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Chapada dos Veadeiros/GO - Viagem ao coração do Brasil

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros mantém preservadas, em seus 60 mil hectares, as paisagens do Cerrado, que logo de cara revelam um ar de mistério.

12 de Agosto de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

Visual da Chapada

Visual da Chapada
Foto: Claudia Silveira

Segundo a NASA, a região da Chapada dos Veadeiros é uma das mais luminosas do planeta, vista do espaço. Isso acontece graças aos grandes aglomerados de cristal de quartzo que compõem a formação geológica do Brasil Central. Junto às pedras preciosas, está uma das últimas reservas de água pura do mundo, alimentada pelo Rio Tocantins da bacia Amazônica.

Árvore seca no Vale da Lua

Árvore seca no Vale da Lua
Foto: Marcelo Maestrelli

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros mantém preservadas, em seus 60 mil hectares, as paisagens do Cerrado, que logo de cara revelam um ar de mistério. Sua vegetação rasteira, o chão de areia e as árvores secas e retorcidas, podem passar despercebidos inicialmente. A surpresa começa com árvores coloridas e flores delicadas, continua com trilhas que despencam em cânions profundos, e choca de vez com as mais belas cachoeiras de cores variadas.

As cores do cerrado

As cores do cerrado
Foto: Marcelo Maestrelli

Conforme a estação do ano, a paisagem muda significativamente, intercalando as Veredas com as Matas de Galeria, as esculturas de pedras com jardins de flores.

O solo não é favorável para agricultura, e marcou um passado de garimpo.

Folhas em formato de estrelinhas

Folhas em formato de estrelinhas
Foto: Claudia Silveira

A flora é rica em plantas medicinais, talvez um dos motivos que faz das cidades base (Alto Paraíso e São Jorge) lugares onde a crença na cura está acima da média de outros municípios. É comum encontrar estabelecimentos que oferecem diversas terapias como massagens, consultas de tarô, entendidos do calendário da paz (calendário maia), centros de meditações e rituais.

A arte também está presente e pode ser vista nas casas dos moradores, nas lojas, nos charmosos estabelecimentos de turismo e nos artesãos. Toda noite acontecem feiras de artesanatos em São Jorge e Alto Paraíso, ambas com os mais diferentes trabalhos de diversas procedências. Em nenhuma tenda você vê artigos parecidos. Todos produzem peças únicas, resgatando a verdadeira essência do artesanato.

Canela-de-ema

Canela-de-ema
Foto: Marcelo Maestrelli

Muitas pessoas que passam pela cidade de Alto Paraíso ficam por lá. Esta é outra característica da Chapada: grande parte de seus moradores são visitantes que se apaixonaram pela terra e voltaram para ficar. Diz-se que Alto Paraíso é a cidade de ninguém, mas hoje com `alguéns` muito especiais, parece que a região tem a magia de unir e promover encontros. Muitos que visitam sentem que ali é o seu lugar.

Primeiro dia

Trattoria Di Marco

Trattoria Di Marco
Foto: Marcelo Maestrelli

De Brasília a Alto Paraíso são 230 km. Chegando com fome na cidade, uma boa dica é a Trattoria di Marco, uma cantina diferenciada, onde você escolhe sua massa, os ingredientes do molho, e vê toda a refeição ser preparada na sua frente, com direito a manobras especiais do macarrão! Macarrão voador parece ser mais saboroso! De sobremesa vale pedir um sorvete quente, só provando para saber.

Caminhão da Terral

Caminhão da Terral
Foto: Marcelo Maestrelli

De Alto Paraíso para São Jorge, a cidade porta de entrada para o Parque, são mais 35 km de viagem. A estrada é de terra e levanta muita poeira.

Nossa aventura começa no caminhão da Terral, um veículo adaptado exclusivamente para o ecoturismo, trazendo conforto e estilo. Chegando em São Jorge jantamos no Papa Lua e nos hospedamos na Pousada Água Esperança

Segundo dia

Mergulho na Morada do Sol

Mergulho na Morada do Sol
Foto: Claudia Silveira

Para iniciar as caminhadas na Chapada, a Travessia Ecoturismo sugeriu passeios light. Visitamos a Morada do Sol, uma área particular por onde passa o Rio São Miguel formando um lindo cânion, piscinas naturais e pequenas cachoeiras, imperdíveis para um mergulho.

De lá seguimos para o Santuário Ecológico Sítio Raizama, ou Espaço Infinito, a 5 km de São Jorge. Raizama significa local com muitas raízes medicinais. Ao longo da trilha, o guia explica a utilização das plantas medicinais encontradas. Com verdadeiras hidromassagens, o Santuário tem uma cachoeira no encontro dos rios São Miguel e Raizama. Uma mina de argila, permitiu com que o proprietário criasse uma oficina de artesanato com meninos da região.

