9 de Novembro de 2007. Publicado por Vininha F. Carvalho
O Brasil possui o maior projeto de produção de energia eólica da América Latina, o Parque Eólico de Osório. A planta, instalada cerca de 100 quilômetros de Porto Alegre (RS), no município de Osório, tem potência instalada para a geração de 150 megawatts, ou 425 milhões de kilowatts/hora por ano, o que é suficiente para abastecer meia capital gaúcha por doze meses ou 650 mil residências.
O Parque, já em funcionamento há um ano, colocou o nosso País em sintonia com as nações mais desenvolvidas do planeta. Atualmente ele é o responsável pela produção de mais de 50% da capacidade eólica total instalada no território brasileiro.
O projeto é subdividido em três parques - Osório, Sangradouro e Índios – constituídos por 25 aerogeradores cada, de dois megawatts, que somam de 75 máquinas. Do ponto de vista de infra-estrutura, o Parque Eólico de Osório exerce um papel importante na nossa matriz energética.
Em relação ao desenvolvimento científico, a sua construção acrescentou significativo “know how” ao Brasil na área de energia eólica, o que foi possível graças às inúmeras inovações tecnológicas trazidas ao País, além da nacionalização de cerca de 60% dos equipamentos de última geração utilizados na planta.
Antes do início das atividades do parque, dezenas de técnicos brasileiros foram treinados na Europa, durante um mês, o que propiciou intercâmbio de experiências profissionais com especialistas daquele continente.
Ao mesmo tempo em que os Parques geram energia limpa e inesgotável, evita a emissão de gás carbônico, um dos agentes responsáveis pelo aquecimento global conforme alerta a comunidade científica, no sistema brasileiro de geração de energia elétrica. Ao inserir a energia gerada em Osório no Sistema Interligado Nacional, evita-se que a energia tenha de ser gerada em outro ponto do País, como em termoelétricas a carvão ou a óleo diesel.
Com isso, por ano, nada menos que 148.325 toneladas de gás carbônico deixam de ser despejadas na atmosfera graças às operações em Osório. Isso rendeu ao projeto o reconhecimento pelo Comitê Executivo de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) como “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL”, conforme prevê o artigo 12 do Protocolo de Kyoto.
“Temos orgulho do trabalho que estamos desenvolvendo aqui”, diz Marcos Antonio Morales, diretor da Enerfin, do grupo Elecnor que é responsável pelo empreendimento
O investimento nos Parques Eólicos de Osório somaram até agora R$ 670 milhões. Os recursos são provenientes de capital inteiramente privado, não especulativo, gerador de infra-estrutura, que veio ao Brasil para ficar. Partes dos investimentos foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) por meio de um consórcio firmado entre os bancos ABN-Amro, Banco do Brasil, Banrisul, BRDE, Caixa RS e Santander. Toda essa estrutura financeira recebeu da Revista Euromoney, o prêmio “Deal of the Year 2005 da América Latina”, no segmento de energias renováveis.
Desde que se instalou na região de Osório, a Ventos do Sul, tem dado total prioridade à participação de empresas gaúchas no projeto (num total de 40) e está gerando cerca 100 empregos diretos em sua operação. Antes disso, no período de implantação dos três parques, foram criados mil empregos diretos e cinco mil indiretos.
O senador Inácio Arruda (PCdoB–CE) acredita que o potencial de produção de energia eólica existente no País hoje é uma das soluções para destravar o desenvolvimento político do tema.
“O Brasil precisa de uma política energética que priorize a instalação de fábricas com sustentabilidade econômica”, disse Arruda.
O senador entende que bombear águas, aquecer ambientes, ligar máquinas e realizar muitas tarefas usando a energia através da força do vento contribui para o meio ambiente não apenas por ser uma energia limpa, mas, principalmente, por não emitir e até reduzir as emissões de gás de carbono (CO2) na atmosfera.
A energia eólica é uma forma de energia solar na qual os ventos aliviam a temperatura atmosférica e as diferenças de pressão causadas pelo aquecimento irregular da superfície da Terra fazem o ar se movimentar.
Os debates sobre energia renovável que acontecem frequentemente entre especialistas do setor e parlamentares têm demonstrado que uma parcela da sociedade preocupa-se com novas fontes de energia para os próximos anos.
Para o professor de energias renováveis e geoprocessamento, da Universidade de Brasília (UNB), José Juan Verdésio, dentre as energias renováveis, a energia eólica é a que vai crescer mais rapidamente por não gerar emissões poluentes.
“O Brasil já dispõe de algumas instalações onde há mais recursos, como o Sul e Nordeste, são “fazendas eólicas” que já fazem parte da realidade do País”, afirmou.
Fonte: Informe Comunicação.
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