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Praias do Ceará - viagem boa e barata

A viagem Desembarcar em Fortaleza, capital do Ceará, foi uma bela surpresa. Na minha cabecinha preconceituosa de paulista, achava que toda cidade nordestina era simplória. Pois esta bela cidade de dois milhões de habitantes tem uma invejável es

26 de Junho de 2002. Publicado por Equipe EcoViagem  

A viagem

Desembarcar em Fortaleza, capital do Ceará, foi uma bela surpresa. Na minha cabecinha preconceituosa de paulista, achava que toda cidade nordestina era simplória. Pois esta bela cidade de dois milhões de habitantes tem uma invejável estrutura turística, hotéis de arquitetura arrojada e excelentes restaurantes. E é o ponto de partida pra se conhecer um litoral maravilhoso, que inclui Jericoacoara, considerada uma das praias mais bonitas do mundo.

Mais um mito desfeito: seca. Chove pra caramba no Ceará, principalmente entre março e maio, período que os cearenses chamam de `inverno`. Apenas 33 graus, em média... No `verão`, bate nos 40 graus... Estive lá em abril, justamente no período de pico das chuvas. Mas chove basicamente de manhã, o resto do dia costuma pintar um sol escaldante. Não é à toa. Dê uma olhada em algum mapa do Brasil: o Ceará está bem ali, na `curva` de cima, entre o Rio Grande do Norte e o Piauí.

As praias próximas à capital não são legais pra banho, sofrem com a poluição urbana. São legais pra caminhada, ou pra ver um agito, como na Praia do Futuro. Uma peculiaridade é a Praia de Iracema. Tem uma concentração absurda de bares e restaurantes, literalmente um do lado do outro. Ali também se localiza o Forró do Pirata, citado no Guiness Book como a noite de segunda-feira mais agitada do mundo. Aliás, só abre na segunda-feira.

Outro aspecto importante a se destacar: preço. Foi o pacote mais barato para o Nordeste que encontrei, fora Porto Seguro, é claro. Gastei mil reais (abril/2002) por um pacote de sete dias, incluindo Jericoacoara. Come-se muito bem por um preço mais do que justo. É preciso paciência, porém. Como dizem os cearenses, uma característica de lá é o `talento` dos garçons... Tá lento... Mas enfim, pra quê ter pressa no Ceará, bichim?

Falando sobre gíria: se um nativo te mandar `rebolar no mato`, sossegue... Significa apenas jogar algo no lixo. E se disser `deu prego`, quer dizer algo que falhou, parou. `Aquela viagem? Ih, deu prego!`.

O lance pra curtir o Ceará é escolher: Leste ou Oeste. É assim que os cearenses dividem seu litoral. Há dezenas de belíssimas praias. E nem precisa ir muito longe. Cumbuco, por exemplo, fica a menos de 50 quilômetros da capital.

Uma dica importante: planeje bem sua viagem. Se você comprar um pacote, tudo rola na base do bate-e-volta, ou seja: você fica baseado em Fortaleza, e a agência te leva pra praia de manhãzinha e traz de volta aproximadamente 16h. Desvantagens: algumas praias são bem distantes (mais de 100 quilômetros) com isso deixa-se de ver o pôr-do-sol na praia. Vale a pena estudar um roteiro por conta própria, em que você fique hospedado nas cidades mais distantes, pra poder curtir as praias com calma.

Jericoacoara, em particular, exige um planejamento adequado. Distante 317 quilômetros de Fortaleza, só tem saídas pra lá duas vezes por dia. Um erro bastante comum do turista é comprar um pacote básico pro Ceará. Chegando em Fortaleza, resolve conhecer Jeri. Mas, acaba desperdiçando as diárias no hotel da capital, enquanto está em Jeri. Algumas agências, como a Visual Turismo, já prevêem esta esticada. No meu caso, fiquei cinco dias em Fortaleza e dois em Jeri.

Se você tem tempo, dinheiro e paciência, o lance é ir por conta própria pro Ceará. As praias mais distantes, como Canoa Quebrada, merecem uma estadia mais longa. Mesmo porque serve de ponto de partida pra Ponta Grossa, famosa por suas coloridas falésias. Vá de avião até Fortaleza e alugue um carro (cerca de R$ 420 por uma semana).

Mais uma dica de Fortaleza: o centro tem belas atrações, como o Centro Cultural Dragão do Mar e o Theatro José de Alencar. As agências não costumam incluir estes lugares no City Tour, o que é uma pena. A única que honrosamente leva a estes lugares é a Ocean View (0xx85) 219-1300. Todos os guias desta agência têm registro na Embratur.

Agora, uma abordagem praia por praia. Vamos começar pelo Litoral Oeste.

Litoral Oeste

Cumbuco

A praia mais próxima de Fortaleza, meia hora de ônibus. É comum as agências de turismo incluírem um bate-e-volta pra esta praia no pacote. É bonita e limpa. Mas o que mais atrai os turistas são os passeios de buggy. Sempre perguntam se você quer `com ou sem emoção`. Prefira com, pois isto inclui descidas alucinantes nas dunas. Inclinação de aproximadamente 60 graus, em alta velocidade. O passeio inclui uma parada na bela Lagoa do Parnamirim. Ali se pratica o chamado `esquibunda`. Pegue uma prancha (o aluguel é baratíssimo, algo em torno de R$ 2), deslize pela duna e caia na água quente da lagoa. O duro é subir a pé...

Lagoinha

É o cartão postal do litoral cearense. Isto se deve a única duna do Ceará que avança dentro do mar. É fundamental dar uma parada no mirante e fazer sua foto dali. Se você pegar o pau-de-arara (caminhão com travas de madeira, como bancos) até Almécegas, vai passar pelo mirante. E dará boas risadas com os guias-mirins.