Caminhada no Sítio Raizama

Caminhada no Sítio Raizama
Foto: Marcelo Maestrelli

Para finalizar o dia, nada melhor que assistir ao `pôr-da-lua` no Vale da Lua, a 6 km de São Jorge.

Novamente, como nas margens do Rio São Miguel, o Vale da Lua impressiona com sua formação rochosa branca e escultural nos remetendo até a Lua.

Terceiro dia

Visual entre os cânions

Visual entre os cânions
Foto: Claudia Silveira

A portaria do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em São Jorge, nos oferece em 6 km de trilhas pelo Cerrado preservado, o acesso aos cânions 1 e 2. Na caminhada, o algodãozinho, o chuveirinho, o chão de pedras, cristais e areia, ora com o sol rachando, ora com uma boa sombrinha...

A travessia do cânion 1 para o cânion 2 é feita através de uma `escalaminhada` pelas pedras que beiram o Rio Preto. Esse percurso só pode ser realizado na época de seca, quando o volume de água está menor. Uma caminhada que desperta em qualquer o ânimo para um banho nas piscinas do cânion 1. Vale saltar também!

Com mais alguns poucos kms de trilha, sol, subidas, descidas e muitas pedras, temos acesso a Carioquinhas. Um lugar com uma pequena praia de areais brancas e diversas cachoeiras e piscinas.

Quarto dia

Reserva de água cristalina

Reserva de água cristalina
Foto: Claudia Silveira

Os Saltos do Rio Preto transformaram-se no cartão postal da Chapada dos Veadeiros. E não foi à toa: são 120 grandiosos metros jorrando água do meio da mata fechada. Após 300 metros de caminhada, surge mais uma queda de 80 metros, com uma excelente piscina natural.

Queda e piscina natural

Queda e piscina natural
Foto: Claudia Silveira

A caminhada resulta em 12 km no total passando entre as diferentes formas do Cerrado por altitude. No caminho entre Campos Rupestres e Matas de Galeria, pequenas flores carnívoras, pedras preciosas e as marcas de um passado de garimpo no parque.

Quinto dia

Morro da Baleia

Morro da Baleia
Foto: Marcelo Maestrelli

No caminho de São Jorge para Alto Paraíso está o Morro da Baleia, um dos mais conhecidos atrativos da região, e o Jardim de Maytrea, um local muito estimado por espiritualistas que afirmam a presença de um campo de força magnética.

Celebrações e meditações eram realizadas no local, que hoje é uma zona intangível do parque, ou seja, não é permitida a visitação.

Assim, pudemos apenas apreciar do outro lado da cerca.

Cachoeira Almécegas

Cachoeira Almécegas
Foto: Claudia Silveira

Seguindo viagem, parada na Fazenda São Bento, onde estão as cachoeiras Almécegas 1, 2 e São Bento.

Aproveitamos o horário da manhã para começar o dia com um cascading.

Os 40 metros da Almécegas 1 garantem uma boa dose de emoção e principalmente água fria! A corda da descida termina em um poço, não tem saída, tem que mergulhar na água super-gelada!

Cascading

Cascading
Foto: Claudia Silveira

Para visitar a Cachoeira São Bento, é possível ir de carro até 200 metros da queda por dentro da fazenda. Outra opção é fazer uma trilha de 3400 metros a partir do Portal da Chapada. Optamos pelo Portal, um lugar bem estruturado, com quiosques de madeira, música ambiente, restaurante e a trilha, que é auto-guiada e interpretativa, onde as espécies e nomes das árvores estão indicadas. Uma passarela conduz o visitante por dentro da mata em plena harmonia com o ecossistema. Imperdível!

Sexto dia

Flor do Cerrado

Flor do Cerrado
Foto: Claudia Silveira

A Travessia Ecoturismo oferece um Trekking Especial, a `Travessia Leste`: são 94 km de trilhas percorridos em 5 dias.

Lembra o `Trekking do Pati` na Chapada Diamantina, seguindo estrutura semelhante, cada dia dorme-se em um lugar diferente entre casas de moradores, acampamentos e até em uma aldeia estilo indígena.

Mirante do Vão Paranaã

Mirante do Vão Paranaã
Foto: Marcelo Maestrelli

Nós fizemos apenas a primeira parte do trekking.

Com um total de 15 km, passamos por belas campinas repletas de flores sempre-vivas do Cerrado de altitude da Serra Geral do Paranaã.

