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DIA 5 - MÉXICO

Tivemos nossa primeira mostra do que será a viagem pelos países latino-americanos. Chegamos à fronteira com o México (por Brownsville, Texas) na primeira hora da madrugada desta quinta-feira. Ao contrário de quase todo mundo que passa direto pela aduana m

3 de Maio de 2001. Publicado por Equipe EcoViagem  

Tivemos nossa primeira mostra do que será a viagem pelos países latino-americanos. Chegamos à fronteira com o México (por Brownsville, Texas) na primeira hora da madrugada desta quinta-feira. Ao contrário de quase todo mundo que passa direto pela aduana mexicana - são pessoas que vão apenas até Matamoros, cidade fronteiriça - nós paramos para saber sobre os trâmites de entrada no país. Fizeram que estacionássemos o Forester na área de inspeção e passo 1: ir à imigração. Lá, o oficial insistia que precisaríamos de visto para o país. "Mas nosotros nos informamos junto al consulado mexicano em São Paulo e nos garantiram que brasileiños non necessitam mas de visto", rebatemos em portunhol. Ele, então, mudou a terminologia: "non necessitan de visto, mas necessitan permisso de entrada". Ah bom! Mas o permisso de entrada deveria ter sido obtido em um consulado. Ele sugeriu Miami. O Cacá me viu começar a perder a calma. "Entonces volvemos asta Miami, non?!". Resumindo, o oficial percebeu nossa necessidade de seguir viagem e, depois de uma meia hora, decidiu que iria emitir um permisso, mas teríamos de parar em algum banco pelo caminho para pagar uma taxa. Sem problema, faremos isso.
Depois é que veio a parte mais chata, demorada e, sei lá como chamar... ridícula. Precisávamos liberar o Forester. Juntamos todos os documentos e fomos ao guichê - uma moça que não gostava de estar ali nos atendeu secamente. O primeiro entrave foi o carro não estar em nosso nome, mas contando a história do Desafio e mostrando uma autorização para conduzí-lo, reconhecida pelo Consulado Mexicano, conseguimos vencer esta etapa. O problema maior, e que nos consumiu 2 horas, foi o mais banal. O computador da aduana não aceitava o número do chassi do carro - é que o número do Forester tem um 0, o que confundia a pobre máquina. Não acreditávamos no que estava acontecendo. Foram muitas consultas a superiores até chegar quem liberasse o documento de entrada do carro sem computador para atrapalhar. A parte mais fácil, mas que costuma ser mais desagradável, foi a vistoria do carro. Normalmente podem abrir tudo e criar problemas, especialmente por causa de nossa caixa de mantimentos. Mas tivemos a simpatia dos fiscais, que apenas formalizaram uma "lanternada" dentro no carro e receberam, em troca, nossa simpatia: uma camiseta e alguns adesivos.
Mas chega de problemas. Duas e meia da manhã pegamos a estrada rumo a Tampico e Vera Cruz, duas cidades costeiras no lado caribenho do México. A estrada não se compara às norte-americanas mas, apesar do intenso tráfego de caminhões pesados, curvas e uns poucos buracos, conseguimos vencer os 900 quilômetros até Vera Cruz sem problemas. Vamos ultrapassando muitas caravanas de imigrantes centro-americanos que voltam da terra do Tio Sam para seus países. São cenas circenses, com carros puxando outros carros, carregando bicicletas, geladeiras, fogões, sofás e o que puder imaginar. Por questão de segurança, eles viajam em comboio. Mas muito lento para nós.
Estamos, no momento do envio deste boletim, chegando a Vera Cruz, onde faremos o pagamento do permisso em algum banco. Temos, agora, a parte mais crítica para percorrer no México: os estados de Oaxaca, repleto de bandidagem, e o Chiapas, terra dos revolucionários Zapatistas. Esperamos chegar na fronteira com a Guatemala entre esta noite e o início da madrugada de sexta-feira. Depois contamos tudo como foi. Agora temos um banco a visitar e um recorde a bater. Aliás, para quem estiver invejando esta nossa aventura, console-se em saber que estamos trabalhando muito e não é nada fácil. Coisas como acostumar-se com o cheiro um do outro dentro de um carro fechado, chegando ao quinto dia sem banho. Estamos usando uns lencinhos umedecidos - daqueles de limpar bumbum de nenén - como alternativa. Aliás, nesse período deixamos uma temperatura de menos 30 graus e agora lemos 30 graus positivos no termômetro do Forester. Estamos botando o ar condicionado para funcionar.
Até depois!!!! E continuem escrevendo, estamos adorando ler os e-mails. Nos dá muita emoção e incentivo!

 

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