Pergunte a eles sobre as `Torres Gêmas` do Ceará. O passeio custa, acredite, R$ 1. Pra quem optar por pousar em Lagoinha, existe a Pousada Milton Góis (0xx85) 363-5078, e a Pousada Mar à Vista (0xx85) 363-5034, entre outras. Nas proximidades de Lagoinha, vale a pena conhecer outras duas praias: Flexeiras e Mundaú.

Jericoacoara

A viagem é cansativa pra caramba, mas acredite, vale a pena. Jeri é belíssima, não é à toa que é uma das praias brasileiras mais conhecidas no exterior. Aliás, não falta estrangeiro circulando por lá.

Pra chegar lá: primeiramente, cinco horas de busão de Fortaleza até Jijoca, a cidade mais próxima. Depois, o que realmente cansa: duas horas de pau-de-arara em estrada (estrada é elogio) até Jericoacoara. Grande parte do caminho é pontuado de infinitas `lombadas` de areia. Pelo menos, o pau-de-arara tem acolchoamento nos assentos, a bunda não fica tão `quadrada`.

O isolamento de Jeri garante águas limpíssimas e muito sossego. População local: 1200 nativos, 600 jegues e 400 estrangeiros, segundo o guia. Estrangeiro, pra eles, é qualquer um não-nascido em Jeri.

Algumas das atrações locais: a vila de pescadores de Tatajuba. A belíssima Lagoa Azul. A Pedra Furada. E naturalmente, as enormes dunas. A subida é dura, mas compensa. Na descida, não tenha medo: desça correndo. Cansa menos, e dificilmente você cai, o pé fica ancorado na areia.

Comer bem é fácil em Jeri. Tem bons e diversificados restaurantes. Comida grega, italiana, pizzas, sorvetes com sabores exóticos etc. E é claro, não faltam opões com os frutos do mar: lagosta, caranguejo, peixes diversos... Eu, que não gosto de frutos do mar, investi na carne de sol com baião-de-dois (arroz e feijão-fradinho misturados, e temperados com leite-de-coco e muitos condimentos; bom pra caramba!). Ah sim, leva mandioca também, que lá é chamada de macaxeira.

Litoral Leste

Praia do futuro

É a praia do agito, pra ver e ser visto. Nas quintas-feiras, o prato do dia é caranguejada. Não vem desfiadinho não, precisa martelar e chupar direto da casca... Não se envergonhe, todo mundo lá faz isso.

Beach Park

O sonho da garotada, o desespero dos pais. O ingresso custa em torno de R$ 50, e tudo lá dentro é caro. É um parque aquático enorme, tem até hotel próprio. O nome da praia mesmo é Praia do Porto das Dunas, mas ninguém conhece por este nome.

Morro Branco

A 85 quilômetros de Fortaleza. Foi cenário da novela `Final Feliz` (1983), da Globo. Mar verde e limpo, tem pescador, artesão e... mulé rendeira, sim sinhô! Elas tecem e cantam ali, no alto das falésias coloridas. Aliás, um dos grandes atrativos locais é justamente o Labirinto das Falésias.

Dedique algum tempo pra observar como são feitas as garrafinhas de areia colorida. E não deixe de fazer o passeio de buggy pelas praias das Fontes, Diogo e Uruaú. Os passeios de buggy custam de R$ 60 a 100, e você sempre pode dividir em quatro pessoas.

Canoa Quebrada

Ao chegar em Canoa Quebrada, você estará literalmente na Broadway! Este é o nome de uma das ruas principais do vilarejo. Mal passa dois carros juntos nesta rua de areia. Canoa Quebrada foi descoberta pelos hippies na década de 70, que continuam vendendo muito artesanato por ali, principalmente bijuterias.

O tema principal das peças é lua e estrela, que são o símbolo da praia. Diz a lenda que um gringo criou este símbolo. O cara ficou caidaço e olhando pro céu... Via a lua e as estrelas... E mandou esculpir este símbolo nas falésias, em tamanho gigante. Outra lenda local diz que um casal que vai a esta praia jamais se separa.

Novamente, é indispensável o passeio de buggy, pois a região é belíssima. Tem pontos pra prática de esquibunda. Se você resolver dormir por lá, tem várias opções: Wander House (0xx88) 421-7007, recados; Chataletta (0xx88) 421-7200; La Dolce Vitta (0xx88) 421-7213; Lua Estrela (0xx88) 421-7040; Tranquilândia (0xx88) 421-7012.

E a internet chegou em Canoa Quebrada, sim sinhô! Que tal entrar num dos três cybercafés locais e mandar um email pros amigos, pra fazê-los morrerem de inveja? Existe até um site local (www.canoaquebrada.net), no endereço é possível acessar links das pousadas locais.

Pertinho de Canoa Quebrada, tem a praia de Majorlândia. Nesta praia, há uma pousada exótica. O dono mandou um artista fazer esculturas gigantes nas falésias. Retratam temas religiosos, egípcios, a origem do mudo... Tem gosto duvidoso, mas vale como curiosidade.

Ponta Grossa

Praticamente o ponto final do Litoral Leste. O destaque novamente são as enormes e coloridas falésias à beira-mar. De tão isolada, quase não tem opções de pousadas e restaurantes. Dorme-se e come-se em casas de pescadores, o que tem lá o seu charme.

 

Comentários

 
 

IVAN

 postado: 21/9/2008 11:38:30

SEM COMENTARIO E SIMPLISMENTE DEMAIS


 
 
 

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