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16 de Julho de 2007. Publicado por mnaomik
HELOISA LUPINACCI
da Folha de S.Paulo
O mercado Modelo, em Salvador (BA), é uma espécie de máquina de baianidade. Funciona assim: você entra por uma porta turista paulista --ou mineiro, ou alemão-- e sai pela outra porta meio baiano.
É que, pelos corredores desse mercado, o visitante entra em contato com todos os clichês baianos de uma vez só. Então, ao sair de lá, palavras como dendê, iansã, berimbau e tudo o mais que forma o léxico do turismo em Salvador parecem tão familiares como pai e mãe, cachorro e casa. Todos os dias, 2.000 turistas passam por esse processo de baianização.
Agora, o bom e velho mercado, ponto turístico mais visitado da capital da Bahia, passará por restauração --com pintura, retirada de infiltrações e recuperação do telhado, do estacionamento e dos banheiros. O ministério do Turismo entrou na vaquinha com R$ 1 milhão.
Patrimônio histórico nacional desde 1966, o mercado verá sua galeria subterrânea ser transformada em espaço para exposições. Será curioso ver visitantes apreciando obras de arte no espaço que, ao menos hoje, não tem ventilação, é alagado, quente e incômodo.
Os 8.400 m2 do mercado são uma central soteropolitana de suvenires -alguns de muito mau gosto, é verdade, mas há boas compras. O turista deve regatear, fazer sotaque de baiano e dizer que cresceu por aqueles corredores na tentativa de baixar os preços.
Para começar, compre uma figa. Há umas enormes, para pendurar no pescoço e ficar livre do mau-olhado. Chinelões de couro (a partir de R$ 30) substituem com muito estilo as globalizadas havaianas. Para as meninas, as camisolas de cambraia com rendas à la Gabriela Cravo e Canela são o que há de melhor (a partir de R$ 15). Para os meninos, camisas de cambraia com nervurinhas na frente (a partir de R$ 30).
Fonte: Folha Online