19 de Fevereiro de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem
(Por: Samuel Murgel Branco)

Trata-se de uma verdadeira "caça às bruxas"...
Em 1989, a lavoura cacaueira da Bahia começou a sofrer grandes perdas causadas pelo aparecimento do fungo que causa a doença denominada "vassoura de bruxa".
A praga parece ter sido originada na Amazônia, local de origem do próprio cacaueiro, e as perdas chegavam a 100%. Muitas fazendas foram abandonadas, em face da derrocada daquele que já foi um dos principais produtos de exportação do país e a principal riqueza da Bahia.
Mas a reação veio da parte dos tradicionais institutos de pesquisa do cacau, localizados no sul daquele Estado. Variedades e cruzamentos resistentes à praga foram selecionados e, a partir destes, foram obtidos clones, isto é, plantas reproduzidas vegetativamente, a partir de simples células, originando mudas que há alguns anos vêm sendo plantadas nas terras de onde foram removidas as plantas dizimadas pela praga.
Com a clonagem - segundo a afirmação de técnicos da Comissão do Plano Executivo da Lavoura Cacaueira - CEPLAC -, os novos pés de cacau obtidos já começam a produzir em dois anos, enquanto que os desenvolvidos a partir de sementes levam quatro a cinco anos.
Fazendas já abandonadas estão sendo completamente recuperadas e fazendeiros que já não acreditavam na recuperação da lavoura cacaueira estão convencidos de que clonar cacau constitui o melhor investimento rural na Bahia.
Ao mesmo tempo, a alta do preço causada pela escassez do produto no mercado, está favorecendo esses investimentos, de tal maneira que a mais tradicional atividade rural daquele Estado - responsável por toda uma cultura regional muito peculiar - está voltando aos seus dias áureos!
Ao mesmo tempo, grandes esforços têm sido aplicados no sentido de substituir as técnicas rudimentares de processamento do cacau por métodos mais modernos e racionais, visando a obtenção de maior eficiência e produtos de melhor qualidade.
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