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Cachoeiras e cavernas de Eldorado - SP

O Vale do Ribeira é considerado o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil. Além disso, possui uma das maiores concentrações de cavernas e comunidades quilombolas do território nacional.

22 de Julho de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

Trilha na Mata Atlântica

Trilha na Mata Atlântica
Foto: Claudia Silveira

O Vale do Ribeira é considerado o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil. Além disso, possui uma das maiores concentrações de cavernas e comunidades quilombolas do território nacional. A região foi declarada `Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial` pela UNESCO em 13 de fevereiro de 1993 e, em julho de 2001, considerada uma das áreas de maior importância ecológica do Planeta. Ironicamente, é também considerada a região mais pobre dos Estados do Paraná e São Paulo.

Quedas Ribeirão das Ostras

Quedas Ribeirão das Ostras
Foto: Claudia Silveira

Com a criação de diversas Unidades de Conservação, os problemas sociais se agravaram pois, para muitas comunidades, o uso dos recursos naturais, a caça, o extrativismo e a agricultura de subsistência era tudo que dispunham para a sobrevivência. Quando e ecoturismo começou a surgir como alternativa de desenvolvimento as coisas começaram a mudar. Além da Mata Atlântica e das cavernas, o município de Eldorado guarda uma abundância de pequenos córregos e ribeirões de águas límpidas que possuem inúmeras cachoeiras e piscinas naturais excelentes para banhos e mergulhos.

Primeiro dia

Praça de Eldorado

Praça de Eldorado
Foto: Claudia Silveira

Passamos a primeira noite hospedados no Pirâmide Hotel, no centro do município de Eldorado. Após tomarmos o café da manhã, fomos recepcionados pelos Monitores Ambientais Lélis, Moisés e Elton, todos nativos da região, que nos fariam agradável companhia durante toda a nossa viagem. Já passava das 8h00 da manhã quando saímos para percorrer a pé o centro de Eldorado. Visitamos a Aldeia Cultural, onde fomos recepcionados pelo prefeito e pela secretária de turismo. Lá pudemos conhecer o trabalho de artistas e artesãos da região.

Parque Estadual do Jacupiranga

Parque Estadual do Jacupiranga
Foto: Claudia Silveira

Dando seqüência à nossa caminhada, fomos à Igreja Matriz Nossa Senhora da Guia, e passamos por restaurantes e outros locais que oferecem serviços à população e aos visitantes. Retornamos para o hotel e seguimos de ônibus pela estrada SP-165, que dá acesso ao Parque Estadual do Jacupiranga. O dia havia amanhecido frio e com uma forte cerração mas, quando chegamos no Parque, a temperatura já era mais amena.

Todos com os equipamentos de segurança

Todos com os equipamentos de segurança
Foto: Henrique Wuilleumier

Após a distribuição dos equipamentos de segurança (capacetes, de uso obrigatório no interior das cavernas, e lanternas e reatores de gás acetileno para a iluminação), os monitores nos passaram algumas instruções e exercícios de alongamento antes de iniciarmos a Trilha do Bugio. No percurso, os monitores chamavam a nossa atenção para as formações da floresta e para as diversas espécies arbóreas que ornamentam a paisagem. O ar puro e fresco e o esplendor da mata enchem olhos e pulmões.

Formação no interior da gruta

Formação no interior da gruta
Foto: Henrique Wuilleumier

Antes de entrarmos nas Grutas de Rolado III e Rolado II, a mata se apresenta de maneira mais compacta, com grandes extensões de capoeiras - sinal que se encontra em estado de regeneração. O percurso nas cavernas dura aproximadamente uma hora. A travessia é maravilhosa e no caminho os monitores foram explicando as formações e os detalhes geomorfológicos. Molhar os pés é inevitável... A água é um gelo, e fazia frio, mas nada que pudesse incomodar e atrapalhar nossa expedição.

Gruta do Rolado

Gruta do Rolado
Foto: Gabriel Hallai

Na saída da Gruta de Rolado II, já pudemos observar a mata primária ou virgem, com árvores de troncos grossos e imensos, bem espaçados entre si. No meio da trilha, nosso grupo parou diante de troncos ceifados, que soubemos pelos monitores serem do Palmito Jussara - espécie arbórea característica da Mata Atlântica - e que foram cortadas antes mesmo de frutificarem. Antes de esboçarmos nossa reação de indignação, o Lélis foi nos explicando a grande problemática que afeta a região e as numerosas comunidades locais.

