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Puerto Pirâmides a Trelew

Acordamos cedo, antes das 8:00 h. O sol estava forte transformando a barraca numa estufa insuportável. Somado a esse incentivo, queríamos estar antes das 9:00 h junto a plataforma de embarque dos passeios para avistarmos as baleias, pingüins, golfinhos e

19 de Janeiro de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem  

Acordamos cedo, antes das 8:00 h. O sol estava forte transformando a barraca numa estufa insuportável. Somado a esse incentivo, queríamos estar antes das 9:00 h junto a plataforma de embarque dos passeios para avistarmos as baleias, pingüins, golfinhos e leões marinhos.
Tivemos que passar por um processo de administração do tempo e de nossas tarefas no camping e fora dele, pois a disponibilidade de água para nossas atividades de higiene e asseio estavam condicionadas aos horários determinados pelo camping. Água fria somente entre 8:00 e 10:00 h e entre 14:00 e 16:00 h e água quente somente das 20:00 as 22:00 h. O local, assim como toda a Península Valdes, sofre com a escassez do precioso liquido fazendo com que o racionamento seja permanente. As coisas se agravam ainda mais com o aumento da população devido ao alto verão.
Fomos procurar o barco de Peke Sosa para o nosso passeio. Já havíamos recebido indicações para fazer esse passeio com esse barco, porem não demos sorte, pois só haveria uma sadia a tarde por volta das 15:00 h e não podíamos esperar até esse horário. O próprio pessoal do Peke Sosa fez um contato por radio com as outras embarcações que oferecem o mesmo tipo de passeio (no total são 5 operadoras) perguntando quem teria a próxima sadia e nos encaminhou para o barco do Capitão Pinino.
Fomos imediatamente para lá e acertamos tudo para estarmos na saída que ocorreria as 10:30 h. Como ainda faltavam alguns minutos, resolvemos fazer uns lanchinhos para complementar o nosso café da manhã que tinha sido muito corrido. Recebemos as primeiras instruções de segurança e os coletes salva-vidas ali mesmo junto ao escritório da operadora. O grupo era formado por muitos argentinos e alguns `gringos` (europeus não identificados), num total de 30 pessoas. Na hora do embarque um momento de tensão. - Será que o capitão vai permitir o embarque da Lisa? - ficamos nos perguntando. Sem problemas. A Lisa foi bem recebida a bordo e foi uma atração a mais para as crianças e alguns adultos, e certamente roubou algumas cenas dos lobos marinhos. Embarcamos ainda em seco, ou seja, o barco estava sobre uma carreta na praia e foi rebocado para dentro do mar calmo por um grande trator. Todos os turistas acharam bastante interessante esse procedimento de entrada e saída com a embarcação na água gerando uma serie de perguntas a aquele que viria a ser nosso cicerone durante todo o passeio. Ele nos explicou as vantagens tanto para o turista em termos de conforto de embarque e segurança, bem como a facilidade de manutenção das embarcações. Rumamos em direção a um pontão a cerca de 3 km da praia para avistarmos uma colônia de lobos marinhos. Chegando lá encontramos alguns animais preguiçosamente estirados sobre pedras, algumas fêmeas já com crias nas proximidades e machos em disputas por território ou por fêmeas para compor seu harém. Ficamos observando de dentro da embarcação a uma distância de cerca de 8 metros dos animais. Podíamos sentir o cheiro forte que exalava dos restos de partos recentes, misturado com o odor dos excrementos que vez por outra escorriam pelas pedras e caiam no mar. Alguns animais curiosos vieram nadar bem próximo do barco, brindando-nos com uma vista mais próxima. O guia nos mostrava os animais e falava sobre sua reprodução (08 dias após o parto a fêmea esta apta a uma nova fertilização), período de gestação (11 meses), idade media dos animais (12 anos), peso dos machos adultos (até 600 kg), peso das fêmeas adultas (até 200 kg), peso de um filhote recém nascido (35 kg), período de desmame, troca de pele, época de chegada dos machos (sempre anterior), época de chegada das fêmeas, período de permanência nesse local, etc, etc.
Foi uma verdadeira aula! Ficamos por ali por uns 15 minutos e depois rumamos para uma posição mais ao centro da bahia. Ventava muito e o capitão Pinino resolveu colocar os marinheiros para trabalhar e fazer uma graça para os turistas. Virou o barco deixando o vento na popa (parte de trás do barco) e subiu a vela principal. Os motores foram desligados e pudemos sentir a tranqüilidade de estar ao mar sem a vibração e o ruído, curtindo apenas o sol forte e a natureza a nossa volta. Recebemos alguns refrigerantes para aplacar a sede. As crianças adoraram e deram uma folga para a coitada da Lisa que já estava perdendo a paciência e quase mordendo aqueles pestinhas. Era tanto puxão de orelha, puxão de rabo, beliscão, beijo, abraço e pedido de `patinha` que até a mais paciente das fêmeas de Labrador já estava se transformando numa Pit Bull. Mas ela sobreviveu. O comandante da embarcação ofereceu uma nadadinha aos turistas e quase todos concordaram, recebendo roupas de neoprene , mascaras e nadadeiras. Dirigiu para a costa a todo pano e rapidamente (velocidade excelente de 5 nós) , chegamos a um local de águas calmas onde a maioria do pessoal caiu no mar e puderam gelar suas carcaças. Nós preferimos ir a terra , numa pequena ilha para tirar fotos e apreciar a cena, já que os atrativos na água não eram muitos. De lá , incitamos a Lisa a fazer uma incursão aquática, o que ela adora e aceitou rapidamente. Todos adoraram vê-la nadando e buscando os objetos que lhe atirávamos e foi um bom momento para sua vingança pois as crianças queriam se aproximar dela , mas suas patas ágeis e com unhas fortes eram verdadeiras armas contra os `inimigos`.
