelli
Já de volta, era hora de nos aprontar para mais um Off-road de volta a São Miguel Arcanjo.
Encantados com os aspectos naturais da reserva, com o projeto do parque, a história da missão que envolveu toda uma família, e vendo um sonho tornar-se real e tão benéfico à todas as partes envolvidas, não tínhamos palavras para descrever o que sentíamos ao assinar o livro de visita.
Enfim, partimos, certos de voltar para conhecer outras trilhas que o parque possui e para acampar no mirante, onde há estrutura para os afins. Vamos nessa? Vale a pena!
APAZ (Associação Parque do Zizo)
http://www.parquedozizo.com.br
(15) 3279-4285
reserva@parquedozizo.com.br

Claudia e Marcelo
Foto: Divulgação
Leve repelente.
As roupas ideais são: calça comprida; camiseta velha; tênis ou, de preferência, bota para molhar sem problemas; casaco, pois costuma esfriar à noite.
Programe-se para aproveitar a viagem e visite o Parque Estadual Carlos Botelho.
Não há estabelecimentos por perto para comprar remédios ou lanche, portanto, previna-se. Não é necessário, porém, preocupar-se com o essencial. O parque possui equipamentos de primeiros socorros e oferece uma alimentação deliciosa.
O parque oferece instalações rústicas e aconchegantes, hoje são três chalés com acomodação para 4 pessoas cada. O banho é demais, muito bom mesmo. Além disso, pode-se acampar, tudo mediante a reserva.
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