Foram criadas diversas Unidades de Conservação no Vale do Ribeira, que é o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil e uma das áreas de maior importância ecológica do Planeta, declarada pela UNESCO `Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial`. Sendo assim, as comunidades foram impedidas de utilizarem os recursos naturais, como caça, extrativismo e agricultura de subsistência - os únicos dos quais dispunham para a sobrevivência. Daí surge a tentativa de gerenciar e melhorar as relações entre o homem e o meio-ambiente, de maneira integrada e sustentável.

Não se pode pensar em preservar uma área e desprezar as comunidades que ali vivem há séculos, e o ecoturismo surge como uma saída para este impasse, tornando-se meio de sobrevivência para as comunidades locais. Pessoas que estavam sem emprego ou praticavam atividades ilegais como o corte predatório de Palmito Jussara, caça ou desmatamento em áreas protegidas, hoje são Monitores Ambientais ou trabalham dignamente em atividades direta ou indiretamente ligadas ao Ecoturismo. Naquele momento, pudemos perceber a diferença que existe entre ter uma atitude passiva e uma atitude ativa de preservação.

A exuberante Caverna do Diabo

A exuberante Caverna do Diabo
Foto: Gabriel Hallai

Após percorrermos os 5 km de uma trilha cheia de beleza pura, mais um espetáculo nos aguardava: entramos na Gruta da Tapagem (ou Caverna do Diabo, popularmente conhecida). Como descrevê-la? Sua beleza, a imensidão de seus salões e a diversidade de espeleotemas causam espasmo! É belíssimo! Já estava escuro quando saímos da Caverna e alguns morcegos que passavam bem próximos às nossas cabeças deram uma pitada de adrenalina no final do nosso passeio. O cansaço e a fome pesavam um pouco, mas um generoso jantar nos foi servido no restaurante do próprio parque.

A travessia era feita de balsa ou canoa

A travessia era feita de balsa ou canoa
Foto: Henrique Wuilleumier

Seguimos de ônibus para a Pousada Fazenda Passagem, que fica na margem do Rio Ribeira. Atravessamos o rio com uma curiosa balsa movida apenas pela correnteza da água, e chegamos ao casarão. O lugar é encantador e muito aconchegante. Foi lá que aconteceu a Roda de Viola, em volta de uma fogueira e sob uma lua cheia que iluminava a paisagem de uma maneira especial. O monitor Moisés e sua viola de 10 cordas deram um show à parte, tocando belas músicas que falam da história, cultura, ecologia e lutas do povo do Vale do Ribeira. Foi um momento de beleza e tranqüilidade indescritíveis, que fecharam com chave de ouro o nosso dia repleto de belas visões e grandes experiências.

Segundo dia

Vale das ostras

Vale das ostras
Foto: Henrique Wuilleumier

Acordamos por volta das 8h00 e um café da manhã com frutas e deliciosos bolos, pães e geléias caseiras já nos aguardava. Seguimos para a trilha do Vale das Ostras. O dia estava mais quente que o anterior, o que ajudou muito, pois a trilha passa por dez cachoeiras e várias piscinas naturais, o que significa que a água é farta em todo o percurso. Cabe aqui dar a dica para quem quer visitar o parque nos períodos de frio: levem toalha e uma lycra para arriscarem a prática do cascading ou um mergulho, que é tentador em muitas partes do Ribeira.

A adrenalina da descida ...

A adrenalina da descida ...
Foto: Gabriel Hallai Hallai

A trilha é maravilhosa e quase tão extensa quanto a trilha do Bugio, que fizemos em aproximadamente 5 horas. Passamos por diversas cachoeiras, como a do Engano, do Vomito, a Escondida, o Poço das Esmeraldas, entre outras. Uma mais linda que a outra, com água límpida e cristalina... Paramos na cachoeira do Funil, onde o equipamento para o cascading já estava preparado. Apenas duas pessoas do nosso grupo - que já tinham praticado o rapel em cachoeira anteriormente - se arriscaram nas águas geladas e na aventura. O tempo estava escasso, e não deu para o resto do grupo descer a cachoeira. Mas certamente serviu de estímulo para todos voltarem para lá!

... E a beleza da queda!

... E a beleza da queda!
Foto: Henrique Wuilleumier

Seguimos para o ponto culminante do percurso, que é a Queda de Meu Deus, com os seus 53 metros de altura. Muito lindo! Voltamos para a pousada, extasiados depois de tanta beleza. Todos tomaram um banho quente depois de passar horas com os pés e calças molhados. Tomamos um café e nos preparamos para ir embora, com a certeza de que voltaríamos àquele lugar de beleza esplendorosa.

Serviços

Caveland Ecoturismo e Aventura
www.caveland.tur.br
(11) 3743-8575
6871-1386
info@caveland.tur.br

Tupinambis Ecoturismo e Educação Ambiental
www.tupinambis.com.br
tupinambis@tupinambis.com.br

 

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