4 de Novembro de 2003. Publicado por Vininha F. Carvalho
O fenômeno de envelhecimento da população não está restrito aos seres humanos. Pelos mesmos motivos que homens e mulheres vivem mais – melhor alimentação, acesso a tratamentos de saúde mais avançados e vacinas – cães e gatos estão cada vez mais longevos. Isso está fazendo com que haja mais pesquisas para desvendar as doenças que surgem com a idade avançada.
No caso dos animais de companhia, como os cães e gatos são chamados pelos veterinários, eles já são considerados idosos a partir dos 8 anos. É nessa fase que ficam mais comuns os problemas cardíacos, doenças hepáticas e endócrinas, além do câncer, que é a causa da morte de quase metade dos cães e um terço dos gatos tratados no Hospital Veterinário da UFPR - Universidade Federal do Paraná.
Não faz muito tempo que os donos passaram a dar a seus bichinhos uma dieta baseada em rações balanceadas, em vez dos restos de alimentos, e a visita ao veterinário deixou de ocorrer só em caso de emergência.
`Hoje em dia, as vacinas são mais eficazes, a ração é balanceada e os métodos de diagnósticos são mais precisos`, diz a médica veterinária Suely Rodaski, especialista em oncologia e professora da UFPR.
Numa pesquisa coordenada por Suely, foram catalogados dados de 333 cães com câncer, atendidos entre 1998 e 2002 no Hospital Veterinário. Mais de dois terços dos pacientes eram fêmeas e, entre elas, 45% eram casos de câncer de mama.
`Chama a atenção que mais da metade desses diagnósticos eram malignos. Sabe-se que entre as gatas o problema é parecido e cerca de 80% dos casos são malignos`, destaca Suely. Entre os machos, o câncer de pele é o mais comum.A cirurgia é quase sempre a única saída encontrada pelos veterinários.
`Combinada com a quimioterapia, ela pode prolongar em até alguns anos a vida dos animais`, afirma o médico veterinário Marconi de Faria, coordenador da unidade hospitalar para animais de companhia da PUC-PR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
O tempo de vida de cães e gatos varia muito de acordo com a raça, mas o veterinário calcula que a média passou de 9 para 11 anos.Geórgia, uma fêmea de basset hound de 9 anos, é um dos pacientes que se preparam para o tratamento no hospital da PUC. Ela está com câncer em um dos olhos e os veterinários suspeitam de tumor no útero.
`Nós avaliamos as funções vitais e fazemos um exame patológico para melhorar o diagnóstico. De qualquer modo, ela deve ganhar mais alguns anos de vida`, explica Faria.Atualmente, os hospitais veterinários têm equipamentos modernos, como eletrocardiograma e ultra-som, para fazer exames.
Assim como nos seres humanos, as chances do tratamento ser bem-sucedido aumentam com as pesquisas na área médica, mas dependem muito do diagnóstico precoce – que é feito com visitas regulares ao veterinário.
Fonte: TudoParaná
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