1 de Fevereiro de 2005. Publicado por Equipe EcoViagem

Passeios entre fazendas seculares é outro atrativo
Foto: João Correia Filho
Fazendas seculares, praças tranqüilas e o clima ameno do interior parecem ideais para quem não quer muita agitação. Mas, para quem quer a adrenalina dos esportes radicais, Botucatu, bem no centro do estado de São Paulo, reserva uma grande surpresa: na cidade estão localizadas dezenas de cachoeiras, além de uma belíssima encosta que possibilita trilhas, caminhadas, escaladas, ciclismo e atrai jipeiros de várias partes do país.
Botucatu na língua tupi significa bons ares. Não é à-toa: a cidade é famosa pelo clima, pelas antigas fazendas do ciclo do café e, apesar de pouca gente saber, por ter inspirado uma das mais célebres canções regionais brasileiras, a Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira, imortalizada na voz de Tonico e Tinoco (aquela que diz “Nesta viola eu canto e gemo de verdade/Cada toada representa uma saudade”). Mas esta é outra história.
Há 240 km da capital paulista, Botucatu vem descobrindo nos esportes de aventura uma ótima opção para atrair milhares de turistas todos anos, geralmente interessados em fazer o estresse e a agitação da cidade caírem por água abaixo.

Visto de um dos mirantes, o Gigante Adormecido impressiona
Foto: João Correia Filho
Um dos pontos mais famosos é o Mirante do Gigante. Por uma estrada de terra, se chega a uma parte mais elevada, rodeada por pastos, de onde se pode observar uma grande formação que lembra, e muito, a figura de um homem deitado. É o Gigante Adormecido, e chegar até lá é uma das tarefas preferidas dos jipeiros. O roteiro, que passa por uma região de encostas conhecida como Cuesta, virou hábito, se ampliou e acabou se tornando uma das competições esportivas mais importantes da região, o Enduro da Cuesta, que tem sua provas válidas para os Campeonatos Paulista e Brasileiro dessa modalidade esportiva.

Trilhas de jeep levam ao Mirante das Três Pedras
Foto: João Correia Filho
Com inúmeras trilhas, a Cuesta vem atraindo desde jipeiros viciados em adrenalina, sempre em busca de trilhas mais radicais, até visitantes menos aventureiros que chegam de carro ou, muitas vezes, de bicicleta. Para os pilotos, a competição é considerada uma das mais atraentes do país justamente por causa da paisagem e das condições topográficas. Com muitas curvas, a estrada tem uma vista belíssima, e atravessa riachos, pastos e, até, rampas cheias de cascalho.

Pedra do Falo: ótima para escaladas
Foto: Mônica Canejo
De perto, o Gigante Adormecido vai perdendo sua semelhança com os humanos, mas não deixa de fascinar por sua imponência em meio a paisagem. Uma imensa formação rochosa de aspecto, digamos, fálico, que alguns chamam de Pedra do Falo, faz parte do conjunto que leva o nome de Três Pedras, e que à distância são os pés do gigante.

Outro ponto imperdível é o mirante das Três Pedras
Foto: Mônica Canejo
Do ponto onde se deixa o carro até a base das pedras já se pode fazer uma boa caminhada, mas o local oferece opções mais ousadas, como a escalada das pedras com equipamento ou mesmo sem, o free-style, desde que em companhia de guias experientes.
Como não poderia deixar de ser, um lugar tão peculiar gerou muitas estórias. Entre elas, a de que o local, em épocas pré-coloniais, teria servido de templo ao misterioso povo xumério. Existem inclusive um longo estudo, feito por um frei capuchinho chamado Fidélis da Motta, a respeito da ligação deste povo com a cidade.
Segundo ele, a cidade foi habitada por ele em tempos remotos e ainda mantém muitos indícios, como o próprio nome, que em xumério significa ` terra da serpente`. Outros dizem que a pedra que está no meio, com 200 m de extensão, 40 de largura e 50 de altura, seria nada mais, nada menos, a residência do próprio diabo. Tem ainda o lagarto que voa, as bolas de fogo, o bezerro de ouro, pouso de naves extra-terrestres... por via das dúvidas, é melhor não dormir por lá.

A repórter Mônica Canejo aventura-se na descida da Marta
Foto: João Correia Filho
Mas se você acha que escalada e estórias fantásticas não são suficientes, o canionismo é uma das melhores opções de Botucatu. Esta prática, cada vez mais difundida no Brasil, consiste em unir técnicas de alpinismo para se explorar rios. É o famoso `descer cachoeira`, e, em Botucatu, locais ideais não faltam. Alguns estudiosos chegam a afirmar que o conjunto de lençóis subterrâneos da cidade é um dos mais extensos do mundo, chegando até à Patagônia. Isto, aliado ao relevo acidentado, explicaria a abundância de quedas d`água.

