15 de Março de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem
No Dia do Consumidor, hoje, segunda-feira (15/03), o Greenpeace lembra que a fabricação de grande parte dos produtos comercializados no mundo hoje causa imensos impactos ambientais e sociais.
O preço desses produtos não contempla seu custo ambiental. Além de afetar os recursos naturais, a maioria das indústrias utiliza fontes sujas de energia e lança no meio ambiente uma poluição química e genética. Nada disso é embutido no preço final do produto ao consumidor.
Neste ciclo perverso, o consumidor contribui para o acelerado e, em alguns casos, irreversível processo de degradação do planeta. O próprio fabricante sofre da ilusão de lucro, mas ele, bem como todas as outras pessoas incluindo as próximas gerações, perdem o direito a um futuro limpo e pacífico. Por meio de suas campanhas, o Greenpeace quer incentivar consumidores a adotarem padrões sustentáveis de consumo.
Direito à informação
O direito à informação é fundamental para viabilizar o consumo consciente. No caso dos alimentos transgênicos, a rotulagem é a única maneira de os consumidores rejeitarem os produtos geneticamente modificados.
Pesquisa do Ibope realizada em dezembro de 2003 com duas mil pessoas, indicou que 74% dos brasileiros preferem alimentos não transgênicos e 92% dos brasileiros querem que os produtos transgênicos sejam devidamente rotulados.
A rotulagem dos transgênicos foi formalizada pelo decreto 4.680 (abril/2003), que determina que todo produto que contenha mais de 1% de transgênicos em sua composição deve conter essa informação. No entanto, a legislação ainda não foi efetivamente implementada.
O Ministério da Justiça baixou uma portaria especificando como deveria ser o rótulo para os transgênicos (símbolo, cor, tamanho) só em dezembro do ano passado, dando um prazo de 60 dias para que entrasse em vigor.
O prazo expirou em 26 de fevereiro, porém os órgãos
governamentais competentes ainda não conseguiram definir como será feita a fiscalização da rotulagem. O Ministério da Justiça acabou prorrogando o prazo para o próximo dia 26 de março, quase um ano após a publicação do decreto. Enquanto isso, os consumidores continuam a comer alimentos transgênicos sem saber.
Para informar a população, o Greenpeace edita e publica desde 2002 o Guia do Consumidor, uma lista atualizada de produtos com ou sem organismos geneticamente modificados. A publicação é elaborada com base em compromissos formais assumidos pelas empresas de alimentos que trabalham com derivados de soja e milho em seus produtos.
O Guia é uma poderosa ferramenta de conscientização de consumidores, já que proporciona a oportunidade de escolher o quê consumir e, assim, tirar mercado das
empresas que utilizam transgênicos, uma tecnologia cujos efeitos sobre o meio ambiente e a saúde humana ainda são desconhecidos. Mais de 200 mil exemplares já foram distribuídos, e mais de 600 mil guias já foram baixados do site do Greenpeace na internet. A 4ª edição do Guia será lançada em abril, listando 110 empresas.
Madeira sustentável
Na campanha pela proteção das florestas do planeta, o Greenpeace apóia o Conselho de Manejo Florestal (FSC), que oferece os melhores padrões e critérios para a exploração sustentável da madeira e de outros recursos florestais. Ao comprar um móvel ou produto de madeira com o selo FSC, o consumidor tem a garantia de um produto sustentável e incentiva o empresário comprometido com o futuro da floresta e com a sobrevivência das comunidades locais, cujos direitos sociais e trabalhistas são respeitados.
O consumidor brasileiro tem enorme responsabilidade sobre o futuro da Amazônia, já que mais de 85% da madeira extraída na região são consumidos no Brasil. Enquanto o mercado brasileiro não exigir comprovação da origem sustentável do produto madeireiro, a floresta amazônica continuará a ser explorada de maneira criminosa e destrutiva.
Chega de contaminação
A fabricação de produtos que fazem parte do nosso cotidiano, como o plástico PVC, tem graves impactos ambientais. Sua produção gera resíduos perigosos como as dioxinas, que podem causar câncer e problemas nos sistemas nervoso e reprodutivo. Essa poluição química não pode ser remediada: uma vez liberada no meio ambiente, torna-se uma ameaça constante e sem fronteiras. O Greenpeace defende o direito das pessoas a um mundo sem contaminação tóxica.
O consumidor tem o direito de saber o conteúdo real do produto que compra, e quais são os riscos ao meio ambiente e à saúde oferecidos pelas substâncias utilizadas em sua fabricação. O consumidor também deve exigir que o governo e as indústrias adotem soluções concretas, para que essas substâncias sejam banidas.
A Campanha Veneno Doméstico do Greenpeace coletou amostras de poeira em residências e escritórios de diversas cidades brasileiras. A poeira está sendo analisada em laboratório com o objetivo de mostrar como a contaminação química está presente dentro de casa. Os
resultados devem ser divulgados ainda no primeiro semestre.
Energia limpa
Economizar energia - ou seja, reduzir o desperdício e usar equipamentos eficientes - é tarefa do consumidor. O consumidor, que também é cidadão, além disso pode escolher não votar em políticos que apóiam a energia nuclear. Para preservar o clima do planeta, ele pode dar carona, ou usar transporte coletivo. São ações simples e práticas que fazem a diferença.
Outra possibilidade é substituir chuveiros elétricos por aquecedores solares de água. Ao redor do mundo, o Greenpeace denuncia a poluição do planeta causada pela utilização de combustíveis fósseis como o petróleo, e promove as energias limpas e renováveis, como eólica e solar.
Portanto, o recado para o consumidor é: ao colocar a mão no bolso na hora de comprar um produto, coloque também a mão na consciência.
`Investigue a origem do produto`, afirma o diretor-executivo do Greenpeace, Frank Guggenheim. `Entenda quais foram os impactos causados por sua fabricação. Pense sobre o resíduo que esse produto gera. Reflita sobre o seu papel de consumidor e cidadão consciente, que pode e deve fazer alguma coisa em nome do bem-estar do planeta`.
Fonte: Assessoria de Imprensa do Greenpeace