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São Sebastião/SP - Os tesouros da Serra do Mar

Cerca de 103 km das mais belas praias do litoral paulista estão compreendidos em São Sebastião, onde os praticantes de esportes náuticos, como o surf e o windsurf, encontram as condições ideais para a sua prática.

28 de Dezembro de 2005. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

Passeio de Escuna em Ilhabela - Praia do Curral

Passeio de Escuna em Ilhabela - Praia do Curral
Foto: Gustavo

Cerca de 103 km das mais belas praias do litoral paulista estão compreendidos em São Sebastião, onde os praticantes de esportes náuticos, como o surf e o windsurf, encontram as condições ideais para a sua prática - notadamente na freqüentadíssima Maresias.

Mas as atrações turísticas desse histórico Município - incrustado entre o Atlântico e os paredões íngremes que separam a faixa litorânea do Planalto -, não se limitam às suas areias e às águas do mar.

Rapel guiado na Cachoeira da Pedra Lisa

Rapel guiado na Cachoeira da Pedra Lisa
Foto: Gustavo

Com 84% de seu território ocupado pelo Parque Estadual da Serra do Mar, São Sebastião oferece ao visitante deslumbrantes paisagens: o verde das florestas, que integram as mais variadas espécies de nossa flora, aliado aos mangues e rios com suas águas cristalinas, constituem impressionante cenário - e um permanente convite aos amantes do ecoturismo e dos esportes de aventura.

Integrando, A convite da Sport Spirit Brasil e da Aventura Mata Atlântica, a equipe EcoViagem esteve em São Sebastião durante um fim-de-semana, repleto de natureza e aventura.

Tesouros de São Sebastião

Toque Toque Pequeno

Toque Toque Pequeno
Foto: Diogo Tisaka

Quem mora na Grande São Paulo, e deseja refazer suas energias em contato com a Natureza, não precisa ir muito longe: São Sebastião, no Litoral Norte do Estado, não fica longe de São Paulo e oferece excelentes opções em ecoturismo e esportes de aventura.

A 220 km da capital paulista, a cidade é envolvida por generosas porções da Mata Atlântica, onde estão muito bem representados, um após outro, seus mais belos tesouros ecológicos, incluindo trilhas, cachoeiras, piscinas naturais e até uma reserva indígena (a do Rio Silveira), talvez a mais antiga do Estado, habitada por índios Guaranis que ainda lutam para manter vivos os seus costumes.

Pousada Aparas

Pousada Aparas
Foto: Michaela

A equipe EcoViagem saiu de São Paulo na sexta-feira, por volta das 21h00. Depois de enfrentar uma semana inteira de dias cinzentos, frios e carrancudos na cidade, fomos presenteados ao chegar em São Sebastião com um céu estrelado e um clima quente e agradável.

Pouco depois da meia-noite, chegamos a Toque-Toque Pequeno, na costa sul de São Sebastião, que tempos atrás abrigava uma aldeia de pescadores - e transformou-se hoje em local de veraneio, com casas e condomínios horizontais, sem muros de separação entre suas unidades.

Hospedamo-nos na Pousada Aparas, junto à Praia de Toque-Toque Pequeno.

Fomos recebidos pessoalmente por seus proprietários, os irmãos Oliver e Michaelle, que nos acompanharam em todas as nossas atividades em São Sebastião.

Primeiro dia

A bela Trilha do Ribeirão de Itú

A bela Trilha do Ribeirão de Itú
Foto: Michaela

Levantamo-nos às 8h, tomamos um excelente café-da-manhã na pousada e saímos para um dia de sol, lindo, de céu azul e uma agradável brisa. Nosso destino era o local de encontro com o pessoal da Sport Spirit Brasil e AMA Brasil - Aventuras Mata Atlântica, operadora receptiva que nos guiaria em nossas atividades.

Cachoeira da Pedra Lisa

Cachoeira da Pedra Lisa
Foto: Diogo Tisaka

Começamos com um alongamento, orientados por um de nossos guias, Nairton, antes de percorrermos a Trilha do Ribeirão de Itu. Na oportunidade, o guia dissertou sobre o Parque Estadual da Serra do Mar, que é protegido por lei ambiental, mencionando detalhes quanto à flora e a fauna dominantes na região, assim como sobre a reserva indígena.

Pedra Lisa (chegada do rapel)

Pedra Lisa (chegada do rapel)
Foto: Diogo Tisaka

Com pequeno grau de dificuldade, a trilha é percorrida durante cerca de 30 minutos de caminhada dentro da mata até a Cachoeira da Pedra Lisa, que tem 50 metros de altura. Durante o percurso, pudemos observar diversas plantas que os índios utilizam como condimento, no preparo de alimentos, ou com a finalidade de cura, no tratamento de doenças.

O guia também chamou nossa atenção para a formação do solo, característico da Mata Atlântica, pelo processo da Serra Pilheira. A trilha das Cachoeiras do Ribeirão de Itu é longa - tem extensão de 8,2 km e duração média de percurso de 6 horas, ligando Salesópolis a Boiçucanga - mas só chegamos até a Pedra Lisa. Ao chegar à cachoeira, deparamo-nos com um riacho com piscinas naturais, constituindo um belíssimo conjunto, com grande volume de água e ideal para nadar.

