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Uma natureza diferente

Quando eu estudei Geologia - isso na longínqua década de 50 - alguns professores mencionavam, quase que marginalmente, uma teoria de um meteorologista alemão a respeito de estarem os continentes vogando à deriva: seriam como que peças de um quebra-cabeças

24 de Junho de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Quando eu estudei Geologia - isso na longínqua década de 50 - alguns professores mencionavam, quase que marginalmente, uma teoria de um meteorologista alemão a respeito de estarem os continentes vogando à deriva: seriam como que peças de um quebra-cabeças que vêm se destacando e se espalhando por toda a superfície do globo... Os próprios perfis dos continentes sul-americano e africano já permitem adivinhar que eles se encaixavam perfeitamente!

Hoje, a teoria de Wengener não só está perfeitamente comprovada, como se conhece a `força motriz` que afasta os continentes, como se estes fossem arrastados sobre poderosos tapetes rolantes submarinos. No encontro de dois desses tapetes, a mais de 2000 metros de profundidade, encontram-se extensas fendas, chamadas dorsais oceânicas, de onde saem novas rochas e muita água quente.

Pois bem: em 1977 o pequeno submersível americano Alvin mergulhou sobre a dorsal das Galápagos, no Oceano Pacífico e trouxe a notícia de uma extensa comunidade biológica surpreendente, não só pelo tamanho como pela profusão das espécies presentes: um verdadeiro oásis, no deserto biológico habitualmente encontrado no fundo dos oceanos, em ambiente da mais densa escuridão. No ano seguinte, o submersível francês Cyana descobriu a mesma coisa em outros locais, sempre ligados às dorsais submarinas.

Na verdade, se o homem já descobriu em algum lugar uma forma de vida `extra-terrestre`, foi ali, no fundo dos oceanos: um ecossistema riquíssimo, que, no entanto, não depende da luz nem da fotossíntese, mas que utiliza como fonte de energia o calor geotérmico, através de reações químicas especiais. Várias interrogações vieram à tona junto com os vermes gigantes, caranguejos e peixes estranhos capturados nessas profundidades. Um grande investimento em pesquisa está sendo preparado pelos institutos franceses, para investigações de caráter genético a serem levadas a efeito em 2004.

Há realmente mais coisas entre o céu e a Terra do que pode supor a sua vã filosofia...

 

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