4 de Maio de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem
Sempre ouvi falar em Prudentópolis como sendo a Terra das Cachoeiras Gigantes. Nesta páscoa tive a oportunidade de comprovar que o slogan da cidade foi merecido.
Ainda por ser descoberta do ponto de vista ecoturístico, Prudentópolis possui belas cachoeiras e muito potencial para o Turismo de Aventura – e ainda são poucas as empresas fornecedoras de produtos e serviços para turistas, como hotéis, restaurantes, agências e operadoras locais.
A convite do Hotel Mayná, da agência Mayná Tur e da operadora EcoAventura, estive na região por 4 dias – o necessário para conhecer as principais cachoeiras e trilhas, experimentar o rafting e o rapel.
Durante minha estada na região, fiz os passeios com outras pessoas hospedadas no Mayná – que estava lotado de turistas de São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Foz do Iguaçu, já que Prudentópolis está localizada entre Curitiba e Foz e o acesso rodoviário é muito fácil em um feriado, ou mesmo num final de semana.
A cidade é bem tranqüila, com uma avenida principal, pracinhas bonitinhas estilo interior, comércio local, três igrejas no centro – dentre elas a São Josafat, que é a matriz e é considerada uma das igrejas mais bonitas do Brasil.
Logo cedo, após um reforçado café, o Guia Côco já aguardava os turistas com uma Rural 4x4 na frente do hotel. O povo foi chegando, cada um pegou seu lanche e não demorou a partirmos com a Rural lotada.
Estávamos ansiosos para conhecer a cachoeira mais famosa da região e fomos direto para lá. Após 22km de asfalto, começamos nossa aventura: chacoalhamos por mais 38km na estrada de terra – que, por sinal, era muito bonita. No meio do caminho pudemos avistar os Saltos Barra Grande e Fazenda Velha, com 130 e 100m – também conhecidos como Saltos Gêmeos, por estarem na mesma encosta e bem próximos.
Depois da subida da Serra da Esperança por uma estradinha sinuosa e estreita com lindíssimas paisagens, chegamos ao fim da linha para a potente Rural: a partir dali é só caminhar 100m e você já chega no mirante do Salto São Francisco – impressionante! Com direito a arco-íris e tudo!
O local não tem nenhuma infra-estrutura turística, mas o passeio vale muito a pena: são 196 metros de queda livre! Imagine só fazer um rapel ao lado da queda... deve ser demais – pena que desta vez não teve, mas o Côco disse que existe esta possibilidade. Como também pode-se fazer um belíssimo trekking até a base da cachoeira, para vê-la lá de baixo, mas é necessário vir para fazer só isso no dia todo, pois a caminhada não é fácil.
Seguimos pela trilha que beira a encosta e logo chegamos ao topo do Salto São Francisco, de onde o pessoal sai para o Rapel – fiquei só imaginando... A trilha continua até o Salto Menor, com 14m de altura. Ali pudemos nos refrescar e tomar um banho de hidromassagem natural – delicioso, revigorante, energizante, muuuito bom!
Dali seguimos com a Rural até o Recanto Perehouski. Após a recepção da proprietária – a amável Dona Isabel, entramos numa trilha agradável e tranqüila. Em alguns minutos passamos pela Cachoeira das Bromélias, em seguida por uma gruta, e mais à frente chegamos à Cachoeira Perehouski, onde também está o Cânion Perehouski. Mais uma vez, pudemos nos refrescar e reabastecer as energias. Na volta, não resistimos aos doces e sorvetes caseiros da Dona Isabel – vale a pena experimentar!
À noite fomos assistir a uma apresentação de danças italianas e pudemos experimentar pratos típicos da gastronomia ucraniana, como borchtch - sopa de sabor azedado, à base de beterraba, temperada com nata; perohê – uma espécie de pastel de massa amanteigada à base de trigo fermentado, cozidos em água e recheados com uma mistura de batatinha e requeijão; e holubchi - charuto feito com recheio de carne, envolvido em folhas de repolho. Foi muito bonito ver como a comunidade está preocupada em preservar a cultura de seus ascendentes.
