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6 de Novembro de 2007. Publicado por Vininha F. Carvalho
O público que for conferir a II Feira Nacional de Arte e Artesanato–Febraarte poderá relembrar a história do Estado e do País e fazer um rápido "passeio turístico" através do tema escolhido para esta edição: "Engenhos de Açúcar de Pernambuco".
O evento, um dos mais importantes do segmento de artesanato no Brasil, será realizado de 23 deste mês (novembro) a 2 de dezembro deste ano (2008), das 14h às 22h, numa área de 35.400 metros quadrados do pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon), em Olinda.
A expectativa da organização é reunir mais de três mil expositores/artesãos e comerciantes afins, de 27 Estados e 09 países, e movimentar cerca de R$ 3 milhões em negócios, 50% mais que na primeira edição da Febraarte (2005). O público esperado durante os dez dias de evento é de 350 mil pessoas, fazendo, em média, 3,5 mil visitantes, por dia.
A coordenadora da II Febraarte, Angela Cahú, explica que a escolha pelo tema se deu em função da própria história da formação social e econômica do nosso Estado, da reverberação turística do assunto e da interação do assunto com a produção cultural artesanal.
Segundo a coordenadora, a herança das antigas propriedades, constituídas pelo conjunto arquitetônico composto pela casa-grande, senzala e moita, está presente até os dias atuais, constituindo um dos recursos culturais mais representativos de Pernambuco.
"Pernambuco foi o principal centro industrial da produção açucareira do Brasil no período colonial. Os espaços de exposição da II Febraarte mostrarão, através das artes, os aspectos culturais e a utilização turística, tão comum atualmente, dos engenhos de açúcar de Pernambuco", antecipa Angela Cahú.
O cenário do pavilhão de Cecon já pode ser imaginado, portanto. O público vai conferir, por exemplo, um autêntico engenho movido à tração animal numa área de 504 metros quadrados na área de exposição. Funcionará com a produção e comercialização de rapadura, alfenim, puxa-puxa, mel e caldo-de-cana.
Numa área de 180 metros quadrados, será 'recriada' uma típica cozinha de engenho com objetos de cobre, potes, jarras, colheres de pau, gamelas, aribés, bordados e rendas engomadas, alguidares, fogão à lenha... Mucamas, vestidas à moda colonial, comercializarão doces e licores.
PRAÇAS VERDES:
Responsabilidade com a preservação do meio ambiente. O assunto também será foco na II Febraarte. Haverá nove praças verdes, com 324 metros quadrados, que retratarão nove engenhos do Estado: Uruaé; Camaragibe; Poço Comprido; São Pedro; Cordeiro; Água Doce; Laje Bonita; Pedregulho; e Cueirinha.
Ficarão localizadas em pontos estratégicos ao longo das ruas de circulação da feira. As praças serão ambientadas por profissionais de arquitetura: Alexandre Buffa; Palmira Amorim; Romena Luna; Maria do Carmo Scanoni; André Dantas; Tereza Moreira; Kátia ferrão e estudantes das Faculdade Boa Viagem e FAUPE-Faculdade de Pernambuco
Um concurso vai premiar a praça mais bonita e melhor decorada. Cada praça, batizada com um nome de engenho, "adotará" uma instituição beneficente que lide com crianças, adolescentes ou idosos.
O público é quem vai escolher a praça vencedora através de votação em urnas eletrônicas, localizadas nas entradas de acesso. A premiação, em dinheiro, conferida à praça ganhadora será destinada à instituição adotada pela mesma. O arquiteto que tiver projetado o espaço vencedor ganhará uma viagem à ilha de Fernando de Noronha.
EXPOSIÇÕES:
O artesanato brasileiro é reconhecido no Exterior por sua qualidade e originalidade. Atualmente, inúmeras obras de artesãos brasileiros integram o acervo de importantes museus do mundo.
A II Febraarte vai oferecer ao público vários espaços, no seu showroom, onde será possível contemplar peças de mestres de vários Estados brasileiros.