Fazenda da D. Leônia

Fazenda da D. Leônia
Foto: Claudia Silveira

Cruzamos a nascente do Rio São Bartolomeu, as cachoeiras do Rio Cristal e da Água Fria, (130 metros de altura) e o Mirante do Moinho. Finalizando a caminhada em uma descida ao Vale do Moinho, chegando na fazenda da D. Leônia, uma fazendeira nativa da região, que nos esperava com uma deliciosa comida caseira. Ela dá um show de simpatia e disposição.

Dona Leônia

Dona Leônia
Foto: Claudia Silveira

Alto Paraíso completa um dia de passeio com seus lugares transados e saborosos para desfrutar na noite. Pizzarias, restaurantes e a Crepperie Alfa e Omega (link máster) onde, ao som de música ao vivo, são servidos crepes de escarola, strogonoff, chocolate, maçã, entre outros. Ainda nesta noite tivemos a surpresa de encontrar, em nossa programação, uma peça de teatro.

Crianças da fazenda fazendo doces

Crianças da fazenda fazendo doces
Foto: Claudia Silveira

Fomos checar e ficamos maravilhados com a iniciativa da Secretaria do Meio Ambiente, que organizou uma exposição interativa com apresentação de duas peças, sendo uma infantil, ambas com o tema: água. Uma bela forma de conscientizar e tocar quem visita a Chapada, que é uma verdadeira usina de vida correndo risco de tornar-se um centro de hidrelétricas.

Sétimo dia

Santuário das pedras

Santuário das pedras
Foto: Marcelo Maestrelli

Em Alto Paraíso acontecem coisas raras. Um exemplo é um terreno de 5 hectares com dezenas de cachoeiras e Cerrado preservado ter sido trocado por uma Caravan marrom 89. É fato minha gente! O beneficiado desta história, ex-proprietário da Caravan, chama-se Fausto. Fausto e a família vivem, ainda que com dificuldade, somente do ecoturismo. A maior parte do terreno está destinada somente para preservação.

Cachoeira do Macaquinho

Cachoeira do Macaquinho
Foto: Marcelo Maestrelli

E lá fomos nós, conhecer o chamado `Santuário das Pedras`, onde está o famoso Rio Macaquinho. Em 5 km de caminhada no total (ida e volta), tivemos um dos visuais mais especiais da Chapada.

Os cânions e pedras com suas cores e formações exuberantes encontram-se a todo canto com a água verde-azulada que despenca em quedas de 30, 40 e 60 metros. A Cachoeira do Macaquinho rendeu mais de hora de banho, descanso, meditação e contemplação.

Cachoeira do Encontro

Cachoeira do Encontro
Foto: Claudia Silveira

Descendo um pouco mais, chegamos à Cachoeira do Encontro, onde no mesmo ponto dois rios jorram suas águas formando uma só cachoeira, excelente para um banho.

Perfeito como o último banho de cachoeira da Chapada.

Pôr do Sol

Pôr do Sol
Foto: Claudia Silveira

A excentricidade do coração do Brasil marca, entre suas águas, cristais, folhas, flores, rochas e pessoas, a certeza de um retorno breve. Se você tiver tempo, invista em mais de 7 dias, pois é beleza que não acaba mais! São descobertas a cada encontro, seja das águas, das pessoas com a natureza ou das maravilhas com a câmera fotográfica.

Serviços

Travessia Ecoturismo
www.travessia.tur.br
(62) 446-1595
travessia@travessia.tur.br

Pousada Água Esperança
www.pousadaaguaesperanca.com
(61) 944-5573
361-3881
pousadaaguaesperanca@terra.com.br

Vale Azul
(62) 446-1434

Creperrie Alfa e Omega
(62) 446-1163
rhgstein@hotmail.com

Dicas dos autores

Claudia e Marcelo

Claudia e Marcelo
Foto: Divulgação

O clima na Chapada é super seco no inverno, sendo que faz um calorão de manhã e um bom friozinho à noite. É essencial tomar muita água para não desidratar.

Falando nas estações, é legal ressaltar que somente no inverno é possível fazer alguns passeios como a caminhada entre os cânions 1 e 2 beirando o rio dentro do PN.

Já no verão, as cachoeiras ficam mais volumosas e, conseqüentemente, mais bonitas de fotografar.

Os passeios no Parque Nacional exigem longas caminhadas. É imprescindível estar munido de lanches energéticos e líquidos. Protetor solar e chapéu, em quaisquer épocas, são muito úteis.

A grande maioria dos passeios fora do parque são em fazendas, onde são cobradas taxas de entrada e, em sua maioria, exigem o acompanhamento de guias.

Informe-se no CAT, a Central de Atendimento ao Turista, que está logo na entrada de Alto Paraíso. O atendimento é excelente!

Alto Paraíso de Goiás

 

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