29 de Abril de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem
A equipe do EcoViagem esteve na Ilha de Boipeba/BA para dar uma espiadinha no modo de vida destes presenteados baianos, que vivem rodeados de muita água, peixe, sol e paz. A calmaria da Ilha mistura-se com a brisa quente e as cores do cenário, que é cinematográfico! Com apenas 4000 habitantes divididos em 3 povoados, Boipeba preserva suas tradições. Lá, a luz elétrica chegou há apenas10 anos.
Com o turismo em crescimento, o local serve de refúgio para quem curtia Morro do São Paulo e hoje nem tanto, devido à lotação em feriados. Seus moradores temem que o mesmo ocorra em Boipeba, mas hoje a grande ameaça não parece ser o turismo, que busca uma forma sustentável de trabalhar, mas sim uma enorme e horrorosa Plataforma de Gás Natural ou Petróleo (ninguém sabe bem ao certo), que está próxima à praia de Moreré. Recentemente apareceram peixes mortos, o que preocupa muito a comunidade local, que alimenta-se, principalmente, das iguarias do mar.
Recebidos pela Boipeba Expedições, chegamos à Ilha vindos de Valença, onde atravessamos o Rio do Inferno de lancha rápida. Foram 50 minutos de emoção, praticamente voando sobre as águas lisas e muitas vezes rasas (por isso é chamado Rio do Inferno) do rio. Era final de tarde, e o céu fazia um show de cores, visual típico, principalmente no inverno.
Ficamos hospedados na Pousada Rydayam, uma das mais recentes de um total de 22 pousadas. Esse estabelecimento fica próximo ao campo de futebol, no centrinho da cidade. Um sossego...
Logo após o café campeão da Pousada Rydayam fomos acompanhados pelo guia Gildevan ao Morro do Quebracu, onde se tem a visão da vila da Barra do Rio do Inferno, dos canais e do Morro da Caixa d`água que, segundo o guia, vale a pena visitar também. Do Quebracu, a vista é panorâmica também para o lado de dentro da ilha, podendo-se avistar toda a mata e por onde passa a trilha para ir à Cova da Onça, onde existe um caverna, hoje fechada. Diz a lenda que a caverna atravessa toda a ilha até a igreja! É interessante fazer esta trilha, são 12 km cruzando nascentes e povoados.
Descendo o morro, fomos até o Alto da Solitude, onde mora Dona Carmelina com toda a família. Há 60 anos seu marido construiu sua casa de pau-a-pique e a casa da farinha, também muito simples. Os moradores levam a mandioca e utilizam-se do espaço para tratar da mandioca sem parar p/ evitar que fermente, às vezes passam noites produzindo, depois ensacam a farinha e vendem na cidade.
Foi fantástico presenciar toda esta história e ver a realidade destas pessoas. Continuamos nosso passeio `cultural-reginal` seguindo ao Rodão de Dendê, uma das últimas produções artesanais de azeite-de-dendê na Bahia. No momento em que chegamos, o pessoal não estava produzindo, vimos somente o dendê armazenado. A roda para moer o dendê é movida por animais. Muito interessante.
Por último, o guia nos apresentou a Vendinha do seu Tavinho-Cabelo, considerado herói na ilha por participar do salvamento de um avião caído, ele ajudou a salvar os sobreviventes do acidente e, em contrapartida, a força aérea deu-lhe um reconhecimento de mérito, dando-lhe de presente uma placa de metal. Ele é uma figura! Por si só atrai os turistas e vende artigos de sua coleção de búzios e conchas.
Voltamos para a praia direto para o restaurante Kiosque do Sol, afim de saborear uma moqueca de camarão. Ao contrário de todos os lugares que conhecemos na Bahia, o serviço foi muito rápido! A comida estava divina! Tivemos que fazer uma boa ciesta antes de pegar a lancha para conhecer a praia e as piscinas de Guarapuá. Era tarde para mergulhar nas piscinas. Ficamos somente passeando de lancha, vendo a praia de 1km de largura, rodeada pelos arrecifes e pelo mangue. Visual show!
Na última noite, não resistimos ao ouvir da Pousada as músicas da capoeira que rola no final de tarde e saímos procurando de onde vinha o som. Encontramos uma roda cheia de gente, principalmente jovens e caiçaras, mas havia também uns gringos capoeiristas, crianças e famílias; ficamos admirando a habilidade e sinergia da roda. Muito convidativa, enérgica e alto astral. Boa despedida da terrinha.
No dia seguinte, acordamos cedo para partir. Boipeba - Valença/ Valença - Ilhéus/Ilhéus - São Paulo.
Boipeba Expedições
www.boipeba.tur.br
(75) 653-6017
(21) 9809-9551
Pousada Rhydayam
www.pousadarhydayam.hpg.ig.com.br
(75) 653-6017
(21) 9809-9551
pousadarhydayam@ieg.com.br
Kiosk Brilho do Sol
Bar e Restaurante
Siga à risca o velho lema dos excursionistas: `Não tire nada além de fotos, não deixe nada além de pegadas, não mate nada além de tempo.`
Reserve ao menos três dias para conhecer a Ilha, ficamos dois, mas é pouco.
Repelente na mala! Leve também chinelo, tênis e roupas leves, pois lá faz muito calor.
Deixe o relógio em casa; em Boipeba, o tempo parece sair dos ponteiros. Olhe para o sol e tenha certeza de que, se estiver na hora, você ainda tem tempo!
Não há preocupação neste paraíso!
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