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Pico dos Marins - SP/MG

Localizado na divisa São Paulo - Minas Gerais, é um dos pontos mais altos da região sudeste – ou melhor, do país: atingindo 2422 metros acima do nível do mar, ocupa o nono lugar em altura na classificação nacional.

12 de Agosto de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

Aos pés do Pico dos Marins: tudo branco

Aos pés do Pico dos Marins: tudo branco
Foto: Mônica Canejo

Era para ser uma subida ao topo do Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira, um dos mais altos da região sudeste. Mas a chuva e a neblina atrapalharam nossos planos. Mas, ecoturista que se preze, não dispensa um bom passeio, mesmo com chuva. Ainda mais numa região tão bonita, cheia de cachoeiras e belas paisagens serranas. Para completar, a farta comida mineira quase transformou nossa viagem em um “tour gourmet”. E comprovamos que trilha e ecoturismo não precisam ser sinônimo de miojo e tang...

Por São Pedro!

As imponentes araucárias marcam a paisagem serrana

As imponentes araucárias marcam a paisagem serrana
Foto: Mônica Canejo

Quem disse que São Pedro colaborou? Já na saída da capital paulista, na sexta-feira à noite, a garoa foi chegando e tomando conta de tudo e mostrando que não seria fácil alcançar nossa meta, o Pico dos Marins. Localizado na divisa São Paulo - Minas Gerais, é um dos pontos mais altos da região sudeste – ou melhor, do país: atingindo 2422 metros acima do nível do mar, ocupa o nono lugar em altura na classificação nacional.

Cachoeira das bicas

Cachoeira das bicas
Foto: Mônica Canejo

No sábado pela manhã, já em Delfim Moreira, MG, não foi diferente. Tempo nublado e com chuvisco. Mesmo assim, ninguém estava disposto a desistir. No grupo, alguns já tinham tido o prazer de conhecer o Pico dos Marins. Um dizia que veio, mas não pegou sol. Outro, já tinha perdido as contas das vezes em que subira...

As estradas estavam ruins e foi preciso dar um grande volta para chegar ao início da subida. A paisagem do caminho prometia: eram as chamadas terras altas da Mantiqueira, com morros, muitas araucárias e riachos. A fumacinha saindo pelas chaminés das casas, os pés de amora, os pássaros...Tudo indicava que seria um ótimo dia. Mas, chegando ao ponto onde deveríamos começar nossa caminhada, olhávamos pra cima e tudo o que podíamos ver era branco.

Arriscamos os primeiros passos. A neblina ficava cada vez mais densa e o vento cada vez mais frio. Quando começou a chover – 10 ou 15 minutos mais tarde - ficou decidido que era melhor esperar no abrigo até o tempo melhorar.

Cachoeira da trilha

Cachoeira da trilha
Foto: Mônica Canejo

Enquanto tomávamos um cafezinho para esquentar, um grupo de rapazes que descia do pico nos trouxe más notícias. Quanto mais alto, pior estava o tempo. Muito vento, muita chuva e, é claro, muito frio. Foi assim que terminou nossa escalada ao Pico dos Marins, com um cafezinho quente, fraco e muito doce.

Marmelada

12-	Igreja matriz de Marmelópolis

12- Igreja matriz de Marmelópolis
Foto: Mônica Canejo

Abortar a subida ao topo do Pico dos Marins deixou todo mundo um pouco decepcionado. Talvez até um pouco triste. Mas nada que um bom tutu à mineira não resolva! Na falta de montanha pra subir, seguimos até Marmelópolis para almoçar.

13-	Marmelos importados: estes vieram do Uruguai

13- Marmelos importados: estes vieram do Uruguai
Foto: Mônica Canejo

Pequena e encravada no pé da Serra, Marmelópolis é uma cidade simpática e acolhedora, de pouco mais de 3 mil habitantes. O nome é fácil de entender, já que toda a região já foi grande produtora de marmelos. Você não conhece marmelo? É uma fruta amarela, com formato que lembra uma maçã ou uma pera. Não é consumida ao natural, mas fica ótima em compotas e doces em tabletes.

Foi por isto que, depois de bem almoçados, saímos em busca de quem nos vendesse um bom doce. Não foi difícil. Ali mesmo, no centro da cidade, fica a casa de seu Zequinha. Cabelos bem alinhados, sorriso fácil, seu Zequinha mostrou a fruta, os doces e até o tacho onde eram cozidos. E que ficasse bem claro: o que ele vendia era o doce de marmelo. O outro, feito nas fábricas, é que era marmelada. O sorriso irônico indicava o trocadilho.

Na saída, depois de experimentar o doce, quase todo mundo levou um pacotinho para casa. Afinal, como vir a uma cidade chamada Marmelópolis e não comprar um doce de marmelo? “Aventuras” assim é que fazem uma viagem valer a pena.

