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2 de Maio de 2008. Publicado por ABETA
Por: Silvio Hamaué e Raul Amaral Rego* - O Estado de S.Paulo
Nas diversas modalidades de turismo, desde o início da viagem até o retorno ao local de origem, os turistas estão sujeitos a riscos que, se ignorados, podem causar pequenos contratempos ou até mesmo levar à morte. Apesar disso, é natural que as pessoas prefiram dar ênfase apenas ao lado prazeroso da experiência. De um lado, as agências tendem a valorizar os destinos com apelos promocionais. De outro, os turistas buscam o escape do mundo real e imaginam encontrar um lugar idealizado, sem perigos.
Ninguém gosta de fazer o papel de chato, com recomendações que possam parecer um mau agouro, e muito menos se assemelhar a um turista de primeira viagem, preocupado e temeroso diante de um lugar desconhecido. Sendo assim, é mais fáci l adotar um acordo tácito e fazer de conta que a ocorrência de perigos fica reservada à sorte ou à fatalidade. Será?
Muitas vidas se perderam nos transportes, em acidentes aéreos que resultaram de falhas nos sistemas de segurança. Se considerarmos somente os prejuízos financeiros, podem ser destacadas as longas esperas nos aeroportos, cada vez mais comuns e que acarretam diversos transtornos aos turistas.
Nas rodovias, em feriados ou em fins de semana, crescem os registros de vítimas. E os resultados positivos das recentes operações realizadas pelas autoridades de trânsito são uma clara prova de que as incidências podem ser reduzidas com algumas poucas medidas administrativas.
A segurança alimentar é outro aspecto pouco observado em muitas viagens turísticas. Além dos casos fatais, que são mais raros, o consumo de alimentos condimentados, muito gordurosos ou contaminados com bactérias costuma estragar muitas temporadas de lazer. Além de problemas no sistema digestivo, a má alimentação pode provocar doenças graves como a hepatite. Também o abuso de bebidas alcoólicas pode acabar em situações constrangedoras.
No ecoturismo e no turismo de aventura há riscos mais evidentes, como nas práticas de escalada ou de rafting, em que se pressupõe que o turista tenha sido avisado dos perigos iminentes. Mas o leitor talvez se assuste ao saber que é elevada a incidência de acidentes na prática de caminhada - alguns fatais. São pessoas que realizam esforço acima de sua capacidade física, sofrendo desidratação ou problemas cardiovasculares. Outras se descuidam em terrenos acidentados e acabam caindo e se machucando. A falta de preparo de alguns instrutores e equipamentos sem manutenção também são causas comuns de acidentes.
Outros perigos podem ser destacados, como é o caso de assaltos, roubos e seqüestros. Também existem comerciantes e motoristas de táxi que enganam e prejudicam o turista. Há os viajantes que se perdem em matas e até mesmo em bairros distantes, e aqueles que são surpreendidos por riscos ambientais, como quedas abruptas de temperatura, baixa taxa de umidade do ar, excesso de poluentes, enchentes, etc.
São tantas as hipóteses de ocorrerem contratempos ou desgraças que ignorá-las constitui um sério ato de negligência por parte das empresas que atuam na cadeia produtiva do turismo. Para corrigir essa situação, há no Brasil um sério trabalho de criação de normas de segurança, de sistemas de certificação, de treinamento gerencial e de formação profissional, a fim de estimular e apoiar as empresas a adotarem métodos gerenciais capazes de analisar os perigos existentes nas atividades turísticas, estabelecer procedimentos de prevenção de riscos e, conseqüentemente, oferecer serviços mais seguros.
Para reverter esse quadro, será fundamental a colaboração de todos que trabalham com turismo, de modo a destacar a segurança como fator central de suas estratégias e operações. Isso vai requerer uma mudança comportamental para que, ao menos, as normas sejam respeitadas e os procedimentos de segurança, rigorosamente seguidos.
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Por: abeta
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