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Quixadá/CE - A nova meca nordestina dos esportes radicais

O nome “Quixadá”, de origem tupi-guarani, pode ser traduzido como `pedra de ponta curvada`. Nada mais adequado a esta cidade cearense.

11 de Janeiro de 2005. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

A imponência do Açude do Cedro com os monólitos de Quixadá ao fundo

A imponência do Açude do Cedro com os monólitos de Quixadá ao fundo
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

O nome “Quixadá”, de origem tupi-guarani, pode ser traduzido como `pedra de ponta curvada`. Nada mais adequado a esta cidade cearense. Quebrando a monotonia do sertão, Quixadá se destaca por suas incríveis formações rochosas, que abruptamente brotam da terra e expõem sua beleza natural. Há 168 km de Fortaleza, a cidade vem atraindo cada vez mais turistas em busca de aventura, adrenalina e de romper seus próprios limites. Escalada, rapel, trekking e vôo livre estão entre os esportes mais procurados na região e fazem de Quixadá a nova meca nordestina dos esportes radicais.

Pescadores aproveitam a época da cheia para pescar no açude do Cedro

Pescadores aproveitam a época da cheia para pescar no açude do Cedro
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

O rapel e a escalada podem ser feitas em vários pontos da cidade, afinal, para todo lado que se olha é possível avistar os imensos monólitos, pontiagudos, altos e excelentes para essas duas modalidades. O Açude do Cedro é também um dos pontos mais utilizados para o rapel. Com 15 metros de altura e 415 de largura, ele foi inaugurado em 1890, por ordens de D. Pedro II, e era a promessa de fim da seca na região. Mas esteve cheio poucas vezes durante sua história e hoje atrai turistas em busca de sua história secular e de aventura.

O Açude do Cedro visto de cima

O Açude do Cedro visto de cima
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Já o vôo livre é privilegiado pelo relevo, que intercala imensas formações rochosas e longas planícies. Nos finais de semana, dezenas de asas-deltas e parapentes decolam da Serra do Urucum, um dos pontos mais altos e belos da região. Vista lá de cima, Quixadá parece bem menor, cravada entre as imponentes pedras que rompem a linha do horizonte e servem de inspiração para o vôo silencioso dos que desafiam os ventos.

Trilhas

O final trilha da Barriguda

O final trilha da Barriguda
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Para se conhecer a beleza inusitada da região, o ideal é seguir pelas dezenas de trilhas que podem ser feitas em meio aos monólitos de Quixadá. Algumas são bem leves, abertas e rápidas, como a da Barriguda e a das Andorinhas, ambas com pouco mais de 1 quilômetro.

Pedra da Galinha Choca: semelhança impressiona

Pedra da Galinha Choca: semelhança impressiona
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

A trilha da Galinha Choca, com um grau médio de dificuldade é indicada para quem gosta de apreciar o visual. De lá de cima, dá pra se avistar a exuberante paisagem sertaneja.

A beleza do sertão nos arredores de Quixadá

A beleza do sertão nos arredores de Quixadá
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Mas as melhores trilhas são as de aventura, que podem ser feitas incluindo várias modalidades esportivas ao mesmo tempo, durando até vários dias. Segundo o Tenente Masera, coordenador do Radical Clube, empresa local que realiza os passeios na região, Quixadá possui um cenário perfeito para grandes aventuras, com corridas de orientação, tirolesa (travessia com cordas), travessia de rios, escaladas e muito, muito suor. Com larga experiência, adquirida em treinamentos especiais do exército, Masera conta com uma equipe que vem desenvolvendo e catalogando trilhas por toda a região. Para quem não conhece a cidade ou não tem equipamento profissional, o melhor é procurar empresas especializadas em Ecoturismo de Fortaleza, ou diretamente em Quixadá, com o pessoal do Radical Clube.

Escaladas

Início da Descida da Pedra Faladeira

Início da Descida da Pedra Faladeira
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Foi-se o tempo que o Açude do Cedro atraía pessoas apenas por sua grandiosidade e história. Há alguns anos, milhares de turistas que visitam o lugar, também tem suas atenções voltadas para o pico dos morros. Com mais de 80m de altura, a Pedra Faladeira ainda não tem vias demarcadas, mas chegar ao seu topo tornou-se um hábito (de poucos) que vem tirando o fôlego dos visitantes.

