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Canion Guartelá/ PR - O gigante da natureza

Cortado pelo Rio Iapó, que separa as duas cadeias de montanhas formando fendas muito altas e sinuosas, o cânion oferece um visual impressionante aos seus visitantes, além de ótimas opções de caminhadas e esportes radicais.

8 de Abril de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

Cânion do Guartelá

Cânion do Guartelá
Foto: Henrique Sato

Com 32 quilômetros de extensão, o Cânion do Guartelá é o sexto maior do mundo. Cortado pelo Rio Iapó, que separa as duas cadeias de montanhas formando fendas muito altas e sinuosas, o cânion oferece um visual impressionante aos seus visitantes, além de ótimas opções de caminhadas e esportes radicais.

Paredão do Cânion

Paredão do Cânion
Foto: Henrique Sato

A região é protegida pelo Parque Estadual do Cânion do Guartelá, onde destaca-se também a rica vegetação, que mistura samambaias e xaxins típicos da Mata Atlântica, cactos só encontrados na Caatinga, arbustos tradicionais dos Banhados, as araucárias e ipês-amarelos característicos das Florestas de Araucárias, além de pequenas áreas de cerrado.

A convite da operadora Andaluzs Turismo Ecológico, saímos de São Paulo no dia 28 de fevereiro com destino à cidade de Castro, no Paraná, para visitar o cânion e seus arredores durante os próximos 4 dias.

Primeiro dia

Chegada na Cachoeira

Chegada na Cachoeira
Foto: Henrique Sato

São 7 horas de viagem a partir de São Paulo, o que nos deixa bem cansados para as atividades do dia seguinte. A chegada em Castro aconteceu de madrugada, por volta das 5 horas da manhã, no Hotel Buganville, onde fomos muito bem instalados em confortáveis apartamentos. Algumas horas de sono, um bom banho e um farto café da manhã foram suficientes para recarregar nossas energias e começar as atividades.

Pegamos estrada rumo à cidade vizinha de Tibagi, onde fica o centro de visitantes do cânion, que se localiza entre as 2 cidades. Assistimos a um vídeo de apresentação da região e já pudemos ter uma boa idéia do que nos aguardava nos próximos dias. De lá, fomos visitar a cidade, suas praças, igrejas e museus, que contam as histórias do garimpo e das famílias tradicionais da região.

Salto Santa Rosa

Salto Santa Rosa
Foto: Henrique Sato

Depois do almoço, a programação era o Salto Santa Rosa, uma linda cachoeira com 60 metros de altura e um grande poço delicioso para banho. A chegada na cachoeira tem um visual belíssimo da queda d`água aparecendo por detrás das árvores, o que já provocou mais ansiedade em todos do grupo para chegar logo ao poço.... Ficamos várias horas ali, só curtindo toda a energia trazida pela cachoeira. Um banho na alma!

Como ainda estava cedo, decidimos visitar uma outra cachoeira bem famosa: o Salto Puxa Nervos. Localizada dentro de uma fazenda particular, quem vê o salto de longe, entre as árvores, não imagina e beleza de sua queda. Com um pequeno poço embaixo, a água cai com força sobre as pedras e forma um cenário muito bonito.

Visual da Região

Visual da Região
Foto: Henrique Sato

Na volta, uma parada para um cafezinho e um bate papo com a dona da fazenda. A volta para Castro foi feita em silêncio, com quase todos dormindo durante o caminho. À noite, tivemos um merecido e farto jantar e uma voltinha pela praça da cidade, só para conhecer o movimento noturno.

Segundo dia

Rafting no Rio Tibagi

Rafting no Rio Tibagi
Foto: Josemar Contesini

Nesse dia acordamos bem cedo, pois o rafting começaria às 9h00 lá em Tibagi. Café da manhã e pé na estrada! Chegando na base de saída da equipe da Praia Secreta Rafting, vestimos os equipamentos e tivemos todas as instruções necessárias para a realização da atividade. Como estávamos em mais ou menos 20 pessoas, saímos em 4 botes ao todo.

Surf na corredeira

Surf na corredeira
Foto: Josemar Contesini

O rafting no Rio Tibagi é considerado de nível 3, apesar de ter mais trechos de calmaria do que corredeiras. Logo no começo da atividade, pudemos ver várias barras suspensas no rio, que é onde a equipe brasileira de rafting faz seus treinamentos. Para quem nunca fez rafting, como era o caso da maioria do grupo, foi bastante divertido. Pudemos `surfar` em uma das corredeiras e até sentir um friozinho na barriga nas quedas mais intensas. O trecho final é bem tranqüilo e os instrutores fazem várias brincadeiras com o grupo no bote. Bem legal!

