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Adrenalina nas águas de Brotas

Brotas é uma pequena cidade no centro do estado de São Paulo, que teve sua rotina completamente alterada quando passou a ser conhecida como a Meca dos esportes radicais.

29 de Julho de 2003. Publicado por Adilson Moralez  

Apresentação

Bóia-cross no Jacaré Pepira

Bóia-cross no Jacaré Pepira
Foto: Adilson Moralez

Brotas é uma pequena cidade no centro do estado de São Paulo, que teve sua rotina completamente alterada quando passou a ser conhecida como a Meca dos esportes radicais. Tudo começou em 1995, quando Renato e Junior fundaram a agência de turismo Mata`Dentro, transformando em negócio a antiga brincadeira de moleque, que consistia em descer as corredeiras do rio Jacaré Pepira em bóias (câmara de ar de caminhão).

No começo era tudo bem simples e improvisado. Hoje, porém, já com o certificado ISO 14001, a Mata`Dentro tem um grande portifólio de produtos ligados ao ecoturismo. Juntamente com isso, vieram muitas outras agências, o comércio se desenvolveu com novas lojas, pousadas, hotéis e a cidade tem hoje um outro astral.

As águas límpidas e radicais de brotas.

As águas límpidas e radicais de brotas.
Foto: Alberto Stabler

Nos finais de semanas e feriados a Rua Mário Pinotti fervilha de botes, bóias e com o vai-e-vem dos turistas se apressando para não perder o próximo programa. Além da tranqüilidade, Brotas tem outro motivo de orgulho, pois é um dos, senão o único, município do estado a ter um rio totalmente limpo cortando o centro da cidade.

Primeiro dia

Aula prática.

Aula prática.
Foto: Adilson Moralez

Já estava chegando na Mata`Dentro, quando recebi uma ligação da agência me dizendo que o grupo já estava pronto e só faltava eu. Fiquei surpreso, pois grupos sempre se atrasam, principalmente se tratando do primeiro dia do feriadão e com o programa começando às 8h00.

Entramos no ônibus com destino à primeira atividade do dia: canyoning na Cachoeira Andorinha, com cerca de 30 metros de altura. Durante o trajeto, o guia apresentou a equipe e nos deu algumas informações sobre o programa. Ao chegar no local, tivemos um treinamento básico sobre o uso do equipamento inclusive com aula prática numa base de madeira. Já devidamente equipados com cadeirinha, mosquetão e oito (dispositivo de freio), fomos para a borda da cachoeira.

Saída do canyoning.

Saída do canyoning.
Foto: Adilson Moralez

Todos entraram em fila se fixando numa corda de segurança e, um a um, íamos descendo com a supervisão e ajuda do monitor. Apesar da água estar gelada, poucos conseguiam sentir frio, tamanha a dose de adrenalina naquele momento. Já no final da descida, o banho era inevitável e, após nos liberar da corda, todos descrevíamos nossas sensações e emoções da nova experiência.

Quando o último desceu, caminhamos até a Cachoeira da Figueira para a segunda experiência do dia. Agora a queda, duas vezes mais alta, impunha mais respeito. Como no final da queda d`água havia muitas pedras, a descida não podia ser na vertical, portanto foi um misto de canyoning com tirolesa. No final da descida atingia-se uma velocidade maior, dando ainda mais emoção.

Cachoeira da Figueira

Cachoeira da Figueira
Foto: Adilson Moralez

Terminada a segunda queda retornamos à cidade para o almoço, que pelas energias gastas nas atividades, foi muito bem vindo. Já às 14h00 tomamos novamente o ônibus e agora o destino era a Morro da Cela. O grupo era maior e a programação composta por um pequeno trekking, subindo o morro.

Misto de rapel e tirolesa

Misto de rapel e tirolesa
Foto: Adilson Moralez

Lá em cima faríamos um rapel e uma tirolesa. O grupo foi dividido em dois e cada um fez uma atividade, invertendo-se logo em seguida. A tirolesa foi a mais emocionante, pois o trecho tinha mais de 120 metros percurso e cerca de 100 metros de altura. Com o cair da tarde fomos presenteados por um magnífico pôr-do-sol de inverno.

Segundo dia

A trilha tinha trechos mais difíceis...

A trilha tinha trechos mais difíceis...
Foto: Adilson Moralez

Nesse dia o roteiro seria a Trilha da Furna do Jacaré. Inicialmente, fomos ao Parque dos Saltos, na área central da cidade, onde foi construída a primeira usina hidrelétrica de Brotas, hoje desativada. Nos foi contada a história do rio e sua importância para a cidade.