O dia amanheceu nublado e aproveitamos para passear pela cidade – no museu pudemos conhecer mais a história da colonização de Prudentópolis, que é praticamente toda ucraniana, mas também há poloneses e italianos. O almoço foi no restaurante mais tradicional da cidade: a Churrascaria Penteado, que também oferece comida típica ucraniana – vale a pena experimentar!
No período da tarde, entusiasmados pelo sol que chegou e pelo ânimo contagiante do nosso guia Côco, pegamos a Rural e rumamos para os saltos São Sebastião e Mlot, 29km distantes de Prudentópolis, sendo metade asfalto e metade terra. A trilha para as cachoeiras é uma grande descida, com cordas para ajudar os mais inexperientes, mas é bem bonita, curta e agradável. Em meia hora chegamos no rio onde ficam as cachoeiras – o local é bem pitoresco, pois as cachoeiras ficam uma de frente para a outra.
Cada uma delas tem cerca de 120m de altura e o Côco disse que é comum a prática do cascading no Salto São Sebastião, mas neste dia não fomos preparados para a atividade, então ficamos nas pedras recebendo toda aquela energia e apreciando a natureza.
Na volta passamos pelo Salto São João e o apreciamos de um mirante à beira da estrada – bem grande, volumoso, imponente... O Côco nos disse que há uma trilha para se chegar à base da cachoeira, mas é necessário um dia inteiro para se fazer a caminhada com tranqüilidade e segurança. Retornamos para a cidade no fim da tarde.
À noite fomos na Pizzaria “O Casarão” – imperdível! Pizzas muito boas, massas, bebidas, drinks e um ambiente jovem e descontraído – é onde todos vão à noite em Prudentópolis.
Estávamos animados para fazer o rafting e logo cedo o Dalton da EcoAventura já nos aguardava nas Rurais em frente ao hotel. Pegamos um lanche, embarcamos e nos mandamos.
Chegamos à parte alta do Salto Barão do Rio Branco e nos reunimos para receber as instruções do guia Teco. Éramos em 10 e a grande maioria nunca tinha feito rafting. Depois nos equipamos com os capacetes, coletes salva-vidas, remos e fizemos a tradicional foto estilo “Playmobil”.
São 468 degraus de descida até a parte baixa da cachoeira, onde entraríamos nos botes e, enquanto descíamos, observávamos os guias colocando os botes na água: de rapel! É, sim, isso mesmo! Eles descem os botes por uma corda desde o alto da cachoeira até o lago em sua base. Neste local, já estávamos todos ensopados tamanha era a força das águas da cachoeira.
Embarcamos e... aí vamos nós! Ainda no lago de frente à queda, fizemos um treinamento dos comandos sob as orientações do instrutor: “Frente! Ré! Direita! Frente! Pára! Piso! Enfim, quando já estávamos mais familiarizados com os comandos, remamos até bem perto da queda – foi muuuito bom! Sentíamo-nos como se fôssemos um barquinho de papel na frente das cataratas do Iguaçu – exagerei, mas era isso mesmo, porque nossa adrenalina estava a mil!
O Rafting foi muito bom. É corredeira quase o trecho todo – isso deixa mais emocionante. O único problema foi o nível do rio, que estava baixo e não ajudou muito, pois era comum encalharmos nas pedras. Mas mesmo assim foi uma experiência maravilhosa. No meio do caminho, passamos pela cachoeira do Índio, onde o nosso guia Amauri fez uma parada para banho e nos contou que é possível se praticar o cascading nesta queda de 80 metros. Continuamos mais um pouco e, após 2h30 de muitas remadas, chegamos ao final do rafting, onde as Rurais nos aguardavam.