Canionista desce a cachoeira da Marta: adrenalina e nada de frio
Foto: João Correia Filho
Na queda da Marta, onde se costumam fazer os batismos dos canionistas, é preciso fazer primeiro uma trilha a pé para se chegar ao alto. Como esta queda tem uma parede em ângulo reto com o solo, ela é bastante adequada para descida de rapel: com as cordas bem fixas no alto, a pessoa coloca um equipamento chamado cadeirinha - na verdade, uma espécie de cinto que se prende também às coxas- e desliza pela corda, dando pequenos pulos.

O cachorro Átila observa os momentos finais de um canioning
Foto: João Correia Filho
Então, são 38 m até o poço, com muita água gelada caindo na cara! Usar uma roupa térmica ajuda, mas a adrenalina é tanta que frio é uma coisa que só se sente quando a descida acabou. Quem nunca praticou o rapel ou não tem o equipamento adequado, pode procurar um dos grupos de ecoturismo da cidade, que oferecem cursos de final de semana.

Trilhas entre as raízes para se chegar a Marta II
Foto: João Correia Filho
Seguindo o rio formado pela Marta por mais quinze minutos, se chega a uma segunda queda, conhecida como Marta II, um pouco mais baixa mas igualmente bonita. A trilha segue quase toda por dentro da água, até que chega a um ponto onde a única opção é uma espécie de escada formada por raízes de árvores. Isso acaba assustando os menos familiarizados com trilhas. Com 20 m de altura, é muito pouco visitada, já que a maioria das pessoas limita-se a se divertir na primeira queda.
Na Marta II, que não é indicada para o rapel, a água cai em zigue-zague e é ótima para se refrescar nas duchas e no poço que se formam com a descida da água.

Banho na cachoeira Marta II
Foto: Mônica Canejo
Seguindo o curso do rio, ainda se encontra mais 5 cachoeiras: três neste rio e mais duas subindo a bifurcação após a segunda cachoeira. Descendo de novo, chega-se na cachoeira da antiga usina Indiana, que desce por uma parede de pedra, numa bela formação. Pode-se ainda ir até o Véu de Noiva, que tem estrutura para receber turista e sempre atrai bastante gente aos finais de semana.

Na Marta o estresse vai por água abaixo, com direito a arco-iris
Foto: Mônica Canejo
Mas uma cachoeira que não pode deixar de ser visitada é a da Pavuna, considerada por muitos como a mais bela da cidade. Localizada no quilômetro 264 da rodovia Marechal Rondon, sentido Bauru, a entrada da Pavuna fica numa fazenda particular, mas os proprietários, de olho na promessa de lucro do turismo, recebem bem os visitantes e já pensam em melhorar o acesso. Por enquanto, é preciso enfrentar uma trilha bastante íngreme e escorregadia morro abaixo. Com pedras soltas, deve-se descer uma pessoa de cada vez. Por toda a descida dá para se ouvir o barulho da água caindo, mas só quando ela acaba se pode realmente ter noção da grandiosidade da cachoeira da Pavuna. Com cerca de 80m de altura, ela é formada por várias quedas. Como a volta vai ser uma subida pesada, o melhor é ir sem pressa e aproveitar para curtir a tranqüilidade desta cachoeira isolada.

Durante as trilhas, as três pedras vistas de outro ângulo
Foto: Mônica Canejo
O ecoturismo ainda é muito recente na cidade, e muitas coisas ainda estão sendo descobertas. Para o turista, o melhor é buscar uma agência especializada ou se informar com os moradores. Opções não faltam para os que apreciam uma forte emoção. E, para quem não gosta de aventura, ainda resta o consolo: a cidade também é boa para quem só quer tomar um sorvete na pracinha.
Como chegar
De São Paulo segue-se pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) até a Rodovia João Hipólito Martins. A estrada liga a Castelo à Marechal Rondon (SP-300). De lá até Botucatu são mais 22 Km.
Ecotrilha
(14) 6821 - 1244
Nomad
(11) 6822 - 6988
Jeep Clube de Botucatu
(14) 6921 - 1121
Botucatur
(14) 3882 - 5001
Tribo Cuesta
(14) 3882 - 1315
Pousada Casa Somé
(14) 3815 - 1739
Pousada Arco-íris
www.1000magias.com.br/eventos
(14) 3882 - 7438
Bekassin Botucatu Hotel
www.bekassin.com.br
(14) 6822 - 2925
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