E guardava belas surpresas

E guardava belas surpresas
Foto: Adilson Moralez

Logo em seguida, tomamos o ônibus e fomos até o ponto de partida para a caminhando histórica. Boa parte dela acontece às margens de um dos afluentes do Jacaré Pepira, passando pela Usina Jacaré, segunda usina de Brotas. Construída durante a segunda guerra mundial, também está desativada. Na continuação da caminhada passamos novamente pelas cachoeiras Andorinha e Figueira onde o grupo da tarde já estava fazendo o canyoning.

O início da cavalgada

O início da cavalgada
Foto: Adilson Moralez

O programa da tarde foi a cavalgada. Após o almoço, partimos de ônibus para uma das fazendas da região, onde os animais, já prontos, aguardavam o grupo. Partimos com a tropa pelos pastos e trilhas, com a sensação de ter voltado ao passado, pois pelo caminho não havia o menor sinal dos tempos atuais. Cada um se adaptava como podia ao seu animal, pois nem sempre é fácil conduzi-los para onde se deseja.

Terceiro dia

Travessia do pasto com as bóias

Travessia do pasto com as bóias
Foto: Adilson Moralez

O programa da manhã era o Bóia-cross e partimos logo cedo de ônibus para o Jacaré Pepira, onde cada um recebeu os equipamentos de segurança (capacete e caneleira) e, logicamente, sua bóia. Após a divertida e colorida travessia do pasto com as bóias na cabeça, chegamos à beira do rio, onde o guia nos deu as instruções ensinando todas as manobras e dicas de como se livrar dos galhos nas margens.

Descida de bóia-cross

Descida de bóia-cross
Foto: Adilson Moralez

Uma vez todos prontos, pulamos n`água e daí em diante foi só alegria. Havia pontos de corredeiras, onde era preciso `remar` com as mãos para escolher o melhor ponto de descida, e outros de calmaria total, onde o silêncio e o contato com a natureza eram simplesmente incríveis. O final do boiacross é justamente no centro da cidade e, para dar mais um pouco de adrenalina, todos são convidados para saltar da ponte. Após pensar uns 10 min, criei coragem e saltei dos seus cerca de 5 metros de altura.

Trilha de Santa Marta

Trilha de Santa Marta
Foto: Adilson Moralez

Após o almoço partimos para a trilha de Santa Marta, uma bela caminhada passando por várias fazendas, pastos e plantações. Foram trechos de campo aberto e mata fechada, boa parte dentro do rio, porém com água bem rasa, não passando do joelho. O ponto alto do trekking está na chegada à cachoeira, que impressiona pela altura e beleza da queda.

Quarto dia

Todos tinham que trabalhar em equipe

Todos tinham que trabalhar em equipe
Foto: Adilson Moralez

Finalmente o programa mais esperado do feriado: o rafting! Partimos de ônibus para o ponto de apoio da Mata`dentro no Jacaré Pepira. Todos receberam os equipamentos de segurança, as equipes foram formadas e distribuídas pelos botes. Entramos então numa pequena lagoa onde o instrutor de cada bote dava as orientações e os comandos de remos: direita à frente, esquerda ré, e assim por diante. Todos deviam se conscientizar de que, na hora H, tinham que trabalhar em equipe para conduzir o bote pelo local indicado pelo guia.

Muita adrenalina nas quedas!

Muita adrenalina nas quedas!
Foto: Adilson Moralez

Um a um, os botes foram lançados no rio e, para surpresa de todos, apenas alguns metros a frente já havia a primeira emoção - uma pequena queda que já dava a noção do que nos esperava rio abaixo. A cada nova queda a ansiedade aumentava e as emoções iam ao extremo. Para manter o clima, durante os trechos de calmaria, os botes se aproximavam e valia de tudo para derrubar um amigo na água. Quando tudo parecia estar acabado é que veio a última e maior queda. Após vencê-la, o grupo tinha muito mais razão para comemorar e por em prática o grito de guerra criado por cada equipe.

Sem dúvida alguma, após um feriado recheado de aventura e adrenalina, ficará mais fácil encarar uma nova semana de trabalho!

Serviços

Mata`Dentro Ecoturismo
www.matadentro.com.br
(14) 653-1915

Dicas do autor

Adilson Moralez

Adilson Moralez
Foto: Divulgação

Como praticamente todas atividades em Brotas envolvem água, não esqueça roupa de banho e utilize roupas que sequem facilmente, tipo tactel.

Também é importante utilizar um calçado com bastante aderência, principalmente para o rapel e canyoning.

É importante ter uma muda de roupa seca e tênis no ônibus para não voltar encharcado para a pousada.

Não deixe de provar o famoso whisky de Brotas (pinga com mel) oferecido pela agência para rebater a friagem ao término de cada atividade.

 

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