Após o lanche, fomos para o treinamento do rapel. Novamente, quase todos eram novatos; então a maioria desceu duas vezes numa parede pequena de 15m só para treinar. À medida que as pessoas iam se sentindo seguras, iam para a parte alta do Salto Barão do Rio Branco. A descida lá é inteira negativa – quer dizer: você desce sem encostar na rocha, fica solto no ar, apenas pendurado pela corda. O mais difícil é “entrar” no rapel, pois dá medo quando você olha pra baixo e vê um laguinho a 64 metros de distância te aguardando. O segredo é respirar fundo, confiar no equipamento e na segurança dos instrutores, seguir as orientações e... desceeeeeer!
No meio da descida você até se emociona quando se dá conta do que está fazendo, do lugar onde está (ao lado da cachoeira gigante), do cenário do Vale do Rio dos Patos, da parede de rocha bem perto de você, enfim... é muito bom! Vale a pena!
Reservamos a caminhada mais difícil para o último dia: nosso objetivo seria chegar na base do Salto São José.
Pegamos o lanche e saímos cedo para a cachoeira: são 7km de asfalto mais 15km de terra para se chegar até lá. Nosso guia neste dia era o João Liz, bom conhecedor das trilhas e cachoeiras das proximidades, pois reside ali bem próximo ao Salto São João.
A caminhada se inicia por uma trilha de meia hora no meio da mata descendo em linha reta para o Rio São João – é uma trilha com muita erosão e deve-se descer com muito cuidado, segurando nas raízes, cipós e troncos de árvores.
Ao chegar no leito do rio, caminhamos por mais 1h30 por trilhas paralelas e, em alguns trechos, por dentro do rio mesmo, até chegarmos à base da cachoeira. Impressionante! É muita água que vem – você fica ensopado só de chegar perto. O lago, bem fundo, oferece perigo para quem quiser nadar e se aproximar da queda d’água, pois o refluxo ali é muito forte e, se você chegar perto da queda não conseguirá voltar; portanto, não é recomendado nadar ali.
O lanche foi sobre uma pedra, de frente para a cachoeira imponente. Voltamos pelo mesmo caminho, revigorados, satisfeitos, felizes.
Já era domingo de Páscoa e neste dia precisávamos ir embora, então retornamos ao hotel e nos preparamos para o retorno.
Mayná Palace Hotel
www.maynatur.com.br
(42) 446-2091
mayna@visaonet.com.br
Mayná Turismo
www.maynatur.com.br
(42) 446.2446
contato@maynatur.com.br
Não espere encontrar restaurantes, lanchonetes ou sanitários nas cachoeiras – apesar do alto potencial natural, Prudentópolis ainda está iniciando no Ecoturismo e os locais não possuem infra-estrutura;
Vá para as cachoeiras preparado com lanche e sacolinhas para trazer seu lixo de volta – não deixe NADA, a limpeza do local depende de você;
Ao visitar a parte alta do Salto Barão do Rio Branco tenha muito cuidado no mirante, pois o local não oferece nenhuma segurança;
Contrate os serviços de guias locais para visitar as cachoeiras mais distantes e para fazer as atividades de aventura – além de garantir que você não se perca pelas estradinhas de terra da região, eles certamente tornarão seu passeio mais rico, te levando nos melhores locais, mostrando os melhores ângulos para fotos e contando histórias da região;
Não deixe de experimentar um almoço na Churrascaria Penteado e um jantar na Pizzaria O Casarão;
Experimente o rafting com o rio cheio – deve ser demais!
Só faça os trekkings para a base dos saltos São Francisco e São João acompanhado de guia local.
Comentários |
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Paulo Jonaspostado: 1/9/2008 13:16:40eu sou de prudentopolis atualmente estou morando no para.ms estou loco par a voltar pois amo essa cidade principalmente as cachoeiras adoro fazer rapel se deus quiser antes do fim do ano esou ai. |
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Mauricio Santos RIbeiropostado: 24/8/2008 23:35:32Nossa... eu estive em Prudentópolis e não vi nem metade dos atrativos que estão nesta matéria! |
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