Ei-los:
- Salão de Artes Plásticas e Exposição de Fotografias-Reunirá, numa área de 180 metros quadrados, trabalhos de artistas e fotógrafos brasileiros que abordam a temática do ciclo da cana de açúcar.
- Exposição de uma cozinha de engenho-Numa área de 180 metros quadrados, será 'recriada' uma típica cozinha de engenho com objetos de cobre, potes, jarras, colheres de pau, gamelas, aribés, bordados e rendas engomadas, alguidares, fogão à lenha... Mucamas, vestidas à moda colonial, comercializarão doces e licores.
- Exposição de um Engenho de Cana de Açúcar-O público poderá conferir um autêntico engenho movido à tração animal numa área de 504 metros quadrados. O local vai funcionar com a produção e comercialização de rapadura, alfenim, puxa-puxa, mel e caldo da cana.
- Exposição indígena-Uma autêntica oca será instalada numa área de 405 metros quadrados e servirá de cenário original para exposição de artesanato indígena. Utensílios de cozinha, indumentária, bijuterias, entre outros artigos, serão comercializados diretamente por grupos autóctones.
A II Febraarte, um grande evento cultural que oferece as condições ideais para comercialização do artesanato do Brasil e do Exterior, tem por objetivo divulgar e contribuir assim para a valorização da cultura local, com foco no viés econômico. A feira é realizada pela ASPA–Projetos e Assessoria LTDA..
HISTÓRIA:
Os engenhos eram unidades de produção de açúcar mascavo auto-suficientes, compostas pela casa de engenho (local da maquinaria e instalações fundamentais para a obtenção do açúcar e até de cachaça em alguns lugares); pela casa grande (moradia da família proprietária); pela senzala (lar dos escravos); por uma pequena capela; e por uma escola. Na propriedade, junto aos canaviais, existia uma parcela de terras reservada para o gado e roças de subsistência.
O açúcar produzido em Pernambuco era exportado para o mercado europeu. O monopólio português sobre o açúcar assegurava os lucros consideráveis aos senhores de engenho e à Coroa. Esse monopólio terminou quando os holandeses começaram a produzir açúcar nas Antilhas, na segunda metade do século 17. A concorrência e os limites da capacidade de consumo na Europa provocaram uma rápida queda de preços no mercado. Para completar, a Europa passou a usar a beterraba na produção de açúcar.
Com o intuito de enfrentar a crise, o Brasil decidiu investir na construção de ferrovias e na modernização dos engenhos de açúcar. Nas últimas décadas do século 19, os proprietários mais ricos compraram máquinas para a produção do açúcar cristal. Esses engenhos modernos foram chamados de engenhos centrais e usinas.
Com o fim da monocultura canavieira, a maioria dos engenhos virou fazendas, outros se tornaram assentamentos. Os engenhos de Pernambuco tornaram-se um forte atrativo cultural e vêm motivando a visitação de grupos turísticos interessados na reconstituição da história colonial.
De olho nesse mercado, os proprietários de engenho, mesmo investindo em pecuária e noutras culturas, passaram a recuperar a estrutura básica da arquitetura canavieira: casa da moenda, casa grande, capela, senzala e casa de purgar, local onde eram feitos os pães de açúcar. Uma alternativa rentável para eles, uma boa pedida para quem busca viajar no tempo e fugir do agito da cidade grande.
SAIBA UM POUCO SOBRE CADA ENGENHO:
ENGENHO ÁGUA DOCE:
Localiza-se no município de Vicência, às margens da PE 74, km 10, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, a 87 quilômetros de Recife. Foi construído há 200 anos e pertence à família Andrade Lima. Em 1958 encerrou suas atividades e moagem. As canas, a partir de então, passaram a ser vendidas para as usinas. A restauração da moita, onde funciona a moagem, aconteceu em 2002. No ano seguinte, moenda, alambique e serpentinas de cobre, caixas de separação de cachaça e barris de carvalho começam a produzir cachaça artesanal para o mercado interno.
