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Animais criados em cativeiros não se adaptam mais á liberdade

Quase a metade dos 1800 animais que, em média, dão entrada anualmente no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande (MS), não pode ser devolvida ao seu habitat natural. Muitos chegam ao centro com asas, patas ou bicos parcial

28 de Julho de 2003. Publicado por Vininha F. Carvalho  

Quase a metade dos 1800 animais que, em média, dão entrada anualmente no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande (MS), não pode ser devolvida ao seu habitat natural.

Muitos chegam ao centro com asas, patas ou bicos parcial ou totalmente decepados ou então, devido às condições em que foram criados em cativeiro, não se adaptam mais à vida em liberdade.

Os felinos são as maiores vítimas. Capturados quando filhotes – quando as mães são abatidas – e criados em cativeiro, esses animais dificilmente conseguem retornar de onde vieram com chances de sobrevivência.

Mas outros animais também sofrem com as caçadas, que têm variadas intenções: as aves, para servirem de ornamento e companhia; mamíferos, para guarda e proteção; e ofídios, para experiências laboratoriais.

A Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul (PMA-MS) é o principal parceiro do trabalho do Cras: a média diária de encaminhamentos da corporação é de quatro animais, apreendidos em fiscalizações ou recolhidos ao longo das estradas ou então resgatados de queimadas e enchentes.

Chegam também ao centro muitos animais provenientes de entrega espontânea da população, que é estimulada por campanhas de esclarecimento. Quando chegam ao Cras, os animais são identificados por espécie, sexo, idade e procedência, numerados e inscritos em um banco de dados para posterior averiguação das possibilidades de destinação.

Após esse fichamento, eles são imediatamente submetidos a um período de observação de 7 a 10 dias, para detecção de algum tipo de doença de modo a evitar a contaminação de outros exemplares. Uma parcela desses animais, depois desse período, é encaminhada, logo em seguida, de volta ao seu habitat.

No entanto, quase a metade necessita de tratamento especial e fica na reabilitação específica de acordo com o dano sofrido durante a captura ilícita, ou ainda, pela imposição de hábitos impróprios à sua natureza.

“Muitas aves, pegas na natureza quando filhotes, não adquirem musculatura para a prática do vôo e é necessário treiná-las. Outras não adquiriram a capacidade de procurar seu alimento na natureza e, dessa forma, é preciso ensiná-las caçar. Outras ainda, se habituaram à presença humana e se tornam incapazes de viver em liberdade”, lastimou o médico-veterinário do Cras, Newton Netto.

Com mestrado em Psicologia Experimental e doutorado em Ecoetologia – Gestão de Populações Silvestres realizado na França, ele ressaltou que “muitas pessoas retêm espécimes silvestres para servirem de animais de estimação, imaginando que se a iniciativa não for bem sucedida, poderão soltá-los sem seqüelas em seu habitat natural”.

Um período de cativeiro, dependendo das condições a que o animal é submetido, pode trazer danos irreversíveis.No Cras, atualmente um lobo comum, o chamado cachorro do mato, com uma coleira que lhe impede de alcançar o rabo, que quase foi decepado por constantes tentativas de auto-mutilação, anda em círculos, desesperadamente.

O Cras, mantido pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, é um centro de referência para a recuperação de animais silvestres do país. Cerca de 70% dos animais silvestres recepcionados pelo centro são aves. Entre elas, destacam-se papagaios, araras, periquitos, tucanos, canários e curiós.

Na primavera, período de reprodução da maioria dessas espécies, é também a época de maior entrada de aves no centro. O papagaio verdadeiro é a maior vítima dos predadores, e por isso mesmo, o campeão das recepções.

Anualmente chegam ao centro cerca de 320 exemplares. Outros 25 % dos animais abrigados são mamíferos e entre esses, os mais comuns, os macacos-pregos e sagüis. Os ofídios representam 5% dos animais do Cras. Jararacuçu, jararaca e a cascavel são especialmente visadas pela biopirataria.

“Os grandes laboratórios de pesquisas farmacêuticas e instituições científicas são os grandes interessados não somente na nossa flora mas também no subproduto de nossos animais. As serpentes venenosas são muito visadas pela substância liofilizada que possuem, e que é empregada em pesquisas para novos medicamentos”, lembrou Newton.

Ele explicou que a laquese, um dos componentes do veneno das cobras, é usado na fabricação de produtos homeopáticos e também na medicina tradicional indígena.

De acordo com o veterinário, em Botucatu (SP), atualmente, está sendo desenvolvida uma pesquisa com esse componente para a recuperação de enervação humana dilacerada ou seccionada.

“As cobras são capturadas por traficantes, que as exportam para os grandes laboratórios, que pesquisam novos componentes terapêuticos, patenteiam as fórmulas e depois nos vendem os medicamentos com todo o valor agregado. Além do impacto que sofremos sobre as nossas espécies animais, ainda há o impacto econômico”, alertou.

Os felinos silvestres, principalmente onças pardas e pintadas, que também fazem parte da população do Cras, são as espécies mais ameaçadas, devido, sobretudo, à fragmentação do seu habitat natural, o que torna escassas as suas condições de sobrevivência. Newton explicou que dificilmente um felino que encontra guarida no Cras tem condições de voltar à vida natural. As razões são diversas.

“Primeiro a dificuldades de readaptação do próprio animal, e depois pela recusa dos proprietários de alguma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) em abrigá-los”, explicou o veterinário.

Sómente no estado já existem 24 RPPNs, que são criadas com o incentivo da isenção de pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR). As autorizações para a instituição dessas reservas são expedidas pela Secretaria do Meio Ambiente e ainda pelo Ibama, que preliminarmente, realizam levantamento técnico da área, quando são verificadas as condições de sobrevivência das espécimes solicitadas.

“Há todo um cuidado de se evitar a introdução de animais estranhos ao ambiente e se há suspeitas de capturas ilegais realizadas no local, o que inviabiliza definitivamente a entrega da guarda”, informou o veterinário.

Fonte: Radiobras

 

Comentários

 
 

nathaly

 postado: 16/10/2008 17:08:13

Para mim isso é um crime tão grande,por que a pessoa pensa que um animal não foi Deus quem criou assim como um ser humano

gente, um animal é sensivel assim como nós somos ta certo que eles não são iguais a nós, mas pera lá vamos ter um pouco de compaixão se vc naum quer que alguem lhe prenda em uma gaiola
naum faça isso com os animais
sabe por que:
o feitiço vira contra o feiticeiro
e um dia quem sabe você não paga pelos seus crimes a natureza

pense e reflita, um animal é td de bom na vida do ser humano mais infelizmente "quase" ninguem pensa da mesma forma como as pessoas boas
mais espero que logo aconteça ou um milagre de Deus para reverter estas situações que aconteçem com os animais
e que Deus abençoe todos vcs


 
 

maria eduarda braga oliveira

 postado: 4/9/2008 21:38:30

Nao gosto de ver os animais,principalmente as ararinhas - azuis presas em cativeiros.Pra mim isto é roubo.Prender os animais em gaiolas para vendelos e ganhar dinheiro ,é roubo que nem deus perdoa.Nao estou falando que vcs roubao so para ganhar dinheiro mas eu acho errado prender os animais.Eles tem que vivirem mais livres ,eles estando livres eles sabem se cuidar ...
Mas espero que com minha opiniao vcs param de prender os animais em cativeiros,gaiolas...


 
 
 

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