O presidente Delfim Moreira

Na Fazenda Boa Esperança, cachoeiras e clima rural

Na Fazenda Boa Esperança, cachoeiras e clima rural
Foto: Mônica Canejo

Marmelópolis é um nome fácil de entender. Mas, quem é o homenageado de uma cidade que se chama Delfim Moreira? Bem, em 1918, o advogado mineiro Delfim Moreira foi eleito vice-presidente na chapa de Rodrigues Alves. Como Rodrigues Alves já estava doente, com gripe espanhola, nem chegou a assumir o cargo. Enquanto não ocorria nova eleição, o presidente interino da república foi o próprio Delfim Moreira. Menos de um ano depois, ele deu lugar a Epitácio Pessoa, eleito pelo voto direto.

A pacata Delfim Moreira

A pacata Delfim Moreira
Foto: Mônica Canejo

Já o município de Delfim Moreira, assim como Marmelópolis, teve seu auge durante o período em que se produzia marmelo na região. Na década de 1940, chegou a ser considerado o maior produtor mundial e foi sede das fábricas da Cica, Peixe e Colombo. Mas, aos poucos, as plantações foram definhando, sofreram com pragas, falta de incentivo, falta de estrutura...

Enfim, as fábricas acabaram se mudando e hoje os belos marmelos que você encontra na cidade vêm de fora, quase sempre do Uruguai ou da Argentina. Mas, antes mesmo disto, a vocação inicial da cidade já parecia ser o turismo. Dizem que ainda no século XIX, o Barão de Bocaina, o proprietário de muitas terras em toda a região, teve a idéia visionária de transformar o local em uma estação climática.

Clima para isto não faltava. O friozinho da serra convida para um bom sossego e, até hoje, o ar puro é um atrativo que todos percebem logo que chegam.

Mas o projeto do barão não vingou exatamente em Delfim Moreira. A cidade que acabou tornando-se referência em estância climática em São Paulo acabou sendo a vizinha Campos do Jordão.

Delfim Moreira, atualmente com cerca de 8 mil habitantes, começa agora a redescobrir sua vocação turística. Além de servir de base para quem pretende subir o Pico dos Marins, a cidade também conta com a bela paisagem, típica de quem tem o privilégio de estar no alto da Serra da Mantiqueira. Araucárias, matas, rios e cachoeiras. Muitas cachoeiras. E foi atrás delas que fomos no domingo.

Água fresca

Fazenda Boa Esperança

Fazenda Boa Esperança
Foto: Mônica Canejo

Cachoeira das Bicas, Cachoeira da Boa Esperança, Cachoeira da Esmeralda, Cachoeira das Tias, Cachoeira Formosa... Na fazenda Boa Esperança, seguimos por uma trilha que acompanhava o rio e sua seqüência de quedas, cada uma querendo ser mais bonita. Foram cerca de 40 minutos pela mata, num caminho não muito difícil.

Xaxins, orquídeas e bromélias faziam parte deste cenário ainda pouco tocado pelo homem. E não é que, apesar do frio quase congelante, teve quem entrasse na água? Talvez fosse uma penitência para o pecado que iríamos cometer em seguida: o da gula!

Afinal, assim como a chuva dificultou a subida do Marins, o frio inibiu o banho nas piscinas formadas em cada cachoeira. Nos restou a inigualável comida mineira: vaca atolada, feijão, farofinha... E truta grelhada, criada ali mesmo na fazenda. A sobremesa, como bem merecíamos, foi doce de leite.

Fazenda Boa Esperança

Fazenda Boa Esperança
Foto: Mônica Canejo

Já era fim de tarde quando começamos a voltar para a capital paulista. Uma viagem, onde não houve subida do Pico dos Marins, não houve muita diversão nas piscinas naturais, não houve céu azul. Mesmo assim, ninguém parecia triste, ninguém parecia decepcionado. Ao contrário, todos pareciam empolgados com os próximos planos: voltar ao Pico dos Marins!

1-	A  cor é linda, mas não caia em tentação: a amora azul não é comestível.

1- A cor é linda, mas não caia em tentação: a amora azul não é comestível.
Foto: Mônica Canejo

Até o fim de agosto, o período das chuvas fortes não começou. Teríamos quase um mês. E talvez até realizar a travessia Marins-Itaguaré, com pernoite nos picos. E podíamos passar por outras cachoeiras, por outras fazendas, por outras trilhas...Ufa! Mas, desta vez, esperamos contar com a contribuição generosa de São Pedro.

Dicas da Autora

- Ecoturista de verdade sabe, a chuva faz parte do ciclo natural. Portanto, nada de reclamar, o negócio é manter os olhos atentos para o que há de melhor na paisagem. Mesmo que ela esteja molhada.

- Na região das chamadas Terras Altas da Mantiqueira, como é de se esperar, faz frio. Muito frio! Não deixe de levar touca, luvas e capa de chuva.

- Nem pense em ir a Marmelópolis e não comer doce de marmelo. Você pode até não gostar muito, mas vale pelo valor simbólico.

Serviços

Namaste
www.namastenatureza.com.br
(11) 6955-0886
9242-9250

 

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