ENGENHO CAMARAGIBE:
A 20 quilômetros do centro do Recife, o Engenho Camaragibe fica localizado no município de Camaragibe, na Região Metropolitna do Recife. Data de 1549, (Camara = planta, gibe = rio 'na língua tupi-guarani') foi o que mais deu lucro à coroa portuguesa, seguido pelos de Itamaracá e Igarassu. A excursão constitui-se de visitas às dependências externa e interna da casa grande.
A garotada mostrou grande entusiasmo ao visitar o local onde antes era a senzala, a capela e onde se moia a cana. O engenho era movido à água, e conseguiu durante um bom tempo ser o maior produtor de açúcar de Pernambuco, segundo afirmação da filha da proprietária, senhora Dolores Amazonas.
O engenho pertenceu a Fernandes Vieira, um dos mais importantes donatários da capitania de Pernambuco.No século XVII no local onde já existia o engenho foi construída a casa-grande, que pertence até a data de hoje à família Amazonas.
ENGENHO CUEIRINHA:
Localizado a apenas a 70km de Recife, acesso pela BR 408, Recife - Nazaré da Mata, seguindo pela PE 59, em direção a cidade de Buenos Aires. Construído em 1933, o Engenho Cueirinha faz parte da história de Pernambuco. Um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do século XVIII,o engenho como tantos outros, impulsionou o desenvolvimento do estado contribuindo para o fortalecimento da sua economia e enriquecimento da cultura.
O Engenho Cueirinha proporciona um Turismo Rural diferenciado, pois oferece vários passeios temáticos que mostram a história do cliclo da cana- de-açúcar e também a riqueza da cultura pernambucana, através de manifestações folclóricas e do artesanato, típico da região. Você vai conhecer de perto os engenhos históricos, trilhas no canavial, prédios coloniais, e os mais autênticos grupos de Maracatu Rural.
ENGENHO LAJE BONITA:
Dista apenas 60 km partindo do município de Garanhuns e 115 km partindo de Maceió, no município de Quipapá, na Mata Sul de Pernambuco. A água é o elemento mais marcante do entorno do empreendimento pelas barragens, bicas ou corredeiras formadas pelos rios da região. Na propriedade há 13 hectares de reserva florestal.
Na propriedade há o antigo Engenho Bangüê que produz cachaça, açúcar mascavo, mel de engenho e rapaduras. Adquirido por volta de 1890 por Carlos Leocádio Vieira que construiu o engenho de rapadura na mesma década. Inicialmente movido por tração animal (burros de carga), a sua famosa Roda D'água foi construída alguns anos mais tarde com ferro fundido trazido da Inglaterra por navio.
Em 1990 o seu neto Paulo Fernando Vieira assumiu a administração da produção e hoje, herdeiro da propriedade, mantém a tradição secular de dedicação à produção de rapadura com incremento de novos produtos como a rapadurinha em tabletes de 20,5g e em barra piramidal de 80g, o açúcar mascavo integral e o mel de engenho e ainda retomou a destilação da cachaça artesanal de alambique.
ENGENHO PEDREGULHO:
Localizado na entrada de Nazaré da Mata, a 60 quilômetros do Recife, o Engenho Pedregulho é um fascinante destino cultural. Com sua Casa Grande e moita, o Engenho atualmente recebe visitantes oferecendo pesque-pague, parque infantil e restaurante com especialidade na gastronomia regional. Os pratos mais tradicionais e exóticos da região podem ser encontrados por lá.
ENGENHO POÇO COMPRIDO:
Situado em Vicência, com acesso pela BR-408 e PE-74. Localizado no alto de uma colina, no Vale do Siriji, é uma construção simples, do século 18 – que já serviu de refúgio para Frei Caneca, líder da Confederação do Equador (1825). Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ganhou reforma recentemente.