Trilhas do Parque Guartelá

Trilhas do Parque Guartelá
Foto: Tathiana Almeida

A volta à base foi feita num ônibus e pudemos nos trocar nos vestiários, para depois seguir para a cidade de Tibagi, onde almoçaríamos. A programação à tarde seria a grande atração da viagem: o Parque Estadual do Cânion do Guartelá. Todos nós estávamos ansiosos para admirar o visual deste grande cânion.

Mirante do Cânion

Mirante do Cânion
Foto: Henrique Sato

Chegando à portaria do parque, recebemos algumas instruções dos guias locais e também sacolinhas para lixo. Na portaria, existem vários quadros informativos referentes à preservação da natureza, mapas e curiosidades do parque. A maior parte dos funcionários de lá é voluntária, o que reflete a preocupação e o cuidado da população local com seu patrimônio natural.

Apesar de não haver muitas pessoas na recepção, fomos informados de que o parque estava bem cheio e não poderíamos fazer a trilha completa pela borda do cânion, onde encontram-se algumas grutas e pinturas rupestres, pois a quantidade de visitantes naquelas áreas já tinha chegado ao seu limite. Confesso que fiquei frustrada, mas ao mesmo tempo feliz por ver o plano de manejo de um parque natural ser respeitado de verdade, coisa muito rara de acontecer no Brasil. Mas, enfim, o cânion (que era a principal atração), não iríamos ver.

O parque é muito bem cuidado. O primeiro trecho da trilha, uma descida bem íngreme, é todo calçado com blocos de paralelepípedos onde somente os carros do parque circulam. Depois deste primeiro trecho, andamos por uma pequena parte de terra e, logo depois, a trilha é quase toda suspensa, como uma ponte fixa de madeira sobre o solo, o que impede seu pisoteamento e a conseqüente erosão, comum em terrenos desse tipo.

Cachoeira da Ponte de Pedra

Cachoeira da Ponte de Pedra
Foto: Henrique Sato

Em menos de uma hora de caminhada, chegamos ao principal mirante do cânion, onde há uma plataforma grande para admirar a paisagem. O tempo estava nublado e garoava um pouco, mas o visual não deixava de ser impressionante! O Rio Iapó correndo lá em baixo, por toda a extensão do cânion, e os paredões altos e imponentes cobertos pela vegetação típica da região deixaram todos boquiabertos.

Panelões do Sumidouro

Panelões do Sumidouro
Foto: Henrique Sato

Ficamos por ali um tempinho admirando a paisagem, tirando fotos e pensando na vida. Depois pegamos uma outra trilha até a Cachoeira da Ponte de Pedra, com 200 metros de altura, localizada numa das encostas do cânion. As águas da cachoeira foram esculpindo a rocha ao longo do tempo e a pedra transformou-se numa ponte natural, por isso seu nome. Na trilha de volta, passamos pelos `Panelões do Sumidouro`, que são uma espécie de furos largos e profundos cheios de água, onde entramos e ficamos rodopiando com a força da água.

Voltando à recepção do parque, onde nosso ônibus nos aguardava, fomos pegos de surpresa por uma forte tempestade. O visual da chuva chegando foi um dos mais belos da viagem: uma densa neblina entrando pelo cânion, seguida por uma forte chuva... tudo na altura do chão, de forma que fomos envolvidos por tudo isso!!! Corremos para o ônibus, mas cinco passos na chuva já foram suficientes para nos encharcar.

Na volta para o hotel, dentro do ônibus, pensamos já estar a salvo e secos, sem saber que nossa maior aventura do dia estava a apenas uns 2 kilômetros, quando o ônibus atolou no meio da estrada e não saía do lugar de jeito nenhum. Após várias tentativas, nossos heróicos amigos cavalheiros desceram e enfrentaram a tempestade empurrando o ônibus até desatolarmos. Para as mulheres, coube a difícil tarefa de mudar de poltrona no ônibus para fazer contrapeso.

Terceiro dia

Fazenda São Damasio

Fazenda São Damasio
Foto: Tathiana Almeida

Saímos às 9h com destino à Fazenda São Damásio, onde realizaríamos o nosso rapel. A fazenda é de propriedade particular e fica situada no ponto mais alto do Cânion Guartelá, onde antigamente existia um extinto quilombo. Caminhamos cerca de uma hora por trilha bem aberta em meio às plantações de soja, que tomam quase toda a fazenda. Chegamos até a borda do cânion e nos instalamos num platô, de onde tínhamos uma visão bem ampla e bonita.