Aranha explora as paredes verticais da Pedra Faladeira

Aranha explora as paredes verticais da Pedra Faladeira
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Um dos pioneiros nessa escalada, conhecido como Quido ou Homem-Aranha, confirma as dificuldades, mas garante que vale a pena. Ele ficou famoso em Quixadá por não ter limites quando o assunto é escalada. Segundo os amigos, ele é capaz de subir em tudo. Daí o apelido de super herói. Para descer, a opção é o rapel. Para quem quer começar devagar, a descida das paredes do Açude é uma boa pedida.

As cordas são lançadas para a descida da Pedra Faladeira: adrenalina

As cordas são lançadas para a descida da Pedra Faladeira: adrenalina
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Outra monumento natural que atrai os alpinistas é a Pedra da Galinha Choca. Cartão-postal de Quixadá, este monólito impressiona pela semelhança com uma ave. Além disso, bem no centro da cidade, a Pedra do Cruzeiro não é tão alta, mas é ponto obrigatório de visita.

Início da escalada da Pedra Faladeira

Início da escalada da Pedra Faladeira
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Com tantos altos e baixos, opções não faltam para quem curte escalada e rapel, práticas bastante apreciadas e fáceis de ser aprendidas. Em cursos que duram um fim de semana, é possível aprender teoria a respeito de equipamentos e segurança e já partir para a prática.

Descida da Pedra Faladeira

Descida da Pedra Faladeira
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Em Quixadá não faltam instrutores para quem quer ver o açude lá de cima.

Aventura e trabalho social

Vista geral dos Monólitos: formas de beleza ímpar

Vista geral dos Monólitos: formas de beleza ímpar
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Quixadá é também um importante ponto para o Off road. Incluída no Rali dos Sertões, o mais importante dos ralis brasileiros, tem um jipe clube forte. O Clube Monólitos Off Road possui um grande número de integrantes, que cruzam o sertão em busca de adrenalina e aventura. Formado por médicos, dentistas e outros profissionais liberais, o Jipe Clube aproveita suas travessias em meio a poeira do sertão para praticar a solidariedade: costumam distribuir comida, roupa e fazer atendimentos médicos nas comunidades carentes da região.

Ao redor da cidade de Quixadá, vilarejos típicos do sertão nordestino

Ao redor da cidade de Quixadá, vilarejos típicos do sertão nordestino
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

A prática do motocross também se intensificando na cidade. Nos finais de semana é possível ouvir o ronco das motos, desafiando a lei da gravidade, tentando voar tão alto quanto os monólitos que se destacam na paisagem.

Vôo Livre

1. Formas inusitadas cercam toda a cidade

1. Formas inusitadas cercam toda a cidade
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Mas a grande vocação da cidade está nos céus. Ventos com velocidade de até 50 Km por hora e um relevo singular são ideais para a prática do vôo livre. Considerada a quarta melhor cidade do mundo para a atividade e, ao lado de Governador Valadares – MG, como a dona das melhores correntes térmicas da América do Sul, conta com um importante campeonato internacional. No final do ano, os melhores pilotos do mundo na modalidade se reúnem na cidade para as disputas do Campeonato Internacional X-Ceará. Realizado anualmente, a competição acumula recordes sul-americanos e mundiais, inclusive, o sul americano de distância não declarada, com um vôo de asa delta de 432 km. O piloto francês Mario Alonzi partiu de Quixadá, e pousou onze horas depois, em Teresina, no estado do Piauí. Em 2000 foram mais de 50 pilotos, representando 18 países, e este ano os organizadores prometem muito mais adrenalina e recordes.

Dicas dos Autores

Quixadá também tem casario histórico: aqui, a futura secretaria de cultura

Quixadá também tem casario histórico: aqui, a futura secretaria de cultura
Foto: João Correia Filho e Mônica Canejo

Se tiver oportunidade, não deixe de fazer a escalada da Pedra da Faladeira. Foi lá que fiz escalada pela primeira vez. E, apesar da cidade ser cheia de atrativos, nada se comparou à visão que se tem ao chegar no topo da Pedra Faladeira.

Serviços

Hotel Pousada Pedra dos Ventos
Fazenda Pedra dos Ventos - Juatama
www.pedradosventos.com.br
(85) 257.4464
(85) 9988.4684

Secretaria de Turismo
(88) 412.1581

 

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