Nosso passeio ficou nisso. Nada de baleias , nada de orcas, nada de pingüins, nada de golfinhos ou toninhas. Nossa frustração ainda está alta, o que talvez seja um bom motivo para uma nova visita. Retornamos ao nosso carro após quase 3 horas de passeio e fomos para Punta Delgada onde existem Elefantes marinhos numa colônia que estava apenas começando a chegar. Primeiro vêm os machos com uma antecedência de 2 a 3 meses. Eles trocam a pele , num processo que chega a durar 2 meses e durante esse período não comem nada, apenas ficam na areia deitados , tomando sol. De vez em quando vão até a água com seus movimentos ondulantes de corpo, molham-se e retornam a areia para mais um período de `fazer nada`. Parecem muito calmos e pacíficos , mas segundo informações dos guarda-parques, são extremamente rápidos quando querem e muito agressivos, podendo alcançar uma pessoa numa corrida facilmente, portanto, nada de chegar perto dos gordinhos. A observação mais próxima , feita da praia , somente em presença dos pesquisadores e guarda-parques , sempre sentados ou agachados pois os animais não toleram ver nenhum ser vivo `vertical` , o que eles consideram como ameaça. Não podíamos conversar ou fazer barulho , pois qualquer ruído poderia espanta-los ou irrita-los. Fizemos algumas fotos e fomos para Punta Norte onde encontramos uma Loberia com (agora sim !!!) milhares de lobos. Era uma barulheira danada com gritos de filhotes famintos , mães desesperadas e brigas de machos constantemente. Pudemos presenciar uma fêmea sendo roubada de um harém. O macho , dono da fêmea , não podia tomar conta de todo o seu `patrimônio` e estava sujeito a ataques constantes pois a população naquele local era muito grande de maneira que o outro macho se aproximou, entrou no harém , deu umas peitadas na fêmea, entrou no caminho entre o resto do grupo e a fêmea e não permitiu seu retorno. A cada movimento do corpo do macho a fêmea se afastava mais do grupo. Seu filhote ficou dividido entre que caminho tomar , mas acabou aderindo ao corpo da mãe. A certa altura da luta o macho ladrão chegou a atropelar o pobrezinho. Pensamos por um momento que ele estivesse morto, tamanho o peso do grandalhão , mas ele saiu de lado gritando e procurou novamente o corpo da mãe. O macho antigo , bem que tentou várias vezes recuperar sua `amada` mas seus esforços estavam permeados com o medo de perder outras fêmeas, pois existiam outros machos por perto só esperando para fazer o mesmo. Foi muito interessante ver como a natureza se manifesta. Também tivemos a sorte de presenciar um parto e todas as ações da mãe e do grupo ao seu redor , dando-lhe proteção nesse momento mágico. Fizemos muitas fotos e filmamos tudo e saímos com um sorriso de orelha a orelha pensando - Agora sim valeu a pena o passeio !
Deixamos a Península Valdes por volta de 20:00 h com destino a cidade de Trelew onde procuramos um hotel. Na verdade foi um retorno pois ela já havia ficado para trás em nosso itinerário cerca de 70 Km, mas pretendíamos fazer uma loucura. Desviar nossa rota para o Oeste em direção a Cordilheira para subirmos por San Carlos de Bariloche.
Ficamos num hotel antigo , bem no centro da cidade, com móveis de madeira escura e um hall na recepção com um pé direito alto de uns 7 m. O Elevador era aqueles de porta pantográfica com capacidade para apenas 4 pessoas e que não sobe nem desce se tudo não estiver bem fechado em todos os andares. Para nosso azar , ficamos no 4 andar.
Uma coisa que descobrimos logo na primeira noite em hotéis nessa viagem foi que as hospedagens tem uma predileção por colchões vagabundos e moles aos quais eu carinhosamente apelidei de `canoas`. Era muito interessante deitar-se nas canoas e acordar todo torto parecendo uma vírgula. Minhas costas doem só de lembrar. Após nos instalarmos, fomos a um restaurante , bem ao lado do hotel onde encontramos um tenedor libre, ou seja comida a vontade com churrasco e sobremesas. Tudo isso administrado por uma chinesa ( ! )
Foi uma surpresa e muito engraçado ver aquela senhora sozinha comandando 2 garçons , um churrasqueiro , a cozinheira, os pedidos de bebida, o caixa , os pedidos para viagem e vê-la falando em espanhol com aquele sotaque chinês, tudo isso dentro de uma roupinha made in Hong-Kong!!!

Lobos marinhos no passeio de barco em Puerto Piramides

Lobos marinhos no passeio de barco em Puerto Piramides
Foto: Nilton Val

Diversao na agua gelada

Diversao na agua gelada
Foto: Nilton Val

Parada em uma das salinas da Peninsula Valdes

Parada em uma das salinas da Peninsula Valdes
Foto: Paula Lima

Loberia em Punta Delgada

Loberia em Punta Delgada
Foto: Nilton val

Loberia em Punta Norte

Loberia em Punta Norte
Foto: Nilton Val

 

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