12 de Fevereiro de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem Autor Samuel Branco
O IBAMA decidiu, agora, permitir a caça aos javalis, no Rio Grande do Sul. É que proteção demais gera confusão...
A Constituição Estadual de São Paulo, com o desejo de inovar e certamente muito mal assessorada, estabeleceu, em seu artigo 204, a proibição à caça, em todo o Estado, "sob qualquer pretexto".
As conseqüências desastrosas desse ato, são, de um lado, a impossibilidade do caboclo, do habitante do sertão, manter-se vivo nos lugares em que nasceu, conservando os hábitos culturais que adquiriu há séculos.
Impedido de derrubar árvores para construir suas canoas, de fazer seus cercos no rio para a pesca da tainha e de armar seus mundéus para a caça de subsistência, ele tem é que morrer de fome, ou tornar-se auxiliar de pedreiro na cidade grande, com perda total da sua cultura original...
De outro lado, são as capivaras e outros herbívoros que, reproduzindo-se muito e agora protegidos pela lei, começam a morrer de fome, ou a invadir cada vez mais as plantações de arroz e de banana, ou ainda a migrar também para as cidades, caminhando em bandos pelas estradas que margeiam os rios, morrendo atropelados pelos caminhões!
É que os zelosos legisladores, guardiões da natureza, não aprenderam com esta que o controle das espécies mais prolíficas tem que ser feito com o sacrifício de uma parte de sua população, o que geralmente está a cargo dos animais predadores.
Ora, nas regiões agrícolas, o aumento da disponibilidade de alimento fácil - associado ao afastamento, necessário, das grandes feras predadoras - leva, fatalmente, a uma proliferação excessiva dos animais herbívoros que, sendo protegidos pela lei, além de destruírem plantações, acabam morrendo de fome ou sendo atropelados nas rodovias...
Pior ainda quando o animal não é nativo, como os javalis, os quais, não possuindo controladores naturais, são voracíssimos onívoros, devorando não só imensas áreas de plantações de cereais, como também atacando animais de criação, como aves, cabras e carneiros.
Existem caças... E caças, senhores deputados!
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