21 de Julho de 2005. Publicado por Vininha Carvalho
O Laboratório farmacêutico de Pernambuco, Lafepe, vai ser a única indústria farmacêutica do mundo a fabricar um medicamento exclusivo para combater a leishmaniose. A informação foi dada pelo presidente do Lafepe, Luís Alexandre Araújo Almeida. A doença é causada por um protozoário e provoca lesões na pele, mucosas e víceras, podendo levar a morte.

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Almeida destaca que o projeto será viabilizado em parceria com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da França, IDR, e a empresa Nortec Química, que devem assinar com o Lafepe, nos próximos dias, convênio de cooperação técnica.
Os detalhes da fabricação do novo fármaco foram acertados esta semana, durante reunião entre a diretoria do laboratório pernambucano e representantes das instituições parceiras do projeto.
De acordo com o diretor técnico do Lafepe, Leduart Guedes, a tecnologia para produção do remédio será repassada ao laboratório pelos pesquisadores franceses, que isolaram três moléculas do princípio ativo da droga em uma planta boliviana. Já a química fina para produção do remédio em larga escala vai ser feita pelo laboratório Nortec, do Rio de Janeiro.
`O produto chegará ao mercado dentro de dois ou três anos, na forma de comprimido e de creme dermatológico`, explicou. Guedes observa que antes, porém, o remédio terá que passar por testes em animais e em seres humanos, para verificação dos índices de toxicidade.
O consultor científico do Lafepe Pedro Rolim explica que a embaixada da França no Brasil escolheu o laboratório pernambucano para desenvolver o projeto por causa da experiência tecnológica acumulada pela instituição no trabalho com a produção de remédios destinados a doenças negligenciadas, a exemplo de cólera, dengue, chagas e tuberculose.
`As grandes empresas farmacêuticas não têm interesse em investir nessas doenças que atingem a população de baixa renda`, observa Rolim, também professor do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Pernambuco.
`Estamos procurando uma medicação de alta atividade e baixa toxidade.`
Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que a leishmaniose atinge principalmente as populações das Américas Central e do Sul. No Brasil, são detectados cerca de 30 mil casos por ano, segundo o Ministério da Saúde.
Os medicamentos usados atualmente para tratar a doença provocam reações secundárias que inviabilizam o uso contínuo, sendo necessário acompanhamento médico permanente.
Fonte: Agência Brasil
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