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Regulamentar a cabotagem colocará um ponto final na concorrência predatória

O sentimento de mobilização dos hoteleiros com relação à atuação desenfreada dos navios no litoral brasileiro está crescendo. O manto do bom senso está levando muita gente a rever os seus conc

4 de Junho de 2007. Publicado por Lyanne Rehder  

O sentimento de mobilização dos hoteleiros com relação à atuação desenfreada dos navios no litoral brasileiro está crescendo. O manto do bom senso está levando muita gente a rever os seus conceitos sobre o efeito nocivo da cabotagem em águas nacionais.

Em uma recente reunião de uma regional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), o proprietário de um veterano hotel quatro estrelas deu a seguinte explicação aos seus colegas: “imaginem se na alta estação a American Airlines e a United trouxessem os seus aviões para realizar vôos domésticos no Brasil, transportando só brasileiros e realizando uma concorrência predatória com os empresários brasileiros" É exatamente isso que as empresas que fazem cabotagem no litoral brasileiro exercem. São hotéis flutuantes que vem concorrer com a gente só na alta temporada, e depois vão embora...”.

Um dos erros em todas as matérias, inclusive do próprio JT, é se referir à cabotagem como cruzeiros marítimos. As viagens internacionais, ou melhor, os cruzeiros que passam pelo país trazendo estrangeiros, portanto, divisas, são bem vindos e esse tipo de viagem marítima acaba servindo de cortina protetora para a ação predatória exclusiva no mercado interno.

O trade deve incentivar a vinda de cruzeiros internacionais. O Brasil cresce nesse cenário, inclusive o Rio de Janeiro. O que não devemos ficar omissos é para os barcos que estacionam nas nossas águas, que transportam só brasileiros e depois partem carregados de reais e deixando a nossa hotelaria sem seus hóspedes.

O modelo de contrapartida que propomos é simples. Basta limitar a comercialização para obrigar que esses grandes operadores internacionais usem a sua força de venda no exterior e tragam turistas estrangeiros. É só estabelecer uma cota para que 40% da ocupação seja reservada para passageiros não residentes no Brasil.

O atual quadro cambial será ainda mais cruel para a temporada que se aproxima. As viagens domésticas em navios, que são pagas em dólar, ficaram com preços menores, o que atrairá mais passageiros e deve tirar hóspedes que poderiam passar suas férias em resorts brasileiros.

Essa idéia acaba de ganhar um valioso aliado. Janick Daudet, presidente do Club Med na América do Sul e que sempre se manteve distante das associações de resorts, em recente entrevista à TV JB, confirmou o seu apoio à idéia de uma cota para não residentes. “O turismo brasileiro poderia ganhar muito, já que essas companhias internacionais possuem uma força de venda muito forte no exterior e poderiam trazer estrangeiros para ocupar parte das suas viagens no Brasil. Todos nós estamos sentindo o efeito desta concorrência que ocorre em cada alta temporada”, afirmou Daudet. Ele sabe o que fala: no passado, foi diretor de cruzeiros do próprio Club Med, do qual faz parte do board internacional.

Regular a cabotagem desses barcos internacionais em águas brasileiras, estabelecer uma cota para não residentes e apertar a fiscalização trabalhista deverá ser a saída que o mercado vai buscar.

A defesa do turismo: uma missão que o JT leva muito a sério

Na edição passada abrimos espaço para reclamar do que ocorreu em Santa Catarina e que demonstrava um excesso na exposição de pessoas que acabavam sendo previamente condenadas por uma vergonhosa exposição pública. A manchete do Jornal de Turismo foi praticamente reeditada na última semana de maio, quando os maiores jornais brasileiros dedicaram as suas manchetes para o protesto nacional que tomou conta com uma nova operação da Polícia Federal.

Como veículo especializado, fomos os únicos a assumir uma corajosa posição em defesa de empresários do turismo, vitimados pelo circo de mídia armado. A dor dessas vítimas foi agravado pela omissão, não só de lideranças do trade, mas de todos aqueles que se dedicam ao jornalismo especializado.

A missão de um jornal não é apenas informar, mas também de formar. De formar opinião e fazer surgir um sentimento de indignação perante o errado, o vergonhoso, o que não é justo.

Ao ver a essência da nossa manifestação ser reproduzida nas manchetes de jornais nacionais que hoje questionam em conjunto os excessos da Polícia Federal e destas operações que já beiram o sensacionalismo, nos sentimos mais confiantes para seguirmos em frente na nossa missão. Foi assim na defesa da Varig. Por muitas vezes nos sentimos sozinhos. A omissão da mídia no caso da maior companhia aérea do País foi patético.

A mesma solidão ocorreu em Santa Catarina. A ampulheta do tempo sempre nos ajuda a provar que estávamos certos. O pecado da omissão nunca poderá se manifestar quando se pratica um jornalismo com dignidade, com verdade e que se traduz numa missão, onde os elementos de covardia não se manifestam.

Cláudio Magnavita é presidente da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet), membro do Conselho Nacional de Turismo e diretor do Jornal de Turismo.

Fonte: Jornal de Turismo

 

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