Plantação de Soja

Plantação de Soja
Foto: Henrique Sato

A equipe do rapel já tinha chegado e os equipamentos estavam terminando de ser instalados. Após as apresentações gerais, foram passadas as primeiras informações sobre a atividade. Os voluntários mais corajosos começaram a se equipar, e todos concluímos o primeiro dos dois rapéis que iríamos fazer. Foram 30 metros de descida positiva, ou seja, apoiando os pés no paredão da rocha. O visual nesta altura do cânion, do meio do seu paredão, é impressionante, e fiz questão de descer bem devagar, curtindo toda a paisagem à minha volta.

Saída do Rapel

Saída do Rapel
Foto: Henrique Sato

O sol estava muito forte e não havia sombra. Quando todos terminaram a descida, comemos nosso lanche de trilha como se fosse o melhor almoço do mundo, afinal já passava das 14h00. Grande parte do grupo desistiu do segundo rapel: uns por medo, outros por fome e outros por puro cansaço devido àquele sol forte que castigava a todos. Ficamos em menos de 10 pessoas para realizar o segundo rapel, este de 60 metros, com 23 metros de descida negativa (sem apoio na rocha).

Segundo Rapel

Segundo Rapel
Foto: Henrique Sato

A saída é o ponto mais crítico da descida, pois é necessário bastante força e precisão nos passos. Depois que você entra na posição, aí é só curtir! Por ser mais alto, este rapel proporcionou um visual ainda melhor. Lá embaixo, somente o Rio Iapó, muitas árvores e uma pequena fazenda cheia de vacas voltando em fila para o curral. No meio do Cânion do Guartelá, somente eu e minha emoção. O sol estava se pondo e deu um tom avermelhado tanto à vegetação como às paredes do cânion. Não pude demorar muito na descida, pois já estava escurecendo e ainda tínhamos uma grande trilha de volta à fazenda. Mas, mesmo assim, foi uma experiência maravilhosa!

Juntando o visual de tirar o fôlego com a adrenalina das duas descidas (principalmente a segunda), posso dizer que este foi o dia mais emocionante da viagem. Retornamos à fazenda, onde um delicioso café guartelano nos esperava, com sucos, leite, café, bolos, pão de mel, frios, pães, doces, etc, etc, tudo retirado e preparado na própria fazenda. Um digno e merecido banquete!!!! De barriga cheia (muito cheia...) voltamos para Castro, onde nossas tão queridas camas e chuveiros nos aguardavam.

Quarto dia

Chegada ao Salto

Chegada ao Salto
Foto: Henrique Sato

Antes da volta para São Paulo, ainda teríamos tempo para uma última atividade: a visita ao Salto Cotia, uma cachoeira lindíssima, com cerca de 40 metros de altura. A chegada até o salto é bem parecida com a do Salto Santa Rosa (que visitamos no primeiro dia), com várias árvores e um rio correndo ao lado. Junto ao poço da cachoeira, um trecho de areia forma uma espécie de prainha, onde o pessoal pode relaxar e até tomar um sol. A queda d`água tem paredes acidentadas e um relevo propício para fazer cascading, o rapel em cachoeira.

A beleza do Salto

A beleza do Salto
Foto: Henrique Sato

Uma coisa que impressionou a todos foi a quantidade de borboletas: de todas as cores e tamanhos, elas voavam ao nosso redor, colorindo e embelezando o lugar. Com certeza, foi uma bela cena de despedida! Na volta, passamos no hotel para nos arrumarmos e fomos almoçar num dos restaurantes de Castro, antes de pegar a estrada de volta.

Para mim, viagens de volta são muito tristes, pois sempre quero ficar um pouco mais. Por outro lado, fico também feliz por ter conhecido mais um lugar bonito do nosso Brasil e, principalmente neste caso, tive a certeza de que escolhi o melhor lugar para passar meu Carnaval: uma natureza bastante preservada, muita tranqüilidade, um povo extremamente simpático e paisagens exuberantes. O Cânion do Guartelá é um local surpreendente!

Serviços

Andaluzs Adventures
www.andaluzsadventures.com.br
(11) 5102-3883
5102-4542
info@andaluzsadventures.com.br

Ixion Geo
www.ixiongeo.com.br
(41) 332-1446
ixiongeo@ixiongeo.com.br

Hotel Buganville
www.buganville.com.br
(42) 232-4000

Dicas da autora

Tathiana Almeida

Tathiana Almeida
Foto: Divulgação

No dia da visita ao Parque, tente chegar cedo para poder fazer a trilha inteira. Isso porque, principalmente nos feriados, o parque é bastante visitado e o limite de visitantes se esgota rapidamente. Depois disso, ninguém mais entra nas áreas restritas.

Se você gosta de esportes de aventura, a região oferece inúmeras opções, como rafting, rapel e cascading. Procure as agências especializadas e reserve seu lugar com antecedência, pois são disponibilizados poucos lugares em cada atividade.

 

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