6 de Janeiro de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem
Três novos produtos desenvolvidos pela equipe do Laboratório de Controle Microbiano do Setor de Entomologia da Esalq - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP - Universidade de São Paulo, em Piracicaba (SP), têm se mostrado capazes de promover a agricultura sustentável por meio do controle eficaz de diversas pragas e doenças.
São os bioinseticidas Metarril (Metarhizium anisopliae) e Boveril (Beauveria bassiana), que atuam contra insetos e ácaros, além do Trichodermil ( Trichoderma spp.), um fungo eficaz contra outros fungos específicos que causam doenças na agricultura.
Segundo os cientistas da Esalq, esses produtos diminuem os riscos da intoxicação do produtor rural e das contaminações dos alimentos e do ambiente causadas pelo uso exagerado de agrotóxicos.
O Metarril e o Boveril são inseticidas biológicos formulados com isolados de fungos que ocorrem na natureza infectando insetos. Essas formulações biológicas atuam por contato, causando doenças nos insetos.
`O fungo penetra no inseto, colonizando seus órgãos internos, onde são liberadas toxinas que levam a praga à morte`, disse Sérgio Batista Alves, professor titular da Esalq, em entrevista à Agência Fapesp.
Já o Trichodermil, explica o cientista, atua como antagonista, evitando a ocorrência de outros fungos em determinada região. As principais culturas agrícolas de atuação do Metarril e Boveril são morango, citros, cana de açúcar, hortaliças, seringueiras e floricultura.
O Trichodermil atua contra doenças do solo, em especial no tratamento de grãos e sementes. A justificativa para a criação dos novos produtos foi o elevado custo de desenvolvimento de um agrotóxico, que, segundo Alves, varia de US$ 35 milhões a US$ 270 milhões por produto, além da poluição dos alimentos e do ambiente.
O controle feito pelo uso dos agrotóxicos representa um amplo mercado para as indústrias químicas, que faturam em todo o mundo mais de US$ 27 bilhões por ano. Apenas o Brasil, terceiro maior consumidor mundial, gasta cerca de US$ 2 bilhões anuais. A Esalq idealizou os três produtos em um projeto científico realizado em parceria com a empresa Itaforte Bioprodutos.
Fonte: Agência Fapesp