Paredes pintadas de branco, detalhes em azul nas portas e janelas, tudo como no original. Esse é um dos raros engenhos que têm uma característica curiosa: da casa grande para a capela, existe uma passagem para que a família dos senhores de engenho não se misturassem aos escravos. Já a senzala não está mais lá, mas, segundo os pesquisadores, os baobás (árvores africanas) denunciam o possível lugar que ela ocupava.
ENGENHO SÃO PEDRO:
Localizado próximo ao centro do município serrano de Triunfo (o mais alto do Estado), a 355 quilômetros do Recife, no sertão pernambucano, data do início do século passado. E vem sendo restaurado nos últimos anos. A sua recuperação surgiu da vontade do proprietário, neto de Senhor de Engenho, de produzir cachaça e rapadura de qualidade, obedecendo aos preceitos de produtos orgânicos (ecologicamente corretos).
A cana-de-açúcar, utilizada na elaboração de rapadura e de alfenim e na produção da cachaça e do licor Triumpho, é cultivada apenas com adubo orgânico.
A Cachaça Triumpho destilada em alambique e envelhecida em barris de carvalho possui características singulares de aroma e sabor propiciadas pelo cultivo da cana e ritual de produção em região de terras altas, acima de 1000 metros de altitude. O Engenho São Pedro faz parte de um complexo rural junto com Águas Parque e a Pousada Baixa Verde.
ENGENHO URUAÉ:
Situado a 71Km do Recife, no município de Goiana - PE 75 à 64 Km de João Pessoa, acesso principal através da BR 101. Inteiramente preservada, a propriedade - de 1736 - é praticamente um museu, embora abrigue ainda os descendentes de seus moradores originais. Está repleto de móveis e antiguidades.
Entre os atrativos, estão a visitação à Casa Grande, à capela datada do século XVII; exploração completa sobre fatos históricos, visitação à senzala com fotos de usos e costumes da época da escravidão. A principal atividade econômica da Região Nordeste durante os primeiros séculos da sua história foi a agroindústria do açúcar.
A palavra "engenho" que denominava as moendas usadas para espremer a cana teve seu significado ampliado e passou para a plantação em si, mais os edifícios usados na fabricação do açúcar e também o conjunto composto de casa-grande, capela e senzala.
FAZENDA ENGENHO CORDEIRO:
Localizado há 60 quilômetros do Recife, no município de Carpina, na Zona da Mata Norte do Estado. As atrações da propriedade se espalham pelos seus 600 hectares. Atualmente a RUC Fazenda Engenho Cordeiro tem por base econômica o plantio da cana-de-açúcar, e a pecuária com a criação de gado bovino da raça Nelore e de ovinos Sta. Inês, além do turismo rural (desde 2000).
Os primeiros documentos encontrados, sobre a Fazenda Engenho Cordeiro, datam de 1850. A base colonial da atual arquitetura da Casa Grande e da Moita, foram edificadas em 1867. A atual Casa Grande foi edificada em 1950.
O engenho moeu ativamente ate 1957. Posteriormente, a moagem de suas canas passou a ser feita pelas grandes usinas da região, devido ao melhor aproveitamento econômico da matéria prima, transformando-a em açúcar, álcool e melaço.
Informações: www.febraarte.com.br
Fonte: Officina Texto
Del Valle Editoria
Contato: vininha@vininha.com
Site: www.animalivre.com.br
Comentários |
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EDUARDO AUGUSTO DE SANTANA- UFRPEpostado: 17/10/2008 15:48:20GOSTARIA DE SABER SE VOCÊS DISPÕEM DE INFORMAÇÕES SOBRE ENGENHOS DA MATA SUL PERNAMBUCANA. POIS, ESTOU PESQUISANDO A ARQUITETURA COLONIAL DAQUELA REGIÃO E PARA TANTO, ESTOU JUNTANDO INFORMAÇÕES DAQUELA ÁREA. |
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