Pedra Lisa (saída do rapel)

Pedra Lisa (saída do rapel)
Foto: Diogo Tisaka

No local, todos os preparativos já estavam prontos para fazermos o nosso primeiro rapel, que sabíamos ser de pequeno grau de dificuldade - mas que, de qualquer modo, iríamos encarar com um certo temor de marinheiros de primeira viagem; era grande nossa expectativa. Quando nos vimos suspensos apenas por uma corda a uma altura de 50 metros, no primeiro momento, sentimos medo de despencar; mas, em seguida, confiantes nos guias Humberto e Marcelo, que nos acompanhavam e orientavam na descida, todo nosso temor foi largamente compensado pela euforia de termos conseguido vencer o desafio.

Mirante Toque Toque Pequeno

Mirante Toque Toque Pequeno
Foto: Diogo Tisaka

Voltamos pela mesma trilha e retornamos para a pousada, onde tomamos um rápido lanche. De lá seguimos, também a pé, pela praia de Toque-Toque Pequeno, até o início da trilha que percorreríamos, até o paredão no qual seria feito, no mesmo dia, o nosso segundo rapel. Toda em subida, no meio de um setor de mata mais fechada, a trilha se torna mais difícil e exaustiva; entretanto, nosso cansaço foi compensado pela maravilhosa vista que descortinamos ao chegar no alto. Ficamos fascinados pela imensidão do mar, claro e límpido, refletindo o azul do céu.

Mais uma vez, tudo estava pronto para o rapel. Só que agora era ainda maior nossa apreensão: olhando para baixo, através da água, enxergávamos nadando no mar, entre as pedras, tartarugas... Mas não víamos o paredão ao longo do qual faríamos a descida - em um trecho estreito, entre o morro e o precipício. Presos à corda e com todo o equipamento de segurança, assim que iniciamos a descida pudemos entender porque de onde estávamos não se podia ver a parede: quase todo o trajeto era feito `em negativa`, sem qualquer apoio para os pés... Adrenalina pura - visual deslumbrante!

Costão de Toque Toque Pequeno

Costão de Toque Toque Pequeno
Foto: Diogo Tisaka

Em baixo, deitamo-nos sobre uma pedra esperando nos recuperar da emoção da aventura, ao mesmo tempo em que apreciávamos a paisagem que descortinava à distância, bela e mágica. Depois, mesmo com a volta sendo possível também pela trilha, retornamos pela encosta.

Ao chegar novamente à praia de Toque-Toque Pequeno, mesmo cansados, sentimos que a aventura abrira nosso apetite, e nos dirigimos ao Restaurante Hybisco, bem próximo à pousada, onde nos foi servido um delicioso prato, especialidade da casa: peixe com banana. Já passava das 21h00 quando nos recolhemos à pousada, para uma mais do que merecida repousante noite de sono.

Segundo dia

Cachoeira de Calhetas

Cachoeira de Calhetas
Foto: Diogo Tisaka

No segundo dia em São Sebastião levantamo-nos também às 8 horas. E tomamos, na Pousada, um reforçado café-da-manhã, antes de sair em direção à Cachoeira de Calhetas, onde faríamos um cascading de 90 metros. Assim como no sábado, o tempo no domingo estava excelente e fazia um calor ainda maior.

O emocionante cascading

O emocionante cascading
Foto: Diogo Tisaka

Quando chegamos a Calhetas, os guias Humberto e Carlos já nos aguardavam com tudo pronto para a atividade. No local, olhando para cima, chegamos a pensar que não reuniríamos coragem suficiente para realizar a descida... A altura era muito maior - três vezes o equivalente à do paredão pelo qual descêramos no sábado - e agora teríamos de percorrê-la pela cachoeira. Entretanto, o desejo de superação e a empolgação venceram o medo. Esta foi a mais tranqüila e prazerosa das três - devido inclusive a uma certa experiência adquirida nas duas anteriores; e, sem qualquer dúvida, graças à forma competente e simpática como se portaram os nossos guias, fazendo com que nos sentíssemos, permanentemente, em segurança.

Depois da descida, dirigimo-nos à praia - e, para nos descontrair ainda mais, nadamos. Calhetas constitui uma pequena península, repleta de pedras e areias brancas. Dotado de exuberante vegetação nativa, o local, paradisíaco, é estritamente residencial.

Ilha de Toque Toque Pequeno

Ilha de Toque Toque Pequeno
Foto: Diogo Tisaka

Voltamos para a Pousada a tempo de apreciar, da praia do Toque-Toque Pequeno, o sol se pondo no infinito, por sobre o Oceano. Para quem visitar o local, fica a dica: ali, o pôr-do-sol é um espetáculo imperdível! Depois de um churrasco servido na pousada, preparamos as coisas para o nosso retorno. Após a despedida, deixamos a maravilhosa São Sebastião rumo a capital, com a certeza de voltarmos muitas vezes.

Serviços

Sport Spirit Brasil Turismo
www.sportspiritbrasil.com.br
(11) 3722-2533
reservas@sportspiritbrasil.com.br

Aventura Mata Atlântica - AMA Brasil
www.amabrasil.com
(12) 3865-7863
humberto@amabrasil.com

Pousada Aparas
www.pousadatoquetoquepequeno.com.br
(12) 3864-9117
3864-9666
info@pousadatoquetoquepequeno.com.br

Dicas das autoras

Leve mais que um calçado (de preferência tênis, com solado anti-derrapante), pois você vai molhar os pés no percurso das trilhas e fazendo o cascading.

Tenha na mochila um repelente para se proteger dos borrachudos durante as trilhas, filtro solar e roupas de banho.

 

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