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7 de Julho de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem
`Não tire as penas da vida` é o apelo da campanha que o Ibama do Amazonas lançou na contra a venda ilegal de artesanato com subprodutos da fauna silvestre, indústria clandestina que só no estado extermina anualmente cerca de 26 mil animais, metade araras.
Aproveitando a proximidade do festival dos Bumbás de Parintins, a campanha pretende conscientizar os turistas a só adquirir artesanatos ecologicamente corretos – etiquetados com as logomarcas do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e da Funai - Fundação Nacional do Índio, identificando que os adornos usados nas peças são de animais provenientes de áreas indígenas e/ou de criadouros legalizados.
O chefe do Núcleo de Fauna do Ibama/AM, Paulo Cezar Andrade, que coordena a campanha de conscientização ambiental em parceria com a Funai e as agremiações folclóricas Boi-bumbá Caprichoso e Boi-bumbá Garantido, acredita que `só a conscientização da população e dos turistas fará com que o festival de Parintins seja realmente ecológico e impeça a matança de milhares de animais silvestres para a confecção de colares, brincos, cocares, chaveiros, roupas, entre outros`.
O Ibama etiquetou, ano passado, trinta mil peças de artesanato indígena confeccionadas com subprodutos da fauna (penas, plumas, peles, couro, ossos e dentes) em treze lojas cadastradas pela Funai no município de Parintins, para as quais foram abatidos 6.500 animais, metade araras. Estas, são legais.
Já a operação de fiscalização realizada em Manaus, incluindo lojas não registradas, apreendeu 5.002 peças que significam o abate clandestino de 1.088 animais, 544 araras.
A campanha com cartazes, folders, faixas, adesivos, camisetas e peças publicitárias foi divulgada na mídia regional e nacional, em escolas, aeroportos, portos fluviais, feiras, embarcações e nas imediações do bumbódromo.
Os lojistas e barraqueiros foram cadastrados pelo Ibama e o artesanato registrado pela Funai. O comércio de artesanato indígena é uma atividade que remonta ao início da colonização do Brasil.
Antes, porém, cocares, brincos e pulseiras, por exemplo, eram confeccionados com penas de animais abatidos para consumo doméstico ou criados como bichos de estimação. Hoje, denuncia o Ibama/AM, os infratores invadem ninhais, depredam ninhos, incendeiam árvores e matam filhotes.
`Qualquer ave está sujeita a levar um tiro no período que prescede o festival de Parintins. Basta que seja bonita e tenha penas coloridas`, diz Andrade